
Um soldado morreu esta sexta-feira no Hospital Militar de Percy, em Clamart, nos arredores de Paris, depois de ter sido atingido na cabeça por um disparo efetuado por um camarada durante um jogo entre militares, durante o qual terá havido consumo de álcool. A morte de Alexandre Lanckbeen foi confirmada pelo governador militar de Paris, Loïc Mizon, que expressou “profunda tristeza” e endereçou condolências à família, no X. Também o chefe do Estado-Maior do Exército francês, Pierre Schill, apresentou condolências à família, aos amigos e aos camaradas do jovem, que integrava a Operação Sentinela e se encontrava em estado crítico desde o incidente.
Profonde tristesse d’apprendre tôt ce matin le décès du brigadier Alexandre LANCKBEEN, à l’hôpital militaire de Percy, des suites de ses blessures.
Je tiens à exprimer toute ma compassion à l’égard de sa famille et de ses proches et les assurer du soutien des armées pic.twitter.com/HPMvfXJLhu— Gouverneur militaire de Paris (GMP) (@Gouv_mili_Paris) February 20, 2026
O episódio ocorreu na noite de 14 para 15 de fevereiro, segundo o Le Parisien. Um tiro foi disparado por volta das 4h da manhã dentro do Hospital Militar de Percy. A vítima, um jovem soldado de 20 anos do 35.º Regimento de Artilharia Paraquedista, sediado em Tarbes, destacado para funções de guarda naquela unidade hospitalar. De acordo com as autoridades, o disparo ocorreu numa zona do hospital utilizada como área de descanso e convívio dos militares, descrita pelo jornal como um “acampamento base”.
Naquela noite, um grupo de soldados, perto do fim do seu turno, encontrava-se na Academia Militar de Percy. Segundo uma fonte próxima da investigação citada pelo jornal parisiense, o responsável pelo grupo acabou por adormecer sem guardar a sua arma de serviço — uma pistola, adianta o Estado-Maior do Exército francês — contrariando os procedimentos em vigor. A arma terá sido deixada em cima de uma mesa quando, em circunstâncias ainda por esclarecer cabalmente, um dos soldados lhe terá pegado. Pouco depois, efetuou um disparo que atingiu na cabeça Lanckbeen. Gravemente ferido, após a bala lhe ter perfurado o crânio, o militar foi internado nos cuidados intensivos da mesma unidade, onde veio a falecer seis dias depois.
As investigações, entretanto abertas, apontam para que o incidente tenha ocorrido durante um jogo entre soldados sob o efeito de álcool. A brincadeira, conhecida no meio militar, consiste em tentar desarmar um camarada e tornar a sua arma inoperacional através de um truque de ilusionismo, mantendo-se, por agora, como principal hipótese a de um disparo acidental. No entanto, o Le Parisien dá conta de que os soldados terão inicialmente tetado encobrir o caso.
De acordo com a Procuradoria de Nanterre, citada pelo mesmo jornal esta segunda-feira, um dos militares envolvidos foi acusado de “violência com arma seguida de incapacidade permanente e violação de ordens por consumo de álcool”, enquanto os outros dois foram acusados por “lesões involuntárias que resultaram em incapacidade para o trabalho superior a três meses, por violação manifestamente deliberada de uma obrigação regulamentar de segurança ou prudência”. É expectável, contudo, que as acusações sejam reclassificadas após a morte de Alexandre.

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