
O apresentador Alan Cumming viu-se várias vezes forçado a pedir desculpas aos espectadores da cerimónia deste ano dos BAFTAs, os mais importantes prémios do cinema britânico, que se realizou este domingo, no Royal Albert Hall, em Londres.
Em causa estiveram as interrupções involuntárias da cerimónia por parte de John Davidson, que sofre de Síndrome de Tourette. Davidson gritou várias palavras indecorosas, incluindo “nigger”, uma expressão em inglês altamente racista para com pessoas negras, quando no palco estavam o ator afro-americano Michael B. Jordan e o ator britânico Delroy Lindo, filho de pais jamaicanos.
Davidson estava na cerimónia como convidado devido à nomeação da biopic “I Swear”, que relata a sua vida enquanto pessoa com Síndrome de Tourette, em cinco categorias. “É possível que tenham escutado, em fundo, alguma linguagem forte. É uma das formas como a Síndrome de Tourette se manifesta, e o filme explora essa experiência. Obrigado pela vossa compreensão”, afirmou Cumming.
“A Síndrome de Tourette é uma deficiência, e os tiques que escutaram esta noite são involuntários. A pessoa com Síndrome de Tourette não tem controlo sobre o que diz. Lamentamos se se sentiram ofendidos”. John Davidson acabaria por abandonar a cerimónia pouco depois, por sua escolha, e não a pedido da organização.
Davidson é, há vários anos, um reconhecido embaixador dos portadores deste distúrbio neurológico. Em 2019, recebeu das mãos da Rainha Elizabete II a Excelentíssima Ordem do Império Britânico, pelo seu trabalho como ativista.

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