
Pode até haver quem não lhe conheça bem a cara, mas todos os que respiraram música portuguesa nas últimas décadas dificilmente terão fintado o seu acordeão. Fosse nos ‘Sete Mares’ da Sétima Legião, ‘A Vaca de Fogo’ ou ‘O Pastor’ dos Madredeus, grupo do qual foi cofundador, ou no trabalho a solo de Rodrigo Leão, o instrumento de eleição de Gabriel Gomes tornou-se elemento essencial para melhor compreender a linguagem musical nacional e, também, um dos seus grandes embaixadores pelo mundo. Agora, ao fim de todos estes anos, o músico resolveu honrar os pedidos dos comparsas que o foram instigando a gravar em nome próprio com “Uma História Assim”, um álbum de estreia que conta com coprodução de Leão, “um dos meus melhores amigos”, e de João Eleutério, que o país conhece dos Cindy Cat e de colaborações com Leão ou Samuel Úria. “Porquê agora? Porque, se calhar, tenho maturidade para me assumir a solo como um instrumento”, confessa Gomes ao Expresso, “foi sobretudo o Rodrigo que me convenceu: ‘tens mesmo é de fazer as tuas músicas… são diferentes, são bonitas’. Pensei ‘OK, então vamos’. E quando vais para o estúdio, já não podes voltar para trás”. Mais do que um disco, o acordeonista e compositor considera que “Uma História Assim” é um “ato de entrega”. “Sempre considerei que a linguagem musical nunca é um monólogo, mas um diálogo entre instrumentos. Agora, provavelmente, sei cantar, não com a voz mas com o acordeão. Portanto, todo o trajeto de tocar com os outros músicos e de fazer bandas maravilhosas, que me permitiram viajar, veio, naturalmente, desaguar aqui. E permitiu-me criar uma espécie de linguagem com o meu acordeão”.

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