Há 14 anos, o CX-5 foi o modelo que protagonizou o início de uma série de mudanças na Mazda: estreou a linguagem de design Kodo, traduzida por Alma em Movimento, e implementou a filosofia Jinba Ittai, expressão nipónica que na origem representava a união entre cavalo e cavaleiro e que passou a ser posta ao serviço da marca para simbolizar a aliança ambicionada entre condutor e veículo com a implementação da tecnologia Skyactiv. Agora, volta a destacar-se, com uma terceira geração pensada sobretudo para o conforto. Em Portugal, porém, este novo CX-5, que se apresenta a partir de 39.889€, terá uma carreira difícil, lidando com uma fiscalidade obsoleta, que continua a ter em conta o tamanho do motor em vez de se concentrar nas emissões de gases e partículas. No centro da carga fiscal está um motor de 2,5 litros, a gasolina e atmosférico, que inflaciona o preço em termos de Imposto Sobre Veículos (ISV), com consequências directas no IVA (na tal contabilidade estranha de imposto sobre imposto).
Apesar das agruras fiscais, a Mazda mantém a sua rejeição em reduzir o tamanho dos motores, apostando numa política de “dimensionamento adequado”, que, defende, proporciona uma melhor economia de combustível no mundo real, emissões mais baixas e uma dinâmica de condução superior. Além de potenciar a durabilidade das mecânicas. E, com a terceira geração do C5-X, declara estar a iniciar uma nova fase na Europa, melhorando um modelo que já vendeu em todo o mundo mais de cinco milhões de unidades.
Segundo Klaus Hüllen, director de comunicação da Mazda Europa, esta nova geração representa “a reinterpretação de um familiar”, projectada para responder à crescente procura por versatilidade e eficiência, sem abdicar do design Kodo. O novo SUV cresceu em todas as direcções: mede 4690mm de comprimento, 1860mm de largura, 1695mm de altura e conta com uma distância entre eixos de 2815mm, melhorando o espaço habitável e a estabilidade dinâmica.
A segunda fila recebe portas maiores, com maior ângulo de abertura, e oferece mais espaço para pernas e em altura. A bagageira também apresenta ganhos substanciais, com 583 litros de capacidade (+61 litros face ao antecessor) e 2019 litros com os bancos rebatidos (+381 litros), configurados em proporção 40:20:40. A capacidade de reboque é de duas toneladas.
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A filosofia Kigumi — inspirada na tradição japonesa de montagem por encaixe — está presente em vários elementos estruturais e de acabamento interior, reforçando a sensação de solidez: é fácil perceber o rigor da construção, realizada com a ideia de que este é um automóvel para durar.
O modelo chega ao mercado com sete cores exteriores e jantes de 17 polegadas na versão Prime-Line, ou 19 polegadas nas restantes. Entre os opcionais, destacam-se o tejadilho panorâmico e as luzes ambiente configuráveis, que contribuem para um ambiente mais premium.
Integração tecnológica
A Mazda reforça também a sua aposta na interface homem-máquina (HMI), com um sistema redesenhado para maior naturalidade na interacção. O posto de condução inclui três ecrãs principais: um head-up display (projectado na linha central de visão), um painel de instrumentos digital de 10,25’’ e, no topo da consola, um ecrã táctil central de 12,9’’ ou 15,6’’, dependendo da versão.
O volante multifunções permite gerir as principais funções do veículo sem distrair o condutor, enquanto a integração do Assistente Google e de várias aplicações torna a experiência mais fluida. No futuro, o sistema passará a incluir Gemini, um assistente capaz de compreender comandos naturais, elevando a interacção homem-máquina a um novo patamar.
Nesta senda pela actualização tecnológica, que já era necessária, no entanto, o CX-5 perdeu praticamente todos os botões, o que é de lamentar, já que os comandos físicos ajudam a manter a atenção na estrada.
Motores e dinâmica aprimorada
A motorização baseia-se no bloco 2.5 e-Skyactiv G, naturalmente aspirado e com um pequeno apoio eléctrico de 24 volts, optimizado para oferecer uma resposta imediata e linear entre o comando do acelerador e a aceleração. O motor desenvolve uma potência de 141cv e disponibiliza binário consistente a partir das mil rotações, com o pico de potência alcançado entre as 3500 e as 3750rpm. A função de desactivação de dois cilindros contribui para uma maior eficiência, enquanto a caixa de velocidades recalibrada melhora a progressividade, aponta a marca.
A Mazda introduziu ainda um sistema de travagem “by wire”, que proporciona maior precisão nas respostas e reforça a sensação de controlo. No capítulo dinâmico, foram aplicados amortecedores aprimorados, uma suspensão recalibrada e uma direcção mais directa, medidas que visam equilibrar conforto e comportamento, mantendo o carácter envolvente típico da marca, que pudemos comprovar. O CX-5 é um excelente estradista, realizando viagens longas com um grande conforto. E, não sendo automóvel para curvas apertadas, consegue cumpri-las sem o adornar que poderia ser esperado.
O novo modelo manteve as cinco estrelas Euro NCAP, resultado de um pacote completo de sistemas avançados de assistência à condução (ADAS), incluindo controlo adaptativo de velocidade, alerta de colisão, manutenção de faixa e travagem automática de emergência.
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Um futuro multienergias
A Mazda reconhece que a transição eléctrica ocorre a ritmos distintos consoante o mercado. “A velocidade depende de factores como infra-estrutura e aceitação do cliente”, sublinhou Klaus Hüllen, durante a apresentação internacional do modelo. Por isso, a marca defende uma estratégia multienergias, combinando diferentes tecnologias para oferecer soluções que vê como adequadas a cada perfil de utilizador e região.
O plano de produto europeu divide-se em três fases. A Fase 1 incluiu os actuais MX-30 PHEV e BEV, bem como os CX-60 e CX-80 com tecnologia PHEV e MHEV. Na Fase 2, entre 2026 e 2027, destacam-se as novas propostas 6e e CX-6e, desenvolvidas em conjunto com a chinesa Changan. Já a Fase 3, prevista para entre 2028 e 2030, introduzirá uma nova plataforma eléctrica dedicada, que marcará a plena maturidade da mobilidade eléctrica da Mazda.
Em paralelo, a marca continua a investir em biocombustíveis e e-fuels, desenvolvendo motores de combustão interna cada vez mais limpos, complementados por técnicas avançadas de tratamento de gases de escape e captura de carbono.

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