Líder desportivo condenado por filmar jogadoras no balneário – Observador



Um homem de 31 anos foi condenado a sete meses de prisão com pena suspensa e a uma multa de 1.200 euros pelo Tribunal de Feldkirch, na Áustria, após ter sido considerado culpado de gravar e fotografar cerca de 30 jogadoras no ginásio e nos balneários da equipa de futebol do SCR Altach, clube onde foi dirigente durante os últimos cinco anos. De acordo com o Kronen Zeitung, a decisão judicial determina, ainda, o pagamento de 625 euros de indemnização por danos morais a cada uma das atletas, entre as quais várias menores.

Durante a leitura da sentença, o juiz sublinhou que “a privacidade das atletas é sagrada e deve ser respeitada”, enfatizando a gravidade do ato de filmar sem consentimento. O homem exerceu funções no clube entre 2020 e 2025, sendo simultaneamente árbitro de alto nível na Suíça e dirigente do Altach, circunstância que lhe permitiu acesso às instalações. Segundo a acusação, foram apreendidas 188 imagens e vídeos. Estes ficheiros foram descobertos quando o homem tentou partilhar o conteúdo com amigos. Ficou, porém, provado em tribunal que o material, entretanto destruído, não foi partilhado com terceiros.

Durante o julgamento foi também lida uma declaração conjunta das vítimas. “Somos mulheres, algumas ainda jovens. O que aconteceu tirou-nos o tapete. Durante anos ele disse-nos que o balneário era a nossa casa, mas essa casa foi destruída por alguém que pensávamos que fazia parte desta família”. O arguido dirigiu-se às jogadoras presentes na sala e pediu desculpa.

A decisão do juiz provocou reações. A internacional suíça Eleni Rittmann, antiga jogadora do Altach, questionou a adequação da pena. A defesa de 25 anos afirmou, nas redes sociais, que a violação da privacidade teve consequências duradouras, levando algumas a não se sentirem seguras nem em duches públicos. Para Rittmann, a decisão não transmite um sinal suficientemente forte contra comportamentos desta natureza.

“Isto deixa-me sem palavras. O infrator não era apenas um árbitro de elite na Suíça, mas também um dos dirigente do SCR Altach. E foi aí que filmou jogadoras, incluindo menores. Pergunto-me: será esta uma punição adequada?“, questionou, acrescentando: “Para mim, isto não é um sinal suficientemente forte contra algo que não é tolerado na nossa sociedade”.

Também a ministra do Desporto, Michaela Schmidt, reagiu à decisão judicial, classificando os crimes como “nojentos“. “Se as atletas femininas não estão seguras nem nos seus próprios balneários por causa de um dirigente, então não têm onde se apoiar”, afirmou a ministra do Partido Social-Democrata, citada pelo The Guardian.

O clube, por seu turno, anunciou que deu início a um processo interno para reforçar medidas de proteção e prevenção, em cooperação com a federação austríaca e a confederação desportiva do país, incluindo novos protocolos de segurança nas instalações.

Apesar de o arguido ter aceitado a sentença, a acusação ainda poderá recorrer, pelo que a decisão ainda não não transitou em julgado.





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