Há uma equipa da I Liga portuguesa em que os seus jogos têm menos de 50% de tempo útil de jogo. Segundos os dados oficiais, a média de tempo útil de jogo nos 23 jogos do Casa Pia em 2025-26 está nos 49,43% e, se formos aos números da II Liga, 13 das 18 equipas estão abaixo dos 50% – o Feirense é a equipa do futebol profissional em Portugal com menos tempo útil de jogo, apenas 43,73%. Esta introdução serve para dizer que se perde muito tempo durante um jogo de futebol (e não apenas em Portugal), e é por isso que o International Football Association Board (IFAB) se vai reunir neste sábado, em Gales, para votar medidas que aumentem o tempo útil de jogo.
Como curador das Leis do Jogo, o International Board já “atacou” várias vezes o tempo perdido, mas pretende reforçar essa investida. Entre as mudanças discutidas em Gales está o tempo limite para os jogadores efectuarem lançamentos de linha lateral. Os árbitros passarão a ter a possibilidade de contar cinco segundos sempre que considerarem que o jogador em questão está a demorar muito tempo e com o propósito de retardar o reinício do jogo – se a contagem acabar, a bola muda para as mãos da outra equipa. O mesmo se aplica para os pontapés de baliza – se forem atrasados de forma deliberada, o árbitro assinala a contagem dos cinco segundos e, se chegar ao fim, o adversário ganha um pontapé de canto.
O International Board também está a considerar um tempo-limite para as substituições – dez segundos – e, se este tempo for ultrapassado, a equipa que faz a substituição terá de esperar um minuto até poder fazer entrar o jogador, ficando esse tempo a jogar com menos um jogador. Um minuto também será o tempo que um jogador terá de ficar fora do campo se a sua lesão interromper o jogo – os guarda-redes, que muitas vezes aparecem lesionados sem qualquer razão aparente, não estarão abrangidos por esta alteração.
Mais coisas para o VAR fazer
O International Board não vai apenas “atacar” o tempo perdido. Também se vai votar alterações ao protocolo do videoárbitro (VAR), que serão, na verdade, mais situações em que o VAR pode intervir. A votação estará, por exemplo, a opção de intervir na atribuição errada de um pontapé de canto, uma situação que já gerou muita polémica esta época no futebol português — o que será votado é a possibilidade de cada competição poder escolher se quer alargar o protocolo do VAR aos cantos.
Também será votado o alargamento do protocolo do VAR a situações de segundo cartão amarelo que conduzem a cartão vermelho – o VAR poderá aconselhar o árbitro de campo a rever o segundo amarelo se considerar que esta acção disciplinar foi incorrecta. Ainda em relação aos cartões, será votado para o VAR poder aconselhar em casos de cartões atribuídos ao jogador ou à equipa errada.
Qualquer mudança aprovada na reunião deste sábado passará a fazer parte das Leis do Jogo a partir de 1 de Julho deste ano, mas é expectável que elas possam já ser aplicadas no próximo Mundial de futebol, que decorre entre 11 de Junho e 19 de Julho nos EUA, Canadá e México.

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