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O ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, voltou a criticar, esta sexta-feira, o Tribunal de Contas por “imiscuir-se em funções que são administrativas e políticas”, considerando “uma violação da separação de poderes”.
“Ter um tribunal a imiscuir-se em funções que são administrativas e são políticas, é um tribunal a querer legislar, a querer governar, isto é que é uma violação da separação de poderes que nós não podemos aceitar”, disse o governante no parlamento, no âmbito do debate setorial sobre a reforma do Estado. O ministro já tinha proferido críticas semelhantes esta semana num evento do Banco de Fomento, quando anunciou a revisão da lei do Tribunal de Contas até ao verão.
Em resposta ao líder do Chega, André Ventura, que levantou dúvidas relativamente ao fim do visto prévio, o ministro referiu que não foi o visto prévio que preveniu a corrupção em Portugal e ressalvou que “procedimentos claros, transparentes, rápidos e previsíveis” é que eliminam a mesma.
“Portugal tem graves problemas de corrupção e temos desde as últimas décadas o visto prévio, então é porque não foi o visto prévio a evitar os problemas de corrupção”, afirmou Gonçalo Matias.
“Se nós tivermos procedimentos claros, transparentes, rápidos e previsíveis, aí a corrupção deixa de ter razão de existir, deixa de haver o combustível que leva à corrupção”, acrescentou.
Não obstante, o ministro ressalvou que “qualquer redução em matéria de visto prévio será acompanhada pelo reforço da fiscalização a posteriori“.
O governante afirmou ainda que na Europa só três países é quem têm visto prévio, designadamente Bélgica, Itália e Grécia.
“Nestes três casos, o visto prévio é sempre para valores muito elevados, sempre acima de cinco milhões de euros e apenas para situações de grave interesse nacional, como é a defesa ou como é a segurança pública”, disse.
No mesmo debate, Gonçalo Matias revelou que, em três meses, a Loja de Cidadão Virtual realizou quase meio milhão de atendimentos, oferecendo atualmente 183 serviços.
“A Loja de Cidadão Virtual que nós criámos começou com 150 serviços, tem hoje 183”, apontou o governante, na sua intervenção.
“Realizou quase 500 mil atendimentos. Eu vou repetir: meio milhão de atendimentos que os nossos cidadãos puderam ter na Loja de Cidadão Virtual em apenas três meses”, insistiu o governante.
“Uniformizámos os horários nas lojas com maior pressão, garantimos o atendimento presencial. A AT [Autoridade Tributária], por exemplo, aumentou exponencialmente os seus atendimentos”, “na primeira semana, atendemos mais mil pessoas nas Lojas do Cidadão”, prosseguiu.
No início deste mês, a Loja de Cidadão Virtual tinha realizado cerca de 400.000 atendimentos, segundo dados da tutela.
O ministro enfatizou ainda que “Portugal passou do 11.º lugar para o 3.º lugar do índice da OCDE em governo digital”.
Quanto à resposta do Governo perante as intempéries, Gonçalo Matias considerou que “nunca como este caso o Estado teve tão rápida capacidade de resposta”.
Aos deputados, o ministro da Reforma do Estado sublinhou que veio resolver os problemas das pessoas e não estudar, porque já o fez “muito na vida”, rejeitando que haja propaganda nisso.
“Não há propaganda, não há nada disso”, mas antes “resposta aos problemas das pessoas”, prosseguiu o governante.
“Senhor deputado, sabe por que é que eu vim resolver os problemas das pessoas e não vim estudar? Porque eu já estudei muito na vida”, justificou Gonçalo Matias, o que gerou burburinho na bancada da esquerda.
“Deixe-me dar-lhe o exemplo da FCT e da ANI”, porque o “senhor deputado o trouxe”, continuou, perante o burburinho, o que levou o governante a dizer que se fosse permitido responderia sobre isso.
“Há muitos anos que tanto eu como o ministro [da Educação] Fernando Alexandre defendemos a fusão destas duas entidades, por uma razão”, acrescentou, apontando que “Portugal tem uma baixa taxa de transferência de conhecimento entre a investigação e as empresas”.
Porque “Portugal tem uma baixíssima taxa de conversão de patentes, porque Portugal, naqueles casos em que envolveu a academia e as empresas, prosperou, como no caso da Bosch do Minho e muitos outros casos”, argumentou Gonçalo Matias.
Nesse sentido, “era fundamental esta transferência de conhecimento, era fundamental esta fusão” e o “que está a ser estudado, senhor deputado, não é isso”.
O ministro explicou que o que “está em causa é a monitorização da reforma que vai ser feita pela OCDE, por uma entidade independente e internacional”.
“É isso que está em causa e aquilo que o senhor deputado mostra e aqui deixa é claramente o exemplo de como o PS deixou a governação depois de oito anos” de governação, o que gerou protestos da bancada do PS.
A dada altura do debate, a vice-presidente Teresa Morais teve de intervir para que o ministro pudesse falar sem interrupções.
“Eu não tenho uma direção-geral, eu não tenho departamentos, eu tenho um grupo de trabalho que foi criado pelo Partido Socialista e para o qual nomeei oito pessoas”, disse o ministro.
“Se eu não puder trabalhar com oito pessoas para reformar o Estado, assumam que não querem reforma nenhuma”, rematou.

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