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As pessoas não são números. E, por maioria de razões, ainda menos as vítimas do mau tempo em Portugal, de quem o Pedro Jorge Castro, diretor adjunto do Observador, quis contar as histórias inesquecíveis de vida que a tempestade levou. Mas a verdade é que uma parte das dificuldades do Pedro passou, precisamente, pelos números.
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Primeiro porque, infelizmente, esses números não pararam de aumentar. O Pedro Jorge Castro sugeriu contar a vida dos mortos no temporal numa grande reportagem logo no dia 2 de fevereiro, cinco dias depois da tempestade Kristin. Nessa altura tinham morrido cinco pessoas na quarta-feira, dia 28, depois da madrugada marcada por ventos superiores a 200 km/h. E mais três no fim de semana. Mas continuou a morrer gente nos dias seguintes, pelo que o que era para ser um trabalho sobre oito pessoas acabou por ser um trabalho sobre 15.
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Depois porque, mesmo sobre esses 15, ainda havia — e há — um grande enigma. Ninguém coincide nos números: afinal, quantos mortos há na sequência do mau tempo? A Proteção Civil parou a contagem nesses 15. Sobre o casal de Montemor-o-Velho, por exemplo, encontrado morto dentro do carro afundado, remete as informações para a GNR, que está a investigar o caso, por não poder excluir que tenha havido um acidente de viação. E passou também a encaminhar para o SNS as informações sobre pessoas que tenham morrido no hospital na sequência de quedas — e são algumas. Há ainda uma morte na Marinha Grande referida em várias listas por equívoco. Como o SNS não respondeu a tempo sobre quantas pessoas morreram nos hospitais, houve que definir um critério: valeu a informação oficial da Proteção Civil.
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Uma reportagem sobre pessoas que morreram numa tragédia tão recente, e ainda com tantas marcas no terreno, exigiu muita sensibilidade. Saber lidar com as emoções. Respeitar o luto. O Pedro criou um modelo semelhante para explicar às pessoas o que estava a fazer, com várias particularidades: dar os sentimentos, se fosse um familiar ou amigo da vítima; explicar que estava a preparar um artigo alargado, centrado na vida das vítimas do mau tempo, que cada vítima era mais do que um número (lá está), que tinha uma história que devia ser contada e lembrada; deixar claro que compreendia perfeitamente se não quisessem falar ou não quisessem que o seu nome aparecesse, porque não queria perturbar o luto; pedir indicação de amigos que a tivessem conhecido bem.
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Para chegar às identidades foi preciso cruzar a lista da Proteção Civil com informações de agências funerárias, bombeiros, presidentes de juntas de freguesia e paróquias. Além de pesquisas nas redes sociais, o Pedro fez também uma análise aos comentários dos posts das funerárias, que muitas vezes davam pistas sobre histórias interessantes ou sobre amigos e familiares mais chegados — agora o algoritmo encheu-o de funerárias nas redes, que lhe aparecem com grande frequência no feed. Um pouco assustador.
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O diretor adjunto do Observador pedia também a pessoas próximas das famílias que as abordassem primeiro. Assim, não eram surpreendidas de repente por um contacto de um desconhecido e sentiam-se mais à vontade para dizer que não queriam participar. Teve várias recusas, algumas de pessoas que não se sentiam em condições de falar. Uma viúva disse-lhe mesmo que não iria dizer nada porque isso não lhe traria o marido de volta. Ele respeitou, claro. Mas sentiu sempre o dever de dar conhecimento de que estava a fazer o artigo.
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A pessoa mais difícil de encontrar, afinal, até era a mais conhecida: a holandesa Janna, de 84 anos, de quem não aparecia qualquer referência na internet. O Pedro foi a Silves, onde o carro dela foi apanhado pela subida das águas. Indicaram-lhe a casa. Não estava ninguém. E ele deixou um bilhete, um papelinho, num carro. Ligaram-lhe no dia seguinte e depois percebeu por que razão não tinha encontrado nada sobre ela: Janna era uma estilista que usava um pseudónimo. E não faltavam referências a desfiles que organizou com objetivos solidários.
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Não são números. São 15 histórias de vidas incríveis que a tempestade levou. E que o Pedro contou neste interativo, com design gráfico do Miguel Feraso Cabral, em que podemos ver os que morreram derrubados pela força da tempestade; os que morreram quando tentavam reparar os telhados; os que morreram na água; os que morreram junto aos geradores; e o homem que morreu a tentar devolver a luz a Leiria.
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Reportagem
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Um casamento combinado. Um campeão do azeite. Um aventureiro extravagante. Um avô no baloiço. Uma vigilante fura-vidas. Um herói medalhado. Sabemos como morreram. Vamos desvendar como viveram.
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Governo
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Estilo de Seguro agrada a Montenegro, apesar ainda estarem a medir forças. O histórico é de confronto político, mas sem rancores. Os dois querem legislatura até 2029. Discrição é apreciada por ambos.
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António José Seguro
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Presidente eleito já tinha fundado empresa com o irmão de Brilhante Dias em 2023. Seguro divide quotas das empresas familiares entre os dois filhos. Filha mais velha assume gerência de empresa de AL.
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Partido Chega
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Chega festejou 137 vereadores e sete já deixaram o partido, dois deles promovendo maiorias absolutas. Há acordos em alguns locais do país, independentes a fazerem a diferença e contratações polémicas.
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Parlamento
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Faltam juízes, lugares no Conselho do Estado ou na Provedoria de Justiça porque partidos não se entendem. Chega quis marcar território. PS tem saudades de decidir com PSD mas admite acordo a três.
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Parlamento
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PSD não quer retomar negociações sobre a Lei da Nacionalidade (e muito menos aprovar nova versão da lei) antes da posse do novo Presidente. Não quer colocar Seguro (e diploma) em posição “cinzenta”.
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Ministério Administração Interna
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O “sempre polícia” Luís Neves assumiu a honra, “com um brilhozinho nos olhos”, de passar o primeiro dia (público) como MAI com a PSP — mas deixou alertas. A crítica de Passos? “É saudável”.
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Ministério da Educação
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Silêncio do Ministério da Educação — que não diz como vai reorganizar os ciclos — é criticado por pais e professores. Em março será discutida no Parlamento uma recomendação do Conselho de Educação.
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Hospitais
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Mais de metade dos doentes aguardava, em 2025, cirurgia cardíaca fora do tempo recomendado. Responsáveis de Santa Maria, Coimbra e Gaia rejeitam, em carta aberta, abertura de novos centros.
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Governo
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Antigo primeiro-ministro voltou a aparecer e voltou a exigir a Montenegro espírito reformista e coragem para mudar, sugerindo que o Governo está a ficar sem tempo para mostrar o que vale.
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Pedro Passos Coelho
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Relvas, antigo braço direito de Passos, aconselha os espíritos mais inquietos a terem calma nas reações ao antigo PM. Ninguém sabe o que o move, mas a redoma que protegia a imagem do PSD partiu-se.
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Vichyssoise
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Em entrevista, antigo governante diz que Passos sabe que Chega não tem “maturidade” para reformas de fundo, acredita que Carneiro vai manter estabilidade e fala do “assassinato de caráter” de Mendes.
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Operação Marquês
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Tribunais portugueses e europeus já validaram que a nomeação de um defensor oficioso não viola os direitos de defesa. Jurisprudência mostra como juízes podem travar expedientes dilatórios.
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Operação Marquês
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Advogados, juízes e procuradores refletem sobre impasse no julgamento: sanção de eventuais abusos de direito e o exercício mais assertivo do poder da juíza são apontados como possíveis soluções.
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Inundações
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Plano Mondego Mais Seguro de 2020 previa a conclusão do sistema hidráulico, mas nem todas as intervenções foram feitas. Entre elas a regularização do rio que inunda a Linha do Norte.
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Martim Moniz
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Numa zona associada ao tráfico de droga, três pessoas foram atingidas por tiros disparados a partir de um carro. Moradores sobressaltados voltam a pedir mais polícias na rua.
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Prisão
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Faz um ano que foram capturados os dois últimos fugitivos. Demora no julgamento “é normal”, dizem advogados. Já guardas prisionais lamentam: “Não aprendemos nada com a fuga e nada mudou nas cadeias”.
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Saúde
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Não é um fenómeno recente, mas voltou a aparecer no início deste ano em vários países da Europa. Em Portugal, médicos alertam para aumento das intoxicações, mas não conseguem fazer ligação ao desafio.
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Paquistão
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Paquistão começou ofensiva contra Afeganistão, acusando talibã de apoiarem terroristas e de terem transformado o país em “colónia da Índia”. “Escalada é progressiva” e solução diplomática está longe.
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Estados Unidos da América
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Trump definiu economia como prioridade, mas não cedeu nas políticas de imigração e deixou várias questões sobre política externa por responder. De fora, ficaram todas as referências a Epstein.
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Caso Epstein
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Divulgação de milhares de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA revela rede de contactos entre Epstein e elites globais, levando a detenções, demissões, afastamentos e pedidos de desculpa.
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México
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México vive onda de violência após El Mencho, líder do poderoso cartel CJNG, ter morrido numa operação militar. Estrutura criminosa traficava droga e estava em mais de 40 países. Sucessão é incógnita.
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Liga dos Campeões
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Há dez anos, o Bodö/Glimt vivia mais uma temporada na Segunda Divisão. Knutsen chegou e mudou um clube que atravessou desigualdades e problemas financeiros para se afirmar na Noruega e… na Europa.
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Futebol
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Pedro Proença apresentou Plano Estratégico da FPF a 12 anos até 2036, com um total de 366 medidas distribuídas por dez eixos estratégicos que visam vários planos à luz das forças de mudança do futuro.
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Livros
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“Horas Azuis” é a estreia que foge da auto-ficção, não do romance pessoal. Diz-se tão brasileira quanto americana e em entrevista fala dos desafios criativos particulares e do medo de uma comunidade.
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Música
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O produtor e DJ português atua esta sexta-feira, dia 27, no Campo Pequeno, em Lisboa. Em entrevista, recorda como fez um percurso de sucesso e aponta objetivos para o futuro.
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Cinema
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A música, a maturidade na realização e o génio de Ethan Hawke, nomeado para um Óscar: entrevistámos o americano sobre o filme que incide na vida do compositor Lorenz Hart e que (só) agora se estreia.
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Séries
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Um dia de sol pós-temporal, passado num cinema a ver trailers e primeiras imagens de novas produções que ainda estão por estrear? Claro que sim. Susana Verde alinhou com gosto e deu notas de 1 a 10.
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Antes de entrar na política, Reagan percorreu 25 estados dos EUA a fazer discursos e apertou a mão a 200 mil pessoas, com quem partilhou a sua visão da América. Faz lembrar Passos Coelho, não faz?
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Pedro Passos Coelho é, que se veja, a única esperança em “federar” uma direita (?) cuja imensa representação parlamentar é inconsequente.
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Nestes tempos de ânimos extremados, vai-se tornando cada vez mais evidente que, afinal, a estupidez não é um exclusivo da Direita, e pode ser fatal.
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Sempre que há uma crise a Europa anuncia que acordou e que “agora é que é”. Desta vez o mote é “contra Trump, marchar, marchar”. Por regra nada acontece pois a UE é mais burocrática do que democrática
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