O pintor angolano Blackson faz sua primeira exposição individual em Lisboa | Artes plásticas


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O artista plástico angolano Blackson fará sua estreia em Lisboa em uma exposição individual. A abertura da mostra Ascender acontece na sexta-feira, 20 de março, a partir das 18h, na Galeria Verso, situada no charmoso bairro do Campo de Ourique, em Lisboa.

Segundo o curador da exposição, Filipe Campello, Ascender apresenta um conjunto inédito de pinturas e uma vídeo-instalação que aprofundam a pesquisa de Blackson sobre o corpo negro enquanto espaço de experiência, memória e projeção. “Mais do que um tema, o corpo surge como elemento estruturante da sua prática, articulando dimensões de presença, vulnerabilidade e afirmação”, descreve.

A mostra individual do angolano na capital portuguesa ocorre após participação na feira ART.PE, no Recife, Pernambuco, na qual ele era o único artista de fora do Brasil, e a residência artística na Fundação Montresso, em Marrakesh, Marrocos, cujos trabalhos foram apresentados posteriormente na exposição coletiva Diáspora do Tambor.

Corpo negro

Blackson deixou Angola aos 8 anos de idade, vivendo, desde então, em Portugal. Ele estudou pintura em Budapeste (2009–2012) e arquitetura em Lisboa (2012), cidade onde atualmente vive e trabalha. A sua prática articula pintura, instalação e experimentação com materiais como o azulejo, desenvolvendo uma pesquisa continuada sobre corpo, espaço e simbolização.

As obras de Blackson refletem pesquisas sobre o corpo negro no passado e no presente
Ira Lippke

“Da primeira vez que me deparei com as obras do Blackson, fiquei muito impressionado, porque ele trazia um imaginário, um conjunto de referências visuais que apontavam para um lugar de muita paz, de muita leveza”, afirma Campello, um dos fundadores da Verso. “E acho que a arte, no fim das contas, é isso, trazer outras referências, outras linguagens que não estão tão claras ou disponíveis no presente, mas que apontam para um futuro que pode ser diferente”, acrescenta.

Na avaliação do curador, “Blackson desenvolve a sua arte a partir da experiência de um corpo negro, sem negar o passado de violência, mas que elabora esse passado a partir de uma outra dimensão, um outro lugar desse corpo”. Ele complementa que, depois de conhecer o ateliê do artista, a conexão entre eles foi imediata. “Ficamos muito conectados. Foi muito bom ouvir Blackson, saber da experiência dele como imigrante em Portugal.”

Peso histórico

Para o curador, nas obras que serão expostas ao público, Blackson faz com que as cores organizem o campo pictórico por meio de tensões e equilíbrios que sugerem movimento e transformação. E detalha que “o título da exposição remete para essa dinâmica, propondo uma reflexão sobre a possibilidade de deslocar o peso histórico das experiências inscritas no corpo para novas formas de imaginação e construção simbólica”. Mais: os elementos recorrentes, como a maçã, introduzem referências ao cuidado e à regeneração, construindo outros horizontes de possibilidade atravessados por afetos compartilhados.

Campello destaca, ainda, que a exposição de Blackson, que tem se inspirado em Martin Luther King — defensor dos direitos civis que foi assassinado em 1968 nos Estados Unidos —, integra uma linha curatorial dedicada à ativação de diálogos transatlânticos, com atenção particular às circulações culturais no espaço da língua portuguesa.

“Ao aproximar experiências provenientes de Angola, Portugal e Brasil, a galeria propõe formas de encontro que ultrapassam o eixo centro-periferia e investem na construção de redes de colaboração e reconhecimento”, frisa.

Ele assinala que a Verso, que acaba de completar um ano e dentro de uma perspectiva global e um olhar atento à diversidade, integra artistas de diferentes partes do mundo que, em comum, compartilham sua passagem por Lisboa, possibilitando a inserção de sua prática no circuito internacional e ampliando sua visibilidade para colecionadores, curadores e instituições europeias.



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