
A procura dos portugueses por viagens na Páscoa mantém-se globalmente estável face a 2025, com sinais pontuais de crescimento, a preços mais altos e numa conjuntura de prudência que, ainda assim, não travaram a vontade de viajar.
Os portugueses optam por destinos de sol e praia, como Cabo Verde, Caraíbas e Brasil, mas as férias também são aproveitadas para fazer outro tipo de viagens, na Europa ou mais longas e diferenciadoras, como Japão, Austrália e Peru.
Operadores turísticos e agências de viagens contactadas pela agência Lusa apontam que o desempenho das vendas está, em termos gerais, alinhado com 2025, ainda que com dinâmicas distintas.
“O volume de vendas para o período da Páscoa encontra-se globalmente em linha” com 2025, disse o diretor-geral de Vendas da Agência Abreu, Pedro Quintela, à Lusa.
Cenário de estabilidade idêntico vive o operador Lusanova. “As reservas para a Páscoa estão a decorrer dentro da normalidade, em linha com os anos passados. Não estamos a registar alterações significativas no comportamento da procura. Há destinos com maiores crescimentos do que outros, mas, no cômputo geral, a procura mantém-se equilibrada”, diz o diretor operacional, Tiago Encarnação.
A Solférias aponta para um crescimento moderado, mas condicionado pelos fatores externos. “Até ao momento registámos para o período da Páscoa um acréscimo de 7% face a 2025, tendo as vendas sentido um decréscimo face ao espectável, devido a cancelamentos de reservas para destinos afetados pela guerra do Médio Oriente”, admite a ‘Chief Operating Officer’ (responsável de operações), Sónia Regateiro, à Lusa.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”. Em resposta, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também atingiram Chipre, Azerbaijão e Turquia.
O sentimento de prudência é também notado pela Pinto Lopes Viagens. “As reservas para a Páscoa estão a evoluir de forma positiva. Nas últimas semanas, o contexto internacional trouxe alguma prudência adicional por parte dos clientes, o que é natural, sobretudo no caso de viagens para regiões mais próximas de zonas de instabilidade. Ainda assim, continuamos a sentir interesse pela nossa oferta e temos acompanhado os clientes com total proximidade, apresentando alternativas seguras e atrativas,” disse o seu presidente executivo.
O Japão tem estado no topo das preferências dos portugueses
Lusanova
Rui Pinto Lopes antecipa um saldo semelhante ao do ano anterior. “Nesta fase, a nossa expectativa é que a operação da Páscoa fique em linha com a de 2025. O calendário do ano passado tinha características particularmente favoráveis, o que naturalmente influenciou a procura, mas, mesmo num contexto diferente, continuamos a registar uma procura consistente. Mais do que falar em crescimento ou quebra, diríamos que o mercado está hoje mais cauteloso e mais atento ao enquadramento internacional no momento de decidir”, acrescentou o CEO.
A Lusanova lembra ainda que “esta época é muito marcada pela procura de última hora”, defendendo ser “cedo para quantificar” desempenhos, mas que registam “um ligeiro crescimento” face a 2025.
Preços mais elevados
Já os preços foram atualizados, mas apontam intensidades distintas. “De uma forma geral, os preços não apresentam diferenças muito significativas face ao ano passado, registando ajustamentos em linha com a inflação. Ainda assim, e à semelhança do que já se verificou no último ano, a subida de preços não tem travado a procura, refletindo a forte vontade dos portugueses em viajar”, refere Pedro Quintela.
Sónia Regateiro diz que “os preços estão mais elevados, dado o aumento geral de inflação dos serviços aéreos e hoteleiros e recentemente fruto do aumento de taxas de ‘fuel’ por parte das companhias aéreas”.
Também a Pinto Lopes Viagens aponta fatores externos como determinantes, já que trabalha, sobretudo, com o mercado internacional e, “nesse enquadramento, os preços continuam condicionados por vários fatores externos, nomeadamente a evolução das taxas de câmbio”.
Assim, admite que “pode verificar-se alguma pressão, sobretudo ao nível das taxas de combustível aplicadas pelas companhias aéreas, que poderá também refletir-se noutros meios de transporte (…)”.
A Lusonova reconhece que a tendência global é essa, de “uma subida de preços”, mas frisa que “depende dos destinos”.
Destinos de sol e viagens longas entre as preferências
Os portugueses mantêm a preferência por destinos de sol e praia, como Cabo Verde, Caraíbas e Brasil, nesta Páscoa, mas as férias também são aproveitadas para fazer outras viagens.
Operadores turísticos e agências de viagens apontam também a procura pelas ilhas portuguesas, circuitos culturais na Europa e viagens intercontinentais a destinos como Japão, Austrália e Peru, refletindo uma diversidade crescente nas escolhas de férias.
Na Solférias, o ‘Top’ 5 do operador turístico é “Cabo Verde, Disneyland Paris, Brasil, Senegal e Tunísia”. Alguns destes destinos são confirmados pelo diretor geral de vendas da Agência Abreu.
“Neste período, destacam-se os destinos de sol e praia, com as Caraíbas e Cabo Verde no topo das preferências dos portugueses. Tunísia, Ilhas espanholas, ilhas portuguesas e Disney são também bastante procurados, na medida que combinam proximidade, diversidade de experiências e segurança”, afirma Pedro Quintela.
Nos circuitos e grandes viagens, o responsável da Abreu diz que continua a verificar-se “uma procura consistente por programas organizados, refletindo o interesse dos portugueses por experiências mais completas e diferenciadoras (…)”, reforça.
A Lusanova destaca em Portugal os Açores e a Madeira, mas diz que, no Continente, “existe um nicho relevante” que procura os circuitos do operador de “dois a três dias, sobretudo os que combinam o norte de Portugal com Santiago de Compostela, em Espanha”, afirma o diretor operacional.
“Na Europa – que continua a concentrar a maior procura nesta altura do ano – destacam-se a Itália, Benelux, Reino Unido e Irlanda, Islândia, Grécia, bem como os Balcãs, com destaque para a Croácia e a Albânia. Fora da Europa, Marrocos e Egito continuam a ser destinos procurados pelo turista português, sendo que, no caso deste último, a procura abrandou ligeiramente nos últimos dias. Japão, Argentina e Chile mantêm-se em tendência desde o ano passado, enquanto o Brasil e o Peru registam o maior crescimento”, sublinhou ainda Tiago Encarnação.
À semelhança do que aconteceu para o final de ano, a Pinto Lopes Viagens confirma “o peso crescente das viagens diferenciadoras” nas suas vendas.
“Na oferta da Pinto Lopes Viagens, especializada em viagens culturais em grupo e de autor, os portugueses continuam a aproveitar a pausa da Páscoa para fazer viagens mais longas e diferenciadoras, nomeadamente para destinos intercontinentais como o Japão, a Austrália, o Brasil ou o Peru”, refere o presidente executivo (CEO).
Rui Pinto Lopes acrescenta que, “em simultâneo, esta é também uma época do ano particularmente forte para destinos europeus”, com destaque para a Croácia, o sul de Itália, a Europa Central, a Islândia e a Suíça.
Em Portugal, e porque “a Páscoa continua a afirmar-se como um período muito relevante, tanto para viagens de maior distância como para circuitos culturais mais próximos”, a Pinto Lopes lançou este ano duas propostas centradas nas celebrações da Semana Santa e na valorização do património e das tradições locais — a Semana Santa no Ribatejo e Alentejo e a Semana Santa Transmontana.

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