PSD, CDS-PP, Iniciativa Liberal (IL) e Chega reagiram nesta segunda-feira ao ataque com um engenho incendiário na Marcha pela Vida, em Lisboa, com críticas ao extremismo político. Foram também apresentadas iniciativas no Parlamento, incluindo um pedido do PSD para ouvir com urgência o ministro da Administração Interna.
O incidente ocorreu no sábado à tarde, no final da manifestação, quando um homem de 39 anos atirou um objecto incendiário, do tipo cocktail-molotov, contendo gasolina, na direcção dos cerca de 500 participantes, entre os quais crianças e bebés. O engenho não deflagrou, mas atingiu o solo junto de manifestantes, tendo algumas pessoas sido atingidas pelo líquido inflamável. Além do suspeito, que foi detido no local pela PSP, foram identificados mais tarde, noutra rua, três indivíduos associados a um “grupo alegadamente de conotação anarquista”.
Perante o caso, o PSD pediu uma audição parlamentar urgente do ministro da Administração Interna, Luís Neves, para “apurar os factos”, considerando tratar-se de um “preocupante sinal de degradação e radicalização do debate público”. Num requerimento entregue na Assembleia da República, os sociais-democratas condenam o ataque e entendem que, “independentemente das convicções pessoais de cada um, e que motivaram os presentes a sair à rua em manifestação das suas ideias, o inusitado ataque que se seguiu não é compatível com uma sociedade livre e democrática, que se pretende plural e respeitadora da diferença”.
O PSD destaca que a “liberdade de expressão e de manifestação, enquanto direitos inalienáveis do Estado de direito democrático, têm de estar disponíveis para todas as opiniões” e alerta que a polarização do discurso político “semeia o ódio e a intolerância, incompatíveis com uma sociedade democrática e plural”. O partido elogiou ainda a actuação da PSP e a resposta do ministro, que condenou o episódio.
Ataque “vil e desprezível”
O CDS-PP anunciou a entrega no Parlamento de um voto de condenação ao “ataque extremista e criminoso contra famílias” na Marcha pela Vida. Na sessão de abertura das jornadas parlamentares do partido, que decorre até esta terça-feira na Assembleia da República, Paulo Núncio classificou o episódio como “vil e desprezível” e destacou que só não houve vítimas graves porque o engenho não rebentou.
“E agora iremos ver aqueles que condenam a violência em todas as circunstâncias e aqueles que preferem ignorar a violência sempre que lhes é conveniente”, afirmou o líder parlamentar do CDS. O dirigente centrista criticou ainda o que considerou ser a falta de destaque mediático do caso e afirmou que, “se um homem de 39 anos tivesse lançado um cocktail–molotov para uma marcha trans, acompanhada por deputados da esquerda e da extrema-esquerda, há três dias que estas notícias abriam os telejornais de todas as televisões”. Por fim, defendeu que “o ódio, o radicalismo e a violência política” devem ser condenados “de igual forma, venham de onde vierem”, rejeitando “dois pesos e duas medidas”.
A líder da IL, Mariana Leitão, num vídeo publicado nas redes sociais, considerou que o ataque poderia ter resultado numa “enorme tragédia” e afirmou ser “absolutamente condenável e inaceitável” qualquer forma de violência contra manifestações pacíficas.
“Deixem-me ser muito clara: é absolutamente condenável e inaceitável qualquer tipo de violência exercida sobre pessoas que estão apenas a expressar a sua opinião política, seja ela qual for, concordemos com ela ou não. Pessoas que se manifestam pacificamente não podem ver a sua integridade física ameaçada em momento algum”, afirmou. Mariana Leitão condenou veementemente o ataque, que “não só coloca vidas em risco, como contribui para a radicalização, para o reforço dos extremos, não tendo qualquer lugar numa sociedade democrática”.
Depois deste episódio, o Chega pediu ao Governo para promover, junto da União Europeia e da Organização das Nações Unidas, a classificação do movimento Antifa (diminutivo de antifascista) como organização terrorista. O partido argumenta que se trata de “uma rede internacional descentralizada de grupos de matriz ideológica radical, com presença em diversos países, incluindo Portugal”, associado a “práticas de violência, intimidação e destruição de propriedade, bem como a acções organizadas que colocam em causa a estabilidade institucional” e defende o reforço de monitorização e prevenção em Portugal, envolvendo forças de segurança e serviços de informação.

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