O embaixador israelita nas Nações Unidas, Danny Danon, escreveu na rede social que Israel não se esquivará a discussões políticas na reunião urgente convocada após o país ter reconhecido oficialmente na sexta-feira a Somalilândia, região separatista da Somália, como um “Estado independente e soberano”.

Com um território de 175.000 quilómetros quadrados, situado no extremo noroeste da Somália, a Somalilândia declarou unilateralmente a independência em 1991. Desde então, funciona de forma autónoma, com moeda, exército e polícia próprios, e distingue-se pela relativa estabilidade em comparação com a Somália.

Embora mantenha contactos diplomáticos com diversos países, nenhum Estado-membro das Nações Unidas reconhecia a sua existência como país independente.

Israel foi, assim, o primeiro país da ONU a reconhecer a República da Somalilândia, uma decisão que provocou a condenação internacional, especialmente de África, do mundo árabe e da China. “Israel continuará a agir de forma responsável e discreta para reforçar a cooperação com os parceiros que contribuem para a estabilidade regional”, afirmou o embaixador israelita na ONU. Na explicação da decisão, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu argumentou que a decisão acontece no “espírito dos Acordos de Abraão” de normalização das relações com os países árabes.

O Governo somali, por outro lado, disse que “rejeita categórica e inequivocamente o ataque deliberado à sua soberania e a tentativa ilegal de Israel de reivindicar o reconhecimento da região norte da Somália”, realçando que a Somalilândia é parte “integral, inseparável e inalienável” da República Federal da Somália.

UE defende integridade territorial da Somália

A União Europeia (UE) defendeu o respeito pela soberania e integridade territorial da Somália e apelou ao diálogo, após Israel ter reconhecido a região separatista de Somalilândia como Estado soberano.

Numa nota publicada no sua página oficial, o Serviço Europeu para a Ação Externa sublinha a importância do “respeito pela unidade, soberania e integridade territorial da República Federal da Somália, em conformidade com a sua Constituição, as Cartas da União Africana e das Nações Unidas”.

Defendendo tratar-se de um princípio fundamental da paz e estabilidade na região, Bruxelas apela ao diálogo entre a Somalilândia e o Governo Federal da Somália “para resolver divergências de longa data”.

Trump admite estudar a ideia

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantiu numa declaração hesitante que não se juntará ao reconhecimento da independência do estado separatista somali da Somalilândia, mas vai “estudar” a ideia.

Quando questionado sobre o assunto pelo jornal New York Post, o inquilino da Casa Branca afirmou: “Digam simplesmente: ‘Não, vírgula, não neste…'”, para rapidamente matizar as palavras e indicar: “Digam simplesmente: ‘Não'”.

O Presidente norte-americano classificou como “pouca coisa” a disponibilidade Somalilândia de entregar aos norte-americanos um porto militar no litoral do país. “Alguém sabe realmente o que é a Somalilândia?”, perguntou. Não obstante, não fechou totalmente a porta ao reconhecimento do território noutro momento e comprometeu-se a estudar a questão. “Vamos estudá-la. Estudo muito e tomo sempre boas decisões, que se revelam acertadas”, afirmou.

Palestina diz que Israel pode estar à procura de destino para os palestinianos

O Ministério dos Negócios Estrangeiros palestiniano afirmou, por sua vez, que o reconhecimento israelita “menospreza a soberania da Somália” e alertou que Israel poderá estar a tentar encontrar um destino para expulsar os palestinianos, recordando as conversas secretas com autoridades africanas sobre a deslocação da população de Gaza.

O Governo da Somália condenou e rejeitou prontamente o reconhecimento por parte de Israel da independência da Somalilândia, seguindo-se críticas da Liga Árabe, União Africana e Autoridade Intergovernamental sobre Desenvolvimento, e também do grupo armado Al-Shabaab, ligado à Al-Qaeda, Palestina, Hamas e China.

“[O Al-Shabaab] rejeita a ambição israelita de reivindicar ou utilizar partes dos nossos territórios. Não aceitaremos isso e lutaremos contra isso, se Deus quiser”, afirmou o seu porta-voz, Ali Dheere, em comunicado. “É uma humilhação da mais alta ordem ver hoje alguns somalis a celebrar o reconhecimento pelo primeiro-ministro israelita Netanyahu“, quando Israel é “o maior inimigo da sociedade islâmica”, continuou.

A China reiterou o seu apoio à unidade do país africano. Em comunicado, a embaixada da China na Somália afirmou que o seu embaixador, Wang Yu, teve uma “conversa urgente” com o ministro somali dos Negócios Estrangeiros, Abdisalam Ali, sublinhando o “firme apoio de Pequim à soberania, à unidade nacional e à integridade territorial da Somália” e a oposição conjunta ao separatismo.

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