Depois do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, será o próximo líder estrangeiro a ser recebido por Donald Trump em Mar-a-Lago, na Florida, onde o Presidente dos Estados Unidos está a passar as suas férias de Natal e Ano Novo.

Netanyahu deixou Israel este domingo, sem prestar declarações à imprensa e sem se fazer acompanhar por jornalistas, algo que o Times of Israel diz ser raro. As conversações com Trump estão agendadas para segunda-feira e, segundo o jornal israelita, a aplicação da segunda fase do acordo de paz para Gaza e o aumento das tensões com o Irão e o Hezbollah serão os temas centrais do encontro.

Os Estados Unidos pretendem avançar para a segunda fase do cessar‑fogo em Gaza, que prevê a criação de uma espécie de executivo tecnocrático palestiniano, supervisionado por um conselho de paz presidido por Donald Trump, e com o apoio no terreno de uma força internacional de estabilização, à medida que Israel vai retirando tropas do enclave.

Esta fase também pressupõe que o Hamas entregue as armas.

Nem Israel nem o Hamas assinaram formalmente esta fase do acordo de cessar-fogo e as acusações mútuas de violação da primeira fase continuam a ouvir-se dos dois lados, já que o Hamas ainda não devolveu o corpo de um dos reféns (o sargento‑mor Ran Gvili) e Israel recusa abrir a passagem de Rafah nos dois sentidos, permitindo apenas a saída de pessoas de Gaza para o Egipto.

Na sexta-feira, o site Axios noticiou que várias figuras proeminentes do staff de Donald Trump estão convencidas de que Netanyahu está a atrasar a execução do processo de paz e temem mesmo o reinício dos confrontos com o Hamas.

Um responsável israelita sob anonimato disse ao site norte-americano que, embora o primeiro-ministro de Israel esteja numa espécie de braço de ferro com os representantes da Casa Branca, tem esperança de conseguir puxar Donald Trump para o seu lado.

Em causa estão, segundo este responsável israelita, o vice-Presidente, J.D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, que já terão perdido a paciência com “Bibi”.

O Axios refere ainda que Donald Trump tem planeados grandes anúncios sobre Gaza para o mês de Janeiro, mas que a sua concretização está dependente da reunião com Netanyahu em Mar-a-Lago.

Trump, que ainda em Novembro enviou uma carta ao Presidente israelita, Isaac Herzog, a pedir-lhe que considerasse conceder um perdão a Benjamin Netanyahu, que tem diversas acusações por corrupção, vai receber o primeiro-ministro de Israel pela quinta vez em dez meses.

Ao longo destes meses, tem ignorado quer os continuados ataques a civis em Gaza, onde a chuva e o frio continuam a atormentar milhares de pessoas que vivem em tendas, quer o aumento da violência sobre as populações palestinianas na Cisjordânia.

Mas, apesar da grande proximidade, nem sempre os dois líderes tiveram em perfeita sintonia, como no caso do levantamento das sanções norte-americanas à Síria, apesar do desagrado israelita, recorda a Al-Jazeera.

Na semana passada, Marco Rubio afirmou que a Administração Trump tem como prioridade completar a primeira fase do acordo de cessar-fogo em Gaza e passar à seguinte, que permita a estabilização e reconstrução do enclave palestiniano, algo em que Trump, com o seu genro Jared Kushner e o seu enviado especial Steve Witkoff, ambos com investimento na área do imobiliário, se tem mostrado bastante empenhado.

A Al-Jazeera também nota que Rubio sugeriu que poderia haver alguma flexibilidade no que diz respeito ao desarmamento do Hamas, afirmando que o “objectivo básico” será garantir que o grupo não represente uma ameaça para Israel, em vez de exigir a retirada das armas de todos os combatentes.

Já Israel parece ter outras prioridades. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou esta semana que o país quer manter uma presença militar permanente no enclave, o que contraria os termos do cessar-fogo.

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