O ano do Benfica foi uma autêntica montanha-russa. Os primeiros seis meses tiveram a desilusão da perda do Campeonato e da Taça de Portugal, o verão trouxe um investimento sem precedentes, o último semestre fez José Mourinho substituir Bruno Lage ainda antes de Rui Costa ser reeleito numas eleições que bateram recordes globais e tornaram-se as mais importantes da história recente do clube. Tudo culminava este domingo, no Minho, no último jogo de 2025. 

Contra o Sp. Braga, o Benfica podia chegar à quinta vitória consecutiva e ao 10.º jogo seguido sem perder, mas podia ficar ainda mais longe de Sporting e FC Porto e complicar uma corrida pelo Campeonato que já está naturalmente complexa. Por isso mesmo, e até porque os encarnados não conseguiram bater os minhotos em nenhuma das duas voltas da temporada passada, o encontro era interpretado como uma autêntica final. Mas José Mourinho lembrava que os últimos meses do Benfica só têm tido finais.

Ficha de jogo


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Sp. Braga-Benfica, 2-2

16.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Municipal de Braga, em Braga

Árbitro: João Gonçalves (AF Porto)

Sp. Braga: Lukas Hornicek, Víctor Gómez (Paulo Oliveira, 90+6′), Vitor Carvalho, Bright Arrey-Mbi, Mario Dorgeles (Gabri Martínez, 76′), João Moutinho (Florian Grillitsch, 76′), Gorby, Leonardo Lelo, Rodrigo Zalazar (Gabriel Moscardo, 86′), Pau Victor (Fran Navarro, 76′), Ricardo Horta

Suplentes não utilizados: Tiago Sá, Yanis da Rocha, Diego Rodrigues, Nuno Matos

Treinador: Carlos Vicens

Benfica: Trubin, Amar Dedic, Otamendi, Tomás Araújo, Samuel Dahl, Enzo Barrenechea, Richard Ríos, Fredrik Aursnes, Leandro Barreiro (Gianluca Prestianni, 80′), Sudakov (Ivanovic, 80′), Pavlidis

Suplentes não utilizados: Diogo Ferreira, António Silva, Manu Silva, Schjelderup, Gonçalo Oliveira, Rodrigo Rêgo, João Rego

Treinador: José Mourinho

Golos: Otamendi (29′), Rodrigo Zalazar (gp, 38′), Pau Victor (45+1′), Fredrik Aursnes (53′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Tomás Araújo (16′), a João Moutinho (30′), a Ricardo Horta (65′ e 90+4′), a Richard Ríos (74′), a Gabriel Moscardo (88′); cartão vermelho por acumulação a Ricardo Horta (90+4′)

“É uma final, mas o jogo com o Famalicão era uma final, com o Moreirense era uma final, com o Nápoles era uma final. A única coisa que nós temos feito nos últimos tempos é jogar finais. E depois com o Estoril é outra final. E depois com o Sp. Braga, em Leiria, é uma meia-final [da Taça da Liga], mas como é a eliminar será também uma final. E este é o mês de janeiro que nos espera, depois de no mês de dezembro já ter sido igual. Com as vitórias das equipas que vão à nossa frente, obviamente que tu ganhas e não te aproximas, mas desde que ganhes não te afastas. A única coisa que depende de nós são os nossos resultados. Temos de fazer o nosso trabalho”, explicou o treinador português numa antevisão onde também confirmou a contratação de Sidny Lopes Cabral, lateral cabo-verdiano que vai chegar do Estrela da Amadora já nos próximos dias.

Assim, no Minho e com Leandro Barreiro já recuperado depois de ter falhado os últimos dois jogos por lesão, Mourinho recuperava a titularidade do médio luxemburguês e mantinha a restante estrutura, com Sudakov e Fredrik Aursnes também no apoio a Pavlidis. Do outro lado, num Sp. Braga que perdeu na última jornada contra o Estoril, Carlos Vicens tinha Pau Victor como referência ofensiva, apoiado por Ricardo Horta e Rodrigo Zalazar, contando ainda com Gabri Martínez e Fran Navarro no banco de suplentes.

O Sp. Braga começou melhor, mais intenso e com maior vontade de chegar à baliza contrária, e Ricardo Horta protagonizou o primeiro remate do jogo ainda dentro dos instantes iniciais e com um pontapé de fora de área que Trubin desviou (7′). Logo a seguir, na sequência do canto na direita e depois de um primeiro toque, João Moutinho atirou por cima e voltou a assustar o Benfica (7′). Os minhotos dominaram o primeiro quarto de hora, praticamente inseridos no meio-campo contrário, enquanto que os encarnados iam gerindo as investidas adversárias sem capacidade para ripostar.

A equipa de Carlos Vicens marcou mesmo ainda antes dos 20 minutos, com o golo de Ricardo Horta a ser anulado por falta do português sobre Otamendi (19′), e o momento acabou por servir como uma espécie de viragem de capítulo na história da partida. O Benfica acordou, cresceu, soltou-se e subiu as linhas, com Richard Ríos a dar a primeira ideia da reação encarnada com um remate de fora de área que passou por cima (26′). Pouco depois, o golo apareceu mesmo: livre cobrado na direita por Sudakov e Otamendi, mais alto do que todos os outros, cabeceou para abrir o marcador (29′).

A vantagem, porém, não durou dez minutos. Num lance em que Pau Victor também colocou a bola no fundo da baliza e também viu o golo anulado por fora de jogo, a equipa de arbitragem puxou a fita atrás e assinalou grande penalidade de Samuel Dahl por mão na bola. Na conversão, Zalazar não falhou e empatou (38′). Ríos ainda voltou a testar a meia-distância, com o pontapé a sair novamente demasiado alto (40′), e a reviravolta acabou mesmo por surgir.

Já nos descontos, Zalazar desequilibrou na direita e cruzou atrasado para a área, onde Ríos intercetou e escorregou para permitir que Pau Victor ultrapassasse dois adversários antes de atirar para bater Trubin (45+1′). Ao intervalo, depois de já ter estado a perder, o Sp. Braga estava a vencer o Benfica na Pedreira e a tarefa encarnada para a segunda parte era naturalmente complexa.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e não foi preciso esperar muito para entender a dinâmica generalizada da segunda parte: o Benfica mais subido e mais impaciente, à procura do golo, e o Sp. Braga mais calmo e recuado, a defender a vantagem. A lógica, porém, teve de ser alterada logo dentro dos dez minutos iniciais e por culpa de Aursnes, que empatou novamente o jogo com um grande remate de fora de área que não deu qualquer hipótese a Lukas Hornicek (53′).

Os encarnados poderiam ter alcançado a reviravolta logo a seguir, num lance em que Tomás Araújo apareceu na área e rematou para Hornicek defender (56′), e a subida de rendimento da equipa de José Mourinho tornava-se evidente e dona de uma superioridade crescente. Pavlidis colocou a bola no fundo da baliza já depois da hora de jogo, com o lance a ser anulado por posição irregular do avançado (66′), Dahl obrigou Hornicek a uma defesa atenta (70′) e também teve um golo invalidado por falta de Ríos (74′) e Carlos Vicens reagiu com três substituições.

Gabri Martínez, Fran Navarro e Florian Grillitsch entraram de uma vez e José Mourinho respondeu com Prestianni e Ivanovic para as saídas de Sudakov e Leandro Barreiro, sendo que Aursnes continuava a ser o elemento mais perigoso em campo e quase bisou com um pontapé forte que passou ao lado (80′). O jogo voltou a mudar depois das alterações e os minhotos recuperaram algum equilíbrio, ainda que sempre com recurso à transição rápida e a uma lógica mais caótica, enquanto que os encarnados perderam o controlo que já tinham tido.

Até ao fim, mesmo com Ricardo Horta a ser expulso nos descontos por acumulação de cartões amarelos, já nada mudou. Benfica e Sp. Braga empataram na Pedreira e os encarnados podem agora ficar ainda mais longe dos principais rivais, sendo que o Sporting recebe o Rio Ave ainda este domingo e o FC Porto defronta o AVS na segunda-feira. No derradeiro jogo de 2025, a equipa de José Mourinho acabou por tropeçar e espelhar um ano que foi uma autêntica montanha-russa entre o melhor e o pior de um clube que se aproxima de mais uma temporada sem ser campeão nacional.



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