Considerado como o gestor que revitalizou a IBM, Louis Gerstner morreu neste sábado, 27 de dezembro, aos 83 anos. Foi a própria IBM que anunciou a morte de Gerstner que foi CEO (presidente executivo) da empresa entre 1993 e 2002.

Numa nota aos trabalhadores assinado pelo atual presidente, Arvind Krishna, admite que Gerstner chegou à companhia numa altura em que o futuro da IBM era incerto. “A indústria estava a mudar rapidamente, o nosso negócio estava sob pressão e havia uma discussão séria sobre se a IBM iria sobreviver. A sua liderança, durante aquele período, reestruturou a companhia. Não olhando para trás, mas focando-se incansavelmente no que iriam os clientes precisar”.

Foi o primeiro presidente a entrada na IBM vindo de fora. E abandonou o plano de cindir a IBM em várias pequenas companhias, passando de Big Blue a várias Baby Blues. A IBM acabou, nos anos mais recentes, por separar algumas operações.

Conforme diz o atual presidente, “Lou tomou aquela que poderá ter sido a decisão mais consequente da história moderna da IBM: manter a IBM integrada”. A empresa estava organizada em muitos negócios, que queriam, cada um, prosseguir o seu caminho, recorda o atual presidente, atribuindo a Lou o entendimento de que os clientes, então, não queriam fragmentações, queriam soluções integradas. Comprou, por 2,2 mil milhões de dólares, a Lotus Development, que tinha o Notes um produto de colaboração corporativa. Do hardware a IBM passou a ser uma empresa de serviços.

“Não sei dizer exatamente quando decidi manter a IBM unida, nem me lembro de um anúncio formal. Sempre falei sobre o nosso tamanho e abrangência como uma clara vantagem competitiva. No entanto, sei que não foi uma decisão particularmente difícil para mim”, contou no livro que escreveu intitulado “Quem disse que os elefantes não sabem dançar?”, onde assumiu que a dimensão (grande) é importante para uma empresa.

Gerstner “moldou a evolução da IBM e restabeleceu a nossa relevância para muitas das maiores empresas do mundo”. Fica também como o responsável pela decisão da IBM de abandonar o sistema operativo OS/2, que tinha sido desenvolvido pela empresa que criou o computador pessoal para tentar fazer frente ao domínio da Microsoft nos sistemas operativos dos PC que já estava com o Windows a dominar o mercado. Vendeu ainda ativos improdutivos, como imóveis e a coleção de arte da IBM (avaliada então em 31 milhões de dólares), e despediu 35 mil dos 300 mil trabalhadores que tinha.

No livro citado, Louis Gerstner assumiu: “A história determina os legados, mas, se eu pudesse votar, o legado mais significativo da minha gestão na IBM seria a entidade verdadeiramente integrada que foi criada. Certamente foi a mudança mais difícil e arriscada que fiz”.

Na sua morte, é ainda recordado como o presidente que reforçou os valores da IBM dentro da companhia (e as remunerações com base no desempenho) e que mesmo quando deixou a presidência nunca se furtou a manter-se como conselheiro durante uns tempos. É o atual presidente que conta: “Desde os meus primeiros dias como CEO, foi generoso com conselhos, mas sempre cuidadoso na forma como os dava. Oferecia uma perspetiva e depois dizia: ‘Estive fora muito tempo, mas estou aqui se precisar de mim’. Ele ouvia atentamente o que os outros diziam sobre a IBM e refletia sobre isso com franqueza”.

Antes de entrar na IBM, Gerstner tornou-se num dos mais novos partners da McKinsey & Company, tendo mais tarde sido presidente da American Express e CEO da RJR Nabisco. Depois da IBM, foi presidente não executivo do grupo Carlyle e dedicou parte do seu tempo e recursos à filantropia, em particular na área da educação e investigação biomédica.

Nascido em Long Island, Nova Iorque, Gerstner formou-se em Dartmouth e tirou o MBA em Harvard. Teve dois filhos, mas um deles, Louis Gerstner III, morreu em 2013, aos 41 anos, ao engasgar-se enquanto jantava num restaurante, segundo o New York Times. A filha, Elizabeth Gerstner, é neurologista.



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