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Os brasileiros que moram em Portugal são unânimes: se, por um lado, 2025 foi um ano cheio de desafios, devido às várias restrições impostas pelo Governo aos imigrantes e às dificuldades para regularizar a documentação junto à Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), por outro, permitiu grande aprendizado. Com 2026 dando as caras, o PÚBLICO Brasil saiu às ruas para saber o que os brasileiros desejam para os próximos 365 dias.
O empresário catarinense Caio Nascimento deseja mais crescimento econômico em 2026
Arquivo pessoal
Um deles é o empresário catarinense Caio Nascimento, que se mudou para Portugal em 2023. Se, no Brasil, ele trabalhava no ramo de vinhos, em terras portuguesas, ele abriu a Açaíteria Brazberry, uma cafeteria que oferece aos clientes panquecas, bolos, tapiocas e outras iguarias, na cidade de Matosinhos, no Porto. Ele se diz otimista para os próximos 12 meses: “Acredito que 2026 será um ano de crescimento da economia portuguesa, principalmente com a entrada cada vez maior de capital estrangeiro”, resume.
Nascimento informa que trabalha para sempre melhorar o negócio. E enfatiza: “Particularmente, desejo que a minha empresa possa expandir sua área de atuação em Portugal, demonstrando a qualidade de seu produto, com o consequente aumento do faturamento”.
O carioca Luiz Duarte deseja que os imigrantes que vivem em Portugal tenham seu valor reconhecido
Arquivo pessoal
Também morador de Matosinhos, o carioca Luiz Duarte deseja que os imigrantes que vivem em Portugal tenham seu valor reconhecido. “Como imigrante, espero que 2026 seja um ano de mais estabilidade, oportunidades e reconhecimento para quem trabalha com dedicação e honestidade. Espero também um país mais justo, que continue a valorizar os imigrantes que contribuem ativamente para a economia local e para a comunidade”, diz.
Duarte, que, no Rio de Janeiro, era dono de uma panificadora, chegou a Portugal em janeiro de 2024 e, hoje, é responsável pela gestão e marketing do salão de beleza Bella’s, que é operado pela esposa dele, Juliete Alves. É ela quem faz o atendimento dos clientes e cuida da parte técnica do negócio.
A brasileira Luany de Castro espera mais atenção dos políticos em relação aos serviços públicos portugueses
Arquivo pessoal
Serviços mais rápidos
Professora de ioga e pilates, a cearense Luany de Castro vive há sete anos em Bragança, no Norte de Portugal. Ela conta que cruzou o Atlântico para estudar esportes no Instituto Politécnico de Bragança (IPB). Casada com um português, com quem tem um filho, Benjamin, de 3 anos, Luany gostaria que, em 2026, a burocracia em Portugal diminuísse, principalmente para quem precisa de documentos para viver no país — os imigrantes.
“Espero mais facilidade e menos burocracia nos serviços públicos portugueses em 2026. Estou esperando a minha nacionalidade sair há quase dois anos. É tudo muito demorado”, diz Luany, que abriu, há seis meses, o estúdio Soulua, de ioga e pilates. “Sem esse documento, tenho de renovar o título de residência, a cada dois anos, o que é uma coisa chata”, reclama.
A cabeleireira Adriana Santana deseja que 2026 seja de mais oportunidades para quem quer viver em Portugal
Elizabete Antunes
Ela não visita nem a Espanha, que é coladinha a Bragança, por falta da documentação. “Não tenho coragem de ir à Espanha, por exemplo, enquanto não receber a minha nacionalidade”, admite Luany, que nasceu em Fortaleza. “Sentia falta da maresia, agora, já me acostumei. Gosto muito da natureza, e Bragança é linda”, afirma.
Proteção às mulheres
Quem também é do Nordeste brasileiro é a cabeleireira Adriana Santana, que vive em Leiria, no Centro do país. Ela trocou Recife por Portugal em 2021. Para o ano-novo, a pernambucana deseja mais emprego e amor ao próximo.
Dona de um salão de beleza, Zilnelite Silva pede mais proteção às mulheres. A violência doméstica, segundo ela, tem aumentado em Portugal
Elizabete Antunes
“Espero que quem está para chegar encontre boas oportunidades de trabalho em Portugal. E que as coisas fiquem menos difíceis. Imigrar não é fácil. Quando você sai da sua zona de conforto e vai para outro país, vê culturas diferentes e vê também gente que sofre mais do que você. É desafiador, mas é gratificante”, pondera ela, que acrescenta. “Que a gente tenha mais amor ao próximo. É preciso aprender a cuidar e olhar para o outro de uma maneira mais humana porque está muito mecânico hoje em dia”.
De Goiânia e dona do Louro Moreno, salão de beleza onde Adriana trabalha, Zilnelite Silva, pede que, em 2026, o país que ela escolheu para viver em 2008 proteja mais as mulheres, principalmente, contra a violência doméstica. “Elas apanham e não têm uma lei para protegê-las”, aponta Zil, como é chamada pelos amigos. “As mulheres não têm voz ativa em Portugal. Eu escuto muita coisa delas. Minha cadeira é um divã, porque não cuido só do cabelo das minhas clientes, acabo sendo psicóloga delas também.”
Para o chef de cozinha Vitor Oliveira, ao lado da namorada Fernanda Almeida, 2026 deve ser um ano de mais consciência política, em especial, com os mais pobres
Arquivo pessoal
Consciência política
Para Vitor Oliveira, chef de cozinha, que trocou Itapetininga, interior de São Paulo, por Portugal há 9 anos e meio, os tempos atuais, de forte polarização política, exigem mais consciência em relação ao próximo.
“Vivemos um tempo de escolhas políticas que apertam sempre os mesmos: trabalhadores, imigrantes, jovens e reformados. Um tempo em que se normaliza a precariedade, se empurra pessoas para fora das cidades e se trata a sobrevivência como falha individual — quando ela é consequência de decisões coletivas. Mas 2026 também começa com consciência. Com gente que já percebeu que o problema não é de quem chega, mas de quem explora”, frisa o paulista.
E ele vai além: “Que este novo ano seja de menos medo e de mais coragem. Menos silêncio e mais voz. Menos resignação e mais organização. Que 2026 seja o ano em que deixamos claro: ninguém constrói um país sozinho, e nenhum país é justo enquanto muitos vivem à margem”.
A fotógrafa Fernanda Almeida deseja que 20026 seja um ano com menos discursos de ódio e com mais direitos para os imigrantes
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Direitos dos imigrantes
A fotógrafa carioca Fernanda Almeida deseja que 20026 seja um ano com menos discursos de ódio e com mais direitos para os imigrantes. Ela atravessou o Atlântico há sete anos.
“Desejo um ano com menos discursos de ódio, menos desinformação e menos medo, porque palavras também ferem, afastam e adoecem sociedades inteiras. Desejo paz para nós, imigrantes, que escolhemos Lisboa como casa e que só queremos o direito de continuar a construir as nossas vidas com dignidade, sem sermos tratados como números, problemas ou ameaças”, frisa.
Ela complementa: “Que, em meio aos desafios da AIMA, às tensões políticas e às desigualdades que insistem em se aprofundar, prevaleça a empatia, o diálogo e o compromisso real com os direitos humanos. Que 2026 nos encontre mais conscientes, solidários e corajosos para defender um mundo onde caibamos todos”.
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