Os compromissos de segurança com a Ucrânia devem ser “legal e politicamente vinculativos, no caso de um ataque armado futuro por parte da Rússia”, lê-se num rascunho de uma declaração final preparada antes da Cimeira de Paris, em França, que decorre entre o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, e 27 líderes seus aliados na guerra contra a Rússia. “Esses compromissos podem incluir o uso de capacidades militares, apoio com informações e logística, iniciativas diplomáticas, adoção de sanções adicionais”, escreve a Reuters.

O texto está a ser discutido no Palácio do Eliseu e tem de merecer a aprovação de todos os líderes da chamada Coligação da Boa-Vontade, um grupo de países que se reuniu pouco depois do início da invasão da Ucrânia para a apoiar a sua defesa contra a agressão russa, e do qual Portugal faz parte.

Incluído neste compromisso sobre segurança está o estabelecimento de uma forma de monitorizar o cessar-fogo e a preparação de uma força multinacional para proteger a Ucrânia, caso seja preciso; o investimento nas forças armadas da Ucrânia (uma vez que são agora e vão continuar a ser do futuro a primeira linha de defesa contra investidas hostis da Rússia sobre território europeu), e ainda um plano a longo prazo para a cooperação em defesa com a Europa e a NATO.

Parece haver consenso de que estas medidas seriam as mais justas para oferecer à Ucrânia algum tipo de segurança, mas para que tudo isto tenha algum impacto é preciso que a Rússia concorde, uma vez que estas medidas só podem ser implantadas após um cessar-fogo. Moscovo não deu até agora sinais de que esteja pronta e disposta a acabar com os combates. Os últimos dias foram de intensos ataques quer sobre Kiev quer sobre outras cidades, como Odessa.

Se os líderes europeus conseguirem reforçar os seus compromissos com a Ucrânia na reunião desta terça-feira, a ideia é que isso pressione os EUA a consolidar também do seu lado uma oferta robusta de segurança.

Antes de entrar na reunião com os restantes aliados, Zelensky esteve com o Presidente francês, Emmanuel Macron. “A diplomacia e a ajuda devem andar de mãos dadas. A Rússia não pára os seus ataques contra o nosso país, e neste momento precisamos reforçar a defesa aérea para proteger o nosso povo, as nossas comunidades e a infraestrutura crítica”, escreveu o líder ucraniano no X. “Cada leva de mísseis de defesa aérea salva vidas e aumenta as hipóteses de diplomacia. É por isso que cada reunião deve gerar resultados concretos, novas decisões sobre defesa aérea, novos pacotes de assistência e novas capacidades para proteger os céus”.

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