Todos os anos, são diagnosticados cerca de três mil cancros ginecológicos em Portugal. Entre eles, os que causam maior preocupação e que ocorrem com mais frequência são o cancro do endométrio, do colo do útero e do ovário. São tipos de cancro que atacam de forma silenciosa e são, muitas vezes, detetados em fase avançada. Daí que seja importante continuar a olhar para a sua incidência e prevalência em Portugal, de forma a entender melhor a jornada dos doentes e o que pode ser feito para melhorar os resultados clínicos. É aí que entra o projeto “OncoGyn PT – Diagnóstico, Tratamento e Acesso no Cancro Ginecológico”, desenvolvido pela NOVA Medical School Advanced Education, com o apoio da GSK.

A primeira fase do projeto (focada no cancro do ovário e do endométrio) envolveu mapear de que forma os atrasos entre o diagnóstico e o tratamento podem impactar o prognóstico da doença e, na segunda fase, procedeu-se à organização de grupos focais com especialistas da área. A terceira fase, agora em desenvolvimento, pretende a obtenção de um documento com “as principais recomendações que possam fundamentar melhores decisões políticas e melhores políticas públicas de saúde”, para que “se consiga uma melhoria na sobrevivência dos doentes e na qualidade dos cuidados de saúde”, explica Mariana Zagalo, da NOVA Medical School Advanced Education.

dos cancros na mulher em Portugal são cancros do endométrio

Segundo Tânia Saraiva, diretora de Public Affairs da GSK, as principais conclusões do projeto estão em três áreas: “No diagnóstico, nomeadamente na literacia em saúde, na maior autoconsciência do corpo e na maior educação para que estas mulheres procurem ajuda mais cedo; no acesso aos cuidados, com maior acesso aos médicos de família, que devem estar mais alerta para estes tópicos de forma a haver um encaminhamento mais rápido para os centros de tratamento oncológico; e no tratamento e inovação há questões relacionadas com os tempos de espera para cirurgia, acesso a tratamentos ou à inovação.”

A promoção da literacia em saúde, a melhoria dos cuidados de saúde primários, do acesso a médicos de medicina geral e familiar e dos canais de comunicação entre os cuidados de saúde primários e os centros de referenciação são, assim, algumas das recomendações já identificadas. “Outras recomendações consistem na utilização da inteligência artificial para facilitar algumas das tarefas burocráticas no percurso assistencial do doente e numa maior promoção e sensibilização do acesso à inovação e a ensaios clínicos”, destaca Mariana Zagalo.

Melhor comunicação e uso da inteligência artificial são algumas das recomendações, diz Mariana Zagalo

Lançado pelo Expresso, com o apoio da GSK, o projeto “Doenças Esquecidas, Pessoas Únicas” tem vindo, nos últimos anos, a contar a história de pessoas diagnosticadas com cancro ginecológico, como Marta Morgado, que foi diagnosticada com cancro do ovário em 2020. A doença foi rapidamente identificada porque Marta prestou atenção aos sintomas, mas também porque o seu médico de família percebeu de imediato que algo se passava. Ainda assim, o impacto físico e psicológico da doença é profundo e agravado por desafios, como as barreiras de acesso ao diagnóstico, à referenciação e ao tratamento dos doentes.

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