- Maria Luís Gameiro está a participar no Rali Dakar na Arábia Saudita e volta a relatar na Fugas a sua experiência em cada etapa
Apesar de não ser possível deixar de pensar na prova – no que já passámos e no que ainda temos pela frente – esta etapa sem percurso para cumprir, sem horas, significa estar também sem qualquer pressão.
Dormi bem, recuperei algum sono perdido na última semana e esta é sempre a oportunidade ideal para pôr as notícias em dia, para trocar mensagens com a família em Portugal. Há que dar também atenção adicional aos jornalistas, que neste dia de descanso também aproveitam para conversas um pouco mais demoradas e nós também podemos dar-lhes mais atenção.
Por outro lado, há também o convívio com a equipa e até com os outros pilotos, que, com imaginam, durante a prova é diminuto. É um dia bom para saber os detalhes daquele percalço, ou de como se atravessou aquela duna mais complicada. Acho que todos precisamos desta “terapia de grupo”.
Fui, a par de muitos outros pilotos, convidada par um almoço no palácio que é propriedade do piloto Yazeed Alrajhi’s, um encontro que já ganhou fama no Dakar aqui na Arábia Saudita. Além de ser uma personalidade altamente reconhecida e apreciada nestas paragens, o Yazeed é também alguém muito simpático e um excelente anfitrião.
O convite começa por dizer “Racing Suits Off”, ou seja sem fato de competição. Isto traduz o ambiente descontraído e de convivialidade que se vive neste evento, onde, este ano, marcaram presença diversas equipas que se encontram a disputar o Dakar, jornalistas, representantes da FIA, enfim um leque vasto de amigos do Yazeed.
Foi um momento muito divertido de são convívio entre todos, sentados a uma mesa que mais parecia de um casamento real… Terminado o momento de príncipes e princesas, houve que voltar “à realidade” e voltar a olhar para a etapa de amanhã, que marca o regresso à estrada e o arranque de mais uma semana que, todos sabemos, vai ser tudo menos fácil.
Sinto-me pronta para regressar à atividade, mesmo estando ciente de que vamos voltar ao pó, às dunas, aos caminhos pedregosos, mas que são aqueles que nos vão levar a linha de chegada. É nesse momento que os meus olhos estão postos.
A autora escreve segundo o Acordo Ortográfico de 1990
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