Segundo o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, não foi solicitado “qualquer apoio” por parte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) ao Algarve para este fim-de-semana. “Se tivesse sido solicitado teríamos telefonado aos comandantes dos corpos de bombeiros a solicitar reforço de ambulâncias”, declarou António Nunes, depois de o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) ter afirmado neste sábado que as seis ambulâncias de emergência médica da região estiveram paradas pelo menos até meio da tarde, por falta de operacionais.

Depois de esta semana três pessoas terem morrido à espera de socorro, no Seixal, em Sesimbra (Quinta do Conde) e em Tavira, a Liga dos Bombeiros anunciou a criação de uma task-force de quatro ambulâncias dos bombeiros da Ajuda, Cabo Ruivo, Camarate e Cascais para socorro pré-hospitalar este fim-de-semana, mas estas viaturas estão sediadas no Lumiar, na margem Norte do Tejo, o que motivou críticas da Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM), que considera que além de carecer de explicação técnica e operacional, esta medida “potencia um agravamento dos tempos de resposta, em prejuízo directo das populações que se pretende servir”.

Na próxima semana, diz António Nunes, bombeiros e INEM deverão reunir-se para discutir a mobilização dos meios dos bombeiros, já que “os bombeiros fazem 90% da emergência pré-hospitalar”.

As Federações da Liga dos Bombeiros Portugueses reuniram este sábado para dar continuidade à discussão do documento final das moções e teses aprovadas no 45.º Congresso, que se realizou em Novembro. Foi constituído um grupo de trabalho que terá como objectivo apresentar uma iniciativa legislativa na Assembleia da República, tendo em vista alterações à carreira, ao Estatuto Social do Bombeiro, aos contratos-programa entre Estado e associações humanitárias ou ao “subfinanciamento crónico”.

Durante a semana, a Liga dos Bombeiros voltou a admitir cobrar uma taxa aos hospitais do SNS pelo tempo em que as ambulâncias ficam paradas nas urgências à espera das macas. No entanto, António Nunes diz que o tema não foi abordado na reunião deste sábado. “Esta semana as coisas não correram bem e colocámos outra vez esta questão [de cobrar pelas macas]. Foi um pico. Se a situação se mantiver assim, e continuarmos ter ambulâncias, uma, duas, quatro, seis horas à porta dos hospitais vamos ter de tomar medidas. Vamos ver como vai correr a próxima semana”, admite o presidente da Liga.

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