Caso Epstein: Rei Carlos III “profundamente preocupado” com alegações contra André e disposto a ajudar a polícia

O Rei Carlos III está “profundamente preocupado” com as alegações contra o irmão André, no âmbito do caso Epstein e está “disposto a ajudar a polícia”, caso seja contactado, afirmou esta segunda-feira o Palácio de Buckingham.

“O Rei deixou claro, em palavras e através de ações sem precedentes, a sua profunda preocupação com as alegações que continuam a surgir relativamente à conduta do senhor [André] Mountbatten-Windsor”, afirmou um porta-voz do Palácio.

“Se formos abordados pela polícia de Thames Valley [que cobre a área de Windsor], estamos prontos para apoiar” a força, de acordo com um comunicado do palácio.

A polícia britânica indicou estar “a analisar” informações segundo as quais André teria transmitido a Epstein, em novembro de 2010, relatórios de visitas a Singapura, Hong Kong e Vietname, além de detalhes confidenciais sobre oportunidades de investimento, enquanto era enviado especial do Governo para o Comércio.

Após essas viagens, a dia 30 de novembro, André teria reencaminhado a Epstein estes relatórios oficiais, enviados pelo seu então conselheiro especial, Amit Patel, feitos cinco minutos após os ter recebido, garante a BBC.

Os arquivos evidenciam a rede de pessoas ricas e poderosas que Epstein usava para explorar mulheres jovens e meninas, e mostram que a relação próxima do membro da família real com Epstein, mesmo depois do norte-americano ter sido condenado por aliciar uma menor para prostituição em 2008.

A queixa foi apresentada pelo grupo antimonárquico Republic, que denunciou André por violação de segredos oficiais e suspeita de má conduta. A denúncia é baseada no dever — ao qual os enviados comerciais estão sujeitos — de confidencialidade acerca de informações sensíveis, comerciais e políticas obtidas através de visitas oficiais.

Com a última vaga de fotografias e documentos relacionadas a Jeffrey Epstein divulgadas, a pressão sobre André e Buckingham tem vindo a crescer. Entre os três milhões de ficheiros divulgados pelo Departamento de Justiça americano, encontram-se fotografias que aparentam capturar André, ajoelhado e apoiado com os braços por cima de uma jovem de idade e identidade não confirmadas.

Desde a divulgação de mais três milhões de documentos relacionados com Epstein, tem aumentado a pressão sobre Mountbatten-Windsor, com alegações de que uma segunda mulher terá sido enviada para o Reino Unido por Jeffrey Epstein para um encontro sexual com ele.

Fotografia divulgada nos Ficheiros Epstein com André Mountbatten-Windsor, de joelhos e por cima de uma jovem.

Departamento de Justiça dos EUA

Segundo a BBC, André terá tido relações com uma mulher não britânica, em 2010, na residência em que viva enquanto príncipe, o Chalé Real. O alegado encontro com a mulher, que na altura era uma jovem com cerca de 20 anos, está a ser investigado pelas autoridades britânicas. O seu advogado garantiu anteriormente ao canal televisivo que “Estamos a falar de pelo menos uma mulher que foi enviada por Jeffrey Epstein para o príncipe André.”

A ex-mulher de André, Sarah Ferguson também está envolvida no escândalo. E-mails assinados “Sarah” mostram pedidos de apoio e dinheiro dirigidos a Epstein, que via como “um amigo fiel”.

Na semana passada, Andrew foi transferido mais rapidamente do que o previsto da sua residência no Royal Lodge, em Windsor, para a propriedade privada do Rei em Sandringham.

No ano passado, o Rei Carlos III retirou os títulos reais do irmão, de 65 anos, na sequência de revelações anteriores sobre a relação com Epstein, apesar de André Mountbatten-Windsor, como é conhecido atualmente, negar qualquer irregularidade.

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