Alguns dos jornalistas do The Washington Post dispensados num processo de reestruturação do jornal que levou a uma redução de cerca de 30% dos seus funcionários — o equivalente, refere o New York Times, a 300 profissionais das secções locais, internacional e desporto — foram apanhados pela decisão da administração em trabalhos fora do país. Em Milão, os enviados aos Jogos Olímpicos de Inverno decidiram continuar a trabalhar. Mas alguns jornalistas colocados em escritórios internacionais e zonas de guerra
A notícia de que o departamento de desporto do jornal seria fechado foi anunciada na passada quarta-feira pelo editor executivo, Matt Murray, que numa videoconferência com os funcionários explicou que vários jornalistas de outras secções iriam passar a cobrir também assuntos de desporto “como um fenómeno cultural e social”, escreve o New York Times. Rick Maese e Les Carpenter, dois jornalistas da secção, assistiram à reunião a partir dos seus postos de trabalho temporários em Milão, na sala de imprensa dos Jogos Olímpicos de Inverno, reportou o jornalista Chris Jones, da canadiana CBC. “Às 15h em Milão, Carpenter abriu o seu email. ‘Estou fora’, disse. Maese foi informado logo depois que seria mantido. ‘Parabéns’, disse Carpenter ao amigo”.
O Washington Post planeava enviar 12 jornalistas para a cobertura dos Jogos Olímpicos de Inverno. Entretanto, a equipa foi reduzida para quatro profissionais, com o reforço do correspondente de Roma. O anúncio do layoff veio dois dias antes da abertura do evento desportivo. Entretanto, a equipa de jornalistas decidiu continuar a trabalhar. Les Carpenter tem artigos publicados ainda na passada segunda-feira, 9 de fevereiro. “Eu tinha me preparado para essa possibilidade”, disse ao desportivo espanhol Marca. “Mas eu já sabia que ficaria se recebesse más notícias sobre o meu trabalho. Um editor ligou-me e perguntou se eu queria voltar para casa e eu disse que não. Temos muitos leitores que admiraram o Washington Post ao longo dos anos, e eu quero escrever para eles. Eu sabia que eles iriam querer o melhor que eu pudesse dar daqui, eu sei que eu, como leitor do Post, gostaria disso. É o mínimo que posso fazer. Tenho certeza de que os meus outros três colegas aqui pensam o mesmo.”
O jornalista desportivo que começou no Washington Post em 2005 permanece funcionário do jornal até que o sindicato negocie um acordo. Ao jornal espanhol, Les Carpenter ainda faz uma ressalva. “Não vou queixar-me do WP e não vou criticar aqueles que tomaram as decisões”, disse, sobre Jeff Bezos, dono do jornal desde 2013, e Will Lewis, publisher que se demitiu apenas três dias após o anúncio do layoff.
I was just laid off by The Washington Post in the middle of a warzone. I have no words. I’m devastated. https://t.co/dVCLF39YV1
— lizzie johnson (@lizziejohnsonnn) February 4, 2026
Contudo, jornalistas que trabalhavam para o Post em outros países, nomeadamente em zonas críticas ou de guerra, não têm a mesma posição. “Acabei de ser demitida do Washington Post no meio de uma zona de guerra. Não tenho palavras. Estou devastada”, escreveu a correspondente Lizzie Johnson, que escrevia sobre a guerra na Ucrânia. A chefe do escritório do jornal em Tóquio, Michelle Lee, e a chefe da redação do Sudeste da Ásia, Rebecca Tan, decidiram criar uma campanha numa plataforma de financiamento coletivo para ajudar “correspondentes e editores contratados por subsidiárias localizadas fora dos EUA assim como os seus funcionários locais”, destacando que “estes trabalhadores não são elegíveis de proteção por parte do sindicato do Post e estão a ser dispensados em situações desfavoráveis, com imensos problemas logísticos e, em alguns casos, sérios riscos de segurança“. Um porta-voz do jornal, entretanto, disse ao Deadline que “o Washington Post está a apoiar ativamente todos os funcionários impactados pela última reestruturação, incluindo apoio de transição para os nossos colaboradores internacionais”.
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