Cartas ao director | Opinião


Contados os votos

Contados os votos, indiscutivelmente, Seguro ganhou, Ventura perdeu e comparar números de uma eleição binária com os de outras onde existe uma dúzia de alternativas disponíveis é um exercício com muito pouco sentido.

Será desta vez que o PS volta ao seu registo histórico, se deixa de devaneios neomarxistas e faz as exéquias, assumidas, de um tempo sombrio e indigno?

Face à primeira volta, Ventura subiu. Estranhíssimo seria se descesse. Faço parte dos portugueses que consideram que, apesar dos erros e abusos dos habituais inquilinos do poder, com ele teríamos uma emenda pior do que o soneto. É importante mostrar o que está em causa e em perigo, sem rasgar vestes, nem cair na gritaria. Ventura nunca será nenhum Salazar nem por inteiro, nem por um terço, pela simples razão de que nunca saberá governar. A sua equipa é genericamente fraca, o seu programa económico absurdo e a sua relação com a verdade algo de muito débil. A tentativa de colagem à herança de Sá Carneiro foi de uma indecência escandalosa.

O triunfo muito claro de Seguro é a vitória de uma abordagem à prática política mais séria e decente, mas nada garante para o futuro. A satisfação deve ser comedida, especialmente se não for seguida por práticas sérias e decentes.

Carlos JF Sampaio, Esposende

Dupla vitória

A primeira conclusão a tirar dos resultados eleitorais presidenciais é que, se o Chega captar em eleições legislativas a votação dada a André Ventura, pode formar governo constitucional. Ganhou Seguro com uma votação histórica. Ganhou Ventura com uma percentagem superior à AD nas legislativas. O campo democrático não sabe combater Ventura. De onde veio a votação adicional? O silêncio de Passos Coelho foi indicação de voto em Ventura? Parte do eleitorado laranja não gostou da colagem de figuras do PSD a António José Seguro? Estas eleições vieram dar imensa força à extrema-direita portuguesa. Não podemos dizer que 70% dos portugueses são de esquerda nem que 33% são de extrema-direita. Muito há a fazer para tirar da pobreza 1,6 milhões de pessoas. Não esquecer que o país foi intervencionado pelo FMI por três vezes. Se não fossem os fundos europeus, o que seria de Portugal?

Ademar Costa, Póvoa de Varzim

O voto na equidade

​A recente vitória da maioria dos portugueses sobre a iniquidade não foi apenas um resultado eleitoral; foi uma afirmação clara em favor da equidade. Ao escolherem um representante “seguro” para conduzir a nação, os eleitores resgataram a essência de uma cultura e de uma tradição forjadas no seio da sociedade.

​Esta identidade nacional não nasceu do vazio. Ela é o resultado directo dos laços humanos e das relações sociais que, geração após geração, definiram o nosso modo de estar em comunidade e nos forjaram como nação. Foi este complexo tecido de inter-relações que nos permitiu adoptar valores nobres e singulares, que hoje servem de orientação para os desafios que enfrentamos.

​O desafio é incorporar esta visão de estabilidade em cada decisão estratégica. Não queiramos o país que ambicionamos por indicadores de riqueza financeira, apenas. A verdadeira prosperidade que se procura — e as decisões, presentes e futuras, devem moldar — é aquela que se alicerça nos valores da humanidade e do progresso social. É tempo de garantir que o crescimento económico sirva o avanço ético e social da nossa sociedade. Nós reivindicamos o que a vitória de Seguro parece significar.

Jorge Patrício Martins, Ponte de Lima

Ventura ainda distribui alimentos?​

André Ventura fez grande parte da segunda volta da campanha presidencial a mostrar-se a juntar alimentos, a carregá-los debaixo de forte chuva para encaminhar ou levar para os locais onde as populações estão a sofrer as consequências deste Inverno rigoroso. E também estando nos locais, sempre com as televisões a segui-lo fielmente e avidamente. Agora acabou a campanha. André Ventura não ganhou. Por certo terá muito mais disponibilidade para mostrar a sua solidariedade e simpatia e para continuar a recolher alimentos e a distribuí-los onde é necessário.

Augusto Küttner de Magalhães, Porto



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