A ModaLisboa está de volta para a sua 66.ª edição, de 12 a 15 de Março. Ainda que os principais desfiles da semana de moda da capital voltem a centrar-se no Pátio da Galé, com os nomes habituais, de Béhen a Dino Alves ou Luís Carvalho, há também apresentações agendadas para o Museu do Design – Mude e para o Centro de Arte Moderna Gulbenkian (CAM). Sob o mote Pebbling, o evento almeja reflectir como a moda é “ferramenta de cuidado relacional”.
O termo, que dizem ser “oriundo da cultura digital”, descreve “o acto de oferecer algo para criar ligação”, explica a organização em comunicado, nesta quarta-feira. E continua: “A ModaLisboa assume esse campo expandido, entendendo a moda como interface sensível entre corpos, processos produtivos, cidade e tempo, e como espaço onde a experiência do outro se torna central.”
Nesse sentido, a campanha visual desta estação teve origem nos comentários do Instagram da ModaLisboa, recolhidos por Carincur e João Pedro Fonseca, do centro artístico Zabra, que transformaram as ideias dos seguidores e entusiastas de moda numa esfera comum — um organismo mutável, afirmam.
Mais do que ser um tema inédito, esta edição da ModaLisboa traz uma novidade de posicionamento e estratégia: é um evento patrocinado por uma só marca, os automóveis chineses Omoda & Jaecoo. A marca torna-se parte do título do evento — ModaLisboa presented by Omoda&Jaecoo — como já acontece na capital espanhola com a Mercedes-Benz Fashion Week Madrid.
Já há alguns anos que a organização da ModaLisboa, através da sua presidente, Eduarda Abbondanza, fala da necessidade de diversificar o orçamento e patrocínios para depender menos de apoios públicos. Em Outubro passado, o orçamento total do certame, que é co-organizado pela Câmara Municipal de Lisboa desde a sua fundação em 1991, foi de 864 mil euros — com um apoio de 171 mil euros vindos do Turismo de Portugal através do projecto Portugal Events. A autarquia contribui, habitualmente, com 300 mil euros em cada semestre.
Acima de tudo, reforça o evento em comunicado, quer que a ModaLisboa seja “um contexto de trabalho e desenvolvimento económico, onde criação autoral, indústria e negócio se encontram para gerar valor, conhecimento e novas oportunidades”.
Eventos abertos ao público
O epicentro será o Pátio da Galé, onde se concentram as apresentações de 13 a 15 de Março. Na passerelle principal da Sala do Risco, esperam-se os nomes habituais: Béhen, Gonçalo Peixoto, Carlos Gil, Dino Alves, DuarteHajime, Luís Onofre, Nuno Baltazar, Valentim Quaresma e Luís Carvalho — ausentes do calendário estão Alves/Gonçalves e Constança Entrudo. Já no Mude, serão os desfiles de Ricardo Andrez e Roselyn Silva.
A edição fica também marcada pela final do concurso Sangue Novo, que vai eleger dois vencedores entre os jovens designers Adja Baio, Ariana Orrico, Mafalda Simões, Mariana Garcia e Usual Suspect. Nos últimos seis meses, os finalistas participaram em sessões de mentoria sobre criação de marca, sustentabilidade e materiais ou marketing e comunicação de moda.
E, por falar em jovens, os dois desfiles da Workstation, a faceta da ModaLisboa dedicada aos designers emergentes, vão ter cem lugares abertos ao público. Os entusiastas de moda poderão assistir, mediante inscrição, às apresentações de Arndes, Bárbara Atanásio, Çal Pfungst e Francisca Nabinho.
A entrada também é livre para a apresentação da nova colecção de Lidija Kolovrat no CAM da Gulbenkian, onde a criadora se vai debruçar sobre o conceito de semente, desvenda a nota de imprensa. Depois da performance, como definem, as peças mantêm-se em exposição até 16 de Março no Espaço Engawa.
Para quem não conseguir bilhete ou convite (como se acede habitualmente aos desfiles nas semanas de moda), todas as apresentações do Pátio da Galé terão transmissão nas plataformas digitais da ModaLisboa, no site da RTP ou na instalação artística da ModaPortugal (projecto do Centro de Inteligência Têxtil) na Praça do Comércio.

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