O frio do Ártico também faz parte da história do futebol – Observador



Era o outro jogo que interessava às equipas portuguesas neste playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões. A participar pela primeira vez na Liga dos Campeões, o Bodö/Glimt conquistou um lugar nos 24 primeiros da fase de liga e avançou para a fase a eliminar, onde encontrou o Inter Milão mais de 47 anos depois de se terem enfrentado na segunda ronda das Taça das Taças de 1978/79 (7-1 para os italianos no agregado), numa eliminatória que pode vir a colocar uma destas equipas no caminho do Sporting, nos oitavos. Na longínqua cidade de Bodö, em pleno Círculo Polar Ártico, as condições climatéricas voltaram a fazer das suas e pintaram o Estádio Aspmyra de branco a poucos dias da partida da primeira mão. Ainda assim, foram retiradas cerca de 80 toneladas de neve, que atingiu os cinco metros de altura, pelo que não houve influência naquilo que se desenrolou no relvado.

“Acho que um dos nossos pontos fortes é que somos bons a viver o presente e aceitar as coisas como elas aparecem. Sabemos que enfrentamos uma equipa europeia de topo. Eles têm qualidade e experiência e estão em forma. Temos que fazer as coisas à nossa maneira e sermos nós mesmos. Trata-se de aproveitar ao máximo cada dia, fazer com que um grupo que tem fome trabalhe, mesmo que estejam dez graus negativos, e acho que conseguimos isso. Não posso garantir isso amanhã [quarta-feira], mas acreditamos que, pelo menos, estaremos num bom nível físico. Chegámos à Liga dos Campeões e éramos inexperientes a este nível. Inter? Estão acostumados a enfrentar muitas equipas que defendem homem a homem. No nosso jogo defensivo devemos ser bons a fechar os espaços certos. Se os minimizarmos, vamos ousar deixá-los sofrer um pouco com o tempo”, explicou Kjetil Knutsen antes do jogo.

“Amanhã vamos jogar numa competição diferente e sabemos como este jogo é importante. Estamos cientes da nossa prestação, temos feito um bom trabalho, mas infelizmente não garantimos a qualificação direta para os oitavos de final e agora temos de passar pelo playoff contra uma equipa difícil que causou problemas ao Manchester City e ao Real Madrid. Sabemos que são uma equipa forte, devido ao nível que atingiram neste momento, mas também devido ao crescimento do futebol norueguês, com a seleção diretamente qualificada para o Mundial. Não ficámos impressionados com a neve, vemo-la todos os dias no nosso centro de treinos. O que nos impressiona é o que o Bodö/Glimt fez e o que pode fazer. Tem vontade, qualidade e muitos jogadores com um bom desempenho. O futebol está a crescer muito por lá e teremos de estar atentos e preparados para tudo”, perspetivou Cristian Chivu.

Com Jens Petter Hauge, Ole Didrik Blomberg, Kasper Högh, Pio Esposito e Lautaro Martínez nos ataques, os noruegueses entraram afirmativamente e, depois de Odin Bjortuft cabecear ao lado num canto (9′), Brunstad Fet inaugurou o marcador, batendo Yann Sommer depois de um passe de calcanhar de Högh e na conclusão de uma grande jogada de envolvimento (20′). Na resposta, Matteo Darmian atirou ao poste (26′) e Carlos Augusto, de cabeça, testou Nikita Haikin (30′), antes de Esposito ter empatado o jogo com uma finalização certeira à meia-volta, depois de Alessandro Bastoni ter cruzado (30′). Até ao intervalo, Patrick Berg viu Sommer impedir mais um golo na cobrança de um livre (37′).

No arranque da etapa complementar, o jogo continuou vertiginoso, com Carlos Augusto a rematar, à entrada da área, para as mãos de Nikita Haikin (50′). Já com Marcus Thuram no lugar de Lautaro, o Bodö/Glimt desbloqueou o jogo pelo corredor central, com Kasper Hogh a romper a defesa e a servir Jens Petter Hauge que, com um grande remate, voltou a colocar a formação da casa na dianteira (61′). Pouco depois, o Bodö/Glimt voltou a quebrar o Inter Milão no corredor central, Ole Blomberg isolou-se e tocou ao lado para Hogh, que só teve de encostar (64′). Chivu respondeu à entrada para os últimos 15 minutos, lançando Ange-Yoan Bonny, Luis Henrique e Piotr Zielinski, com Knutsen a apostar em Sondre Auklend e Andreas Helmersen. Contudo, em novo lance rápido de contra-ataque, Hauge encontrou Helmersen dentro da área que, com um remate cruzado e rasteiro, obrigou Yann Sommer a ir à relva para defender (81′). Ainda houve tempo para Haitam Aleesami, Isak Määttä e Andy Diouf participarem no jogo, que continuou dominado por uns nerazzurri com dificuldades na finalização e que têm pela frente uma difícil missão (3-1).





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