A recente eleição na Holanda teve um resultado surpreendente: o partido de centro-esquerda D66 (Democratas 66), liderado por Rob Jetten, venceu indo na direção oposta ao crescimento da extrema-direita que vem acontecendo em vários países da Europa.
Mesmo com uma campanha muito dividida e centrada em temas como imigração, a maioria dos eleitores escolheu partidos mais moderados e progressistas, evitando os extremos. Analistas avaliam que o resultado mostra à Europa que há caminhos para frear o populismo e a extrema-direita por meio de alianças políticas mais amplas e de centro.
Receba um guia gratuito e personalizado por e-mail com um plano certeiro para organizar sua mudança, fazer turismo, comprar euros, tirar visto e muito mais! Aproveite!
Quero receber! →
Com a Wise, você abre uma conta internacional gratuita, sem burocracia e com taxas baixas. Perfeita para receber, gastar e gerenciar seu dinheiro na Europa com praticidade.
Quero o Cartão com Menos Taxas →
Centro-esquerda cresce na Holanda e desafia extrema-direita
Antes da eleição de 2025, a Holanda enfrentava um Parlamento fragmentado e um governo fragilizado, resultado do desgaste causado pela extrema-direita e de uma disputa clara entre um centro moderado em crescimento e uma direita radical em declínio.
O governo do primeiro-ministro independente Dick Schoof caiu em junho de 2025, após o partido de extrema-direita PVV, liderado por Geert Wilders, deixar a coalizão devido a divergências sobre asilo e imigração na Europa. A crise levou à convocação de eleições antecipadas para outubro de 2025.
O PVV, que havia vencido as eleições de 2023 com 37 cadeiras, perdeu força e caiu para cerca de 26 cadeiras em 2025.
Preferência por uma política mais calma e previsível
Em contraste, o partido de centro-esquerda D66, liderado por Rob Jetten, cresceu significativamente, passando de 9 para aproximadamente 26 cadeiras. Pesquisas indicavam uma disputa acirrada entre centro-esquerda e extrema-direita, com o D66 beneficiado pelo desejo dos eleitores por estabilidade e moderação, diante do desgaste do PVV.
Além disso, os principais partidos tradicionais da Holanda recusaram alianças com Wilders, considerando o líder do PVV pouco confiável para governar, o que consolidou o espaço do centro na formação de futuras coalizões.
Quem é Rob Jetten e como o D66 molda o centro político
Rob Jetten, que atuou como ministro do Clima e da Política Energética na última coalizão até 2024, trouxe à campanha eleitoral uma agenda centrada no retorno a políticas progressistas e pragmáticas.
Entre suas prioridades, Jetten destacou a energia verde para manter os custos domésticos sob controle, o desenvolvimento urbano para enfrentar a crise habitacional e a redução da pressão sobre o sistema de saúde, com foco em prevenção e promoção da saúde.
Jetten se comprometeu a reforçar o controle sobre imigração não autorizada
No campo da migração, comprometeu-se a reforçar programas de integração e combater a imigração ilegal. Jetten prometeu que “as maçãs podres” seriam removidas do sistema e deportadas, buscando equilíbrio entre acolhimento e segurança.
Embora Rob Jetten possa se tornar o primeiro premiê holandês mais jovem e abertamente gay, sua orientação sexual passou quase despercebida na campanha, que se concentrou mais em propostas políticas.
A Holanda tem uma tradição histórica de defesa dos direitos LGBTQIA+, sendo o país pioneiro há 25 anos ao legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Caminho para o Governo: como Jetten pode virar premiê
Rob Jetten é o favorito para se tornar primeiro-ministro da Holanda, mas sua posse depende do sucesso nas negociações para formar uma coalizão governamental.
O D66, partido de Jetten, precisará chegar a acordos com outros partidos para conquistar mais da metade dos assentos no Parlamento. Isso geralmente envolve negociações sobre programas de governo e divisão de cargos ministeriais.
Você não precisa gastar com a transferência do dinheiro. Use o cartão multimoedas da Wise direto, com câmbio justo e sem tarifas abusivas. Prático, seguro e econômico. Peça já o seu!
Abrir Conta Multimoeda →
Depois que a coalizão estiver formada, o governo é formalmente apresentado ao monarca, que então nomeia o primeiro-ministro.
Devido à fragmentação do Parlamento holandês e à necessidade de consenso entre diferentes partidos, esse processo pode levar semanas ou até meses. Uma prioridade é excluir a extrema-direita da coalizão, garantindo estabilidade e moderação no novo governo.
Enquanto perde força na Holanda, radicalismo cresce em outras nações da Europa
O resultado da eleição na Holanda representou uma derrota para os partidos de extrema direita, que vêm ganhando força em outros países europeus.
Embora o PVV, partido de extrema-direita tenha mantido uma bancada significativa, ele perdeu sua posição de liderança e influência em relação a eleições anteriores.
A esquerda moderada ganhou mais espaço e capacidade de influenciar a formação do governo, contrariando a tendência de crescimento da extrema-direita vista em várias nações.
Segundo analistas, o resultado indica uma possível resistência no eleitorado holandês à agenda populista e nacionalista, com preferência por uma política mais moderada e plural.
Movimentos radicais mantêm crescimento no continente europeu
Enquanto a Holanda recuou no avanço da extrema-direita, França, Itália e Alemanha seguem o caminho oposto, mostrando uma Europa politicamente dividida entre moderação e radicalismo.
Na França, a queda de popularidade de Emmanuel Macron fortaleceu Marine Le Pen e a extrema-direita, enquanto a esquerda radical também cresceu, ampliando a polarização.
Assine nossa Newsletter e receba gratuitamente notícias, artigos e colunas do Euro Dicas sobre a Europa no seu email. Se você sonha em morar no Velho Continente, essa newsletter é feita para você!
INSCREVER GRÁTIS→
Na Itália, Giorgia Meloni consolidou o poder dos Irmãos da Itália, transformando o país em símbolo da nova direita radical europeia.
Na Alemanha, o AfD ganhou espaço com um discurso nacionalista e anti-imigração, tornando-se a segunda maior força no Parlamento.
O resultado é uma União Europeia bastante dividida, com países oscilando entre centrismo democrático e populismo nacionalista.
Partidos radicais pressionam e Europa aperta controle sobre imigração
O debate sobre imigração tem sido dominado por forças conservadoras e de extrema-direita, que defendem regras mais rígidas para entrada, permanência e acesso a benefícios sociais.
Na França, o governo aprovou em 2023 uma lei de imigração mais severa, endurecendo o acesso ao asilo e à naturalização e facilitando expulsões de imigrantes irregulares. A medida, apoiada pela direita e celebrada por Marine Le Pen, foi criticada por partidos de esquerda, que a classificaram como xenófoba.
Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni implementou o decreto Cutro, que limita proteções humanitárias e restringe o apoio a migrantes, além de propor centros de acolhimento fora do país. O discurso anti-imigração tornou-se central na política italiana.
Alemanha e Portugal também endurecem políticas migratórias
Na Alemanha, o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) pressiona por fechamento de fronteiras e políticas de “remigração”.
Embora uma lei anti-imigração tenha sido rejeitada em 2025, o governo vem reforçando a fiscalização e o controle das fronteiras, refletindo o impacto crescente da retórica da extrema-direita no debate público.
A pressão de partidos radicais, como o Chega, deixou sua marca no recente endurecimento das políticas migratórias também em Portugal. O governo de centro-direita aprovou um pacote de medidas mais restritivas, que incluem novas limitações para vistos de procura de trabalho, aumento de restrições ao reagrupamento familiar e maior rigor no combate à imigração irregular.
Retrocesso da direita radical holandesa indica caminhos para o continente
Segundo a análise de especialistas, o recuo da extrema-direita na Holanda pode indicar que seu discurso encontra resistência entre parte do eleitorado, especialmente quando partidos centristas oferecem propostas claras e unificadoras.
Para Christophe de Voogd, historiador e especialista na Holanda, há um recado claro vindo de terras holandesas:
“Este é um sinal que a Holanda está enviando ao resto do mundo hoje e especialmente aos seus vizinhos europeus. Pelo menos, é esse o sinal que eles querem enviar”.
Influência de Trump não impulsiona extrema-direita na Holanda
Asher van der Schelde, pesquisador da Ipsos, acrescenta que o impacto de Trump como presidente dos EUA não ampliou o apelo da extrema-direita na Holanda:
“Embora os eleitores mais fiéis de Wilders possam admirar as medidas do governo Trump para deportar imigrantes ilegais, outras políticas como tarifas e as ameaças de Trump, não se alinham aos interesses holandeses. Os eleitores estão cautelosos com o que consideram medidas antidemocráticas de Trump.”
Especialistas veem o resultado holandês como uma possível mudança de rota para a política europeia, mostrando que o eleitorado pode rejeitar o populismo de direita quando este não oferece soluções estáveis e inclusivas.
Por que os rumos da política na Holanda importam para brasileiros?
O resultado das eleições na Holanda e o recuo da extrema-direita podem indicar uma melhora nas condições para brasileiros (e outros estrangeiros) que vivem ou planejam viver na Europa, com maior estabilidade política, respeito aos direitos humanos e políticas migratórias mais justas.
As decisões dos partidos no poder impactam diretamente vistos, autorizações de residência, naturalização e o tratamento dado aos imigrantes. Governos que rejeitam discursos extremistas tendem a adotar políticas mais equilibradas e inclusivas, facilitando a adaptação e permanência dos brasileiros.
Por exemplo, partidos de extrema direita costumam propor leis que dificultam o acesso e o tempo de permanência, enquanto partidos centristas tendem a buscar equilibrar controle com inclusão.
Clima político centrado facilita a vida dos imigrantes
Um ambiente político moderado, livre de populismo e discurso de ódio, reduz o risco de xenofobia e discriminação, criando condições mais seguras e acolhedoras.
Além disso, governos centristas mantêm ou ampliam o acesso a serviços públicos, como saúde, educação e apoio social, essenciais para a integração e o bem-estar.

Como a Holanda exerce forte influência na União Europeia, o fortalecimento de partidos moderados pode equilibrar decisões migratórias em todo o bloco, beneficiando brasileiros e outros imigrantes.
Países com políticas mais abertas oferecem ambiente mais favorável para imigrantes, enquanto nações com políticas restritivas tendem a criar barreiras sanitárias, sociais e burocráticas.
Imigração segue como pauta central na política europeia
A imigração não é um tema passageiro, mas sim um pilar constante das transformações políticas, sociais e econômicas na Europa, afetando diretamente a vida de milhões de pessoas.
Com o envelhecimento da população e a falta de mão de obra, muitos países europeus dependem da imigração para manter os sistemas de bem-estar social e garantir a reposição da força de trabalho.
Conflitos, mudanças climáticas e crises em regiões vizinhas continuam gerando fluxos migratórios que desafiam as fronteiras e políticas de acolhimento europeias. A Europa é formada por países com abordagens diferentes sobre como lidar com a imigração, mantendo o tema sempre presente no debate político nacional e na União Europeia.
Acima de tudo, a imigração também é um tema estratégico para partidos populistas e extremistas, que exploram o debate para mobilizar eleitores e ampliar sua base, garantindo que a questão permaneça no centro da política europeia.
Holanda mostra rota para frear a extrema-direita europeia
A eleição na Holanda em 2025 tem sido apontada por especialistas como um possível momento de ruptura para as estratégias políticas em diversas nações europeias, especialmente no combate ao avanço da extrema-direita.
Analistas indicam que o resultado pode provocar uma reconfiguração das alianças e incentivar campanhas centradas no fortalecimento de forças moderadas e progressistas, com foco no diálogo e na inclusão. Pode sinalizar o início do declínio do sentimento anti-imigração na Europa.
Henri Bontenbal, líder democrata-cristão, ressaltou que a Holanda pode virar boa influência para a Europa:
“A experiência holandesa pode servir de referência para movimentos políticos em outros países que enfrentam a ascensão de partidos radicais.”
O analista Miguel Baumgartner também acredita na influência positiva:
“A eleição holandesa traz o melhor da Europa, destacando que o espírito cosmopolita e o diálogo plural são capazes de derrotar discursos radicais. O exemplo pode influenciar partidos progressistas em outras regiões a apostar em campanhas inclusivas e centradas em propostas concretas.”
Hora de ajustar rumos eleitorais na Europa?
Especialistas projetam que países com crescimento populista podem rever suas estratégias eleitorais, buscando ampliar alianças de centro-esquerda ou de centro-direita para isolar forças radicais e ultranacionalistas, diante das dificuldades da extrema-direita em formar coalizões estáveis e confiáveis.
Analistas confirmam que discursos radicais podem gerar atenção e apoio momentâneo, mas podem trazer riscos sociais e políticos a longo prazo. Eles dividem a população, enfraquecem a democracia, aumentam a insegurança social e criam crises econômicas.
Ao apostar em soluções rápidas e simplistas para problemas complexos, ignoram os impactos futuros e deixam todos vulneráveis, inclusive aqueles que os apoiam.
Deixe uma Resposta