A histórica livraria Latina, no Porto, que fechou portas no ano passado, reabriu nesta quinta-feira, agora sob gestão da Bertrand.
A reabertura do número 2 da Rua de Santa Catarina resulta, segundo comunicado da Bertrand, de um projecto de renovação que “torna possível a preservação do património da livraria”.
O nome não fica, mas a fachada icónica quer-se reconhecível e, por isso, a sua recuperação “é o próximo passo, permanecendo ainda pendente, devido ao rigoroso e complexo processo de restauro que exige”, lê-se.
A loja Bertrand tem três pisos abertos ao público e é no terceiro andar que se espera “uma programação regular que promove o contacto frequente com autores, editores, tradutores e outras pessoas e entidades ligadas à actividade editorial e livreira”. Para além disso, fica a promessa de uma “oferta mais alargada e com maior diversidade”.
Há pouco menos de um ano, o PÚBLICO noticiava o fecho da Leya na Latina. Em Outubro de 2024, Pedro Sobral, então presidente da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) e director-geral de edições do grupo Leya, justificava a decisão com a “enorme pressão imobiliária”, que levaria igualmente ao encerramento do espaço em Aveiro, no centro comercial Glicínias, e em Viseu, na livraria Pretexto.
Latina, 14 de Fevereiro de 2008
Paulo Pimenta
A explicação foi desmentida por Rui Moreira. “Eles resolveram encerrar a loja”, dizia o à data presidente da Câmara do Porto, que explicou que se se tratasse de especulação imobiliária, havia medidas que protegeriam o negócio.
Independentemente do motivo, é certo que, naquele canto onde acaba a Praça da Batalha, se prolonga a Rua de Santa Catarina e que olha de frente para a 31 de Janeiro, durante um ano nada houve. Aliás, o fecho da Latina tinha deixado aquela que é uma das zonas comerciais mais importantes do Porto sem livrarias de rua, depois do encerramento da Fnac em Outubro de 2024.
A livraria Latina erigida em 1942 resistiu à ditadura de Salazar, vendendo livros proibidos de forma clandestina. O espaço passou por três gerações da família Perdigão e, depois, pela Leya.
Agora, enquanto Bertrand, está aberta todos os dias das 10h às 19h e junta-se às 15 livrarias de rua inauguradas pelo grupo em edifícios históricos nos últimos anos.
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