Os cartazes da infâmia
Saúda-se a decisão do Tribunal Cível de Lisboa ao dar cumprimento aos valores da Constituição, travando mais uma acção de ódio primário dos novos bárbaros. Os portugueses que na sua pluralidade de credos gostam do 25 de Abril e das conquistas (mesmo insuficientes, ou incumpridas) que a democracia lhes proporciona desde 1974 só podem mesmo respirar de alívio pela derrota dos “amigos confessos de Salazar” neste episódio de verdadeira desonra nacional.
A liberdade é um direito máximo de cidadania democrática (cujo uso é limitado, porém, quando restringe, ameaça ou anula as liberdades de outros). Ora, a prática de quem assume (já às claras) o racismo, o negacionismo e o supremacismo branco só pode mesmo ser oposição às liberdades cívicas, pilares do sistema democrático.
Neste Natal, que é ou devia ser tempo de concórdia, só posso mesmo pedir mais e melhor resistência contra os promotores do ódio à solta: uma resistência sem cegueira, mas com esclarecimento, junto dos muitos incautos levados ao engano pelos cantos de sereia que põem pobres contra pobres e trabalhadores contra trabalhadores, ao serviço de grandes interesses.
Viva a Constituição de Abril, último garante dos direitos e deveres dos portugueses. E sim: contra o ódio primário, viva o antifascismo catedrático!
Vítor Serrão, Santarém
Os debates presidenciais<_o3a_p>
Vi todos os debates presidenciais, tirei notas e vi/ouvi as opiniões dos comentadores. Os esclarecimentos dos candidatos para as pessoas são poucos. Todos defendem mais ou menos o que os seus partidos dizem. É um bocado ridículo quererem passar a imagem de estarem acima dos partidos que os apoiam, quando todos vemos que não. Muitos evocam Mário Soares e Jorge Sampaio a pensar que vão sacar alguns votos. Penso que não. Esses presidentes tiveram coisas boas, mas também muitas más. Já passou, não dá votos. Todos se irritam e falam alto quando algo não lhes interessa. Todos acham que podem passar à segunda volta. Quase todos agora criticam Marcelo Rebelo de Sousa. Também devem estar a pensar que isso lhes dá votos. Penso que nenhum destes candidatos consegue chegar aos joelhos de Marcelo no perfil, no saber falar e entender as pessoas, na cultura, etc. Conclusão: algum destes candidatos irá ser o novo Presidente.
Porfírio Gomes Cardoso, Lagos
Cortinas na democracia
A Assembleia Municipal de Vila do Conde terá decidido no início deste mês deixar de transmitir as suas sessões em directo via Internet. Esta opção, além de incompreensível, representa um claro retrocesso democrático.
Num tempo em que se exige mais transparência, mais proximidade e mais escrutínio público, optar pelo apagão informativo é tornar a democracia local mais opaca e menos participada. As transmissões em directo eram uma ferramenta simples e eficaz para aproximar os cidadãos das decisões que influenciam o seu dia-a-dia, tal como acontece na Assembleia da República e em dezenas de assembleias municipais em todo o país. Retirá-las é retirar voz, retirar acesso e retirar confiança.
É uma decisão imperdoável, que afasta os vila-condenses da vida política do seu concelho e que não se coaduna com os valores de transparência que um órgão autárquico deve promover. A democracia fortalece-se com luz, nunca com sombras ou cortinas!
Telmo Ramos, Vila do Conde
A figura do ano
Depois de mais um ano em que, perante o continuado assassinato de milhares de crianças em Gaza, o completo silêncio ou mesmo a cumplicidade dos países ocidentais criaram um ambiente de impunidade, vemos o repetido assassinato nos mares das Caraíbas das tripulações de vários barcos, provocando mais de 80 mortos.
Essas execuções sumárias e cobardes foram cometidas apenas com base em supostas suspeitas de narcotráfico, quando os americanos dispunham no local de todos os meios para os interceptar, revistar e eventualmente prender para investigação, se a sua verdadeira intenção fosse o combate às redes da droga.
O mandante destes assassinatos, Donald Trump, nem sequer mereceu um simples reparo da maioria dos governantes dos países que todos os dias falam nos valores ocidentais; ao sagrar-se assim como o “assassino da Caraíbas”, Trump inaugurou um novo filme: o regresso à lei da selva. Voltamos aos tempos do corsário Francis Drake, apoiado e condecorado pela Coroa britânica.
Pelas piores razões, Trump é a figura do ano 2025: conseguiu, numa penada, um enorme retrocesso civilizacional.
José Cavalheiro, Matosinhos
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