“O barco vai”. O primeiro poema cantado por Carminho no portentoso novo álbum é um aviso à navegação: “Português vai, português vem, o corpo cai, o corpo dói”. Carminho vai, atravessa o mundo, canta o erguer e as derrocadas da vida, e retorna à casa de fado, numa placitude desorientadora. Este é um detalhe extraordinário: sorrateira, ano após ano, a fadista rompeu da acanhada Taverna do Embuçado, em Alfama, e chegou ao palco colossal que é o novo álbum de Rosalía, mantendo o pé no mesmo chão, aquele soalho rangente, de escalas menores e ritmos lentos, que é o nosso fado. E aproveito o embalo para aconselhar outros navegadores lusitanos, mais a resistir que a morrer de amor: Viva La Muerte, dos Mão Morta; Ferry Gold, da Garota Não; Capítulo Experimental, do DJ Narciso.
2025 NUMA CANÇÃO:
Sugar On My Tongue
Tyler, The Creator
(Columbia/Sony)
Não é preguiça, são factos: permitam-me retornar às conclusões do meu serviço de streaming, que apontou esta canção como a mais ouvida em 2025. Neste ano em que os despojos do mundo do hip hop foram divididos em dois — no outro lado, o frenesim cocainado dos Eclipse —, Don’t Tap the Glass é o primeiro álbum do músico descomplexado, com dez canções bem oleadas, de dança corpo no corpo. Sugar On My Tongue é a cereja em cima do bolo, o docinho que nos derrete, como açúcar na boca.
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LUX
Rosalía
(Columbia Records)
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