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Com escritórios em Portugal, Brasil, Espanha, México e Estados Unidos, a BUSUP, empresa de gestão de transportes corporativos, fechará este ano com faturamento próximo de 46 milhões de euros, 40% a mais que o registrado em 2024. A companhia, diz o cofundador e presidente para a América Latina, Danilo Tamelini, está diversificando suas operações e ampliando os negócios para países como Argentina, Colômbia, Itália e Grécia.

“Em Portugal, onde temos cerca de 60% do mercado de transporte corporativo, estamos alargando as operações para além de Lisboa e do Porto. Há grandes empresas se instalando no Norte e em outras regiões do país, onde vemos potenciais clientes”, afirma o executivo. “Na Grécia, acabamos de abrir uma nova vertente, que é a gestão de transportes escolares. Fechamos com um colégio com 1.800 alunos, que usará nossos sistemas para dar mais transparência e permitir um controle maior do transporte. Os ônibus são de propriedade da escola”, acrescenta.

A BUSUP surgiu em 2016, de uma sociedade de Tamelini com dois espanhóis e um português. À época, eles participaram de uma concorrência aberta pela União Europeia, por meio do programa Horizon 2020, e obtiveram um financiamento a fundo perdido de 1,5 milhões de euros para um projeto de mobilidade. O edital, inclusive, exigia a participação de um país de fora da UE, processo facilitado pela presença do executivo no Brasil — ele vem de uma família tradicional do ramo de transportes na região metropolitana de São Paulo.

Transporte compartilhado

De início, a BUSUP nasceu focada no projeto de transportes para eventos. “Criamos uma plataforma, que era adaptada com a marca de cada cliente e com a cara de cada festival. A plataforma gerenciava toda a parte de transportes dos eventos, da venda dos tíquetes de entrada até a volta ao local onde a pessoa havia embarcado. Eram transportes privados, seguindo linhas que nós mesmo criávamos. Fazíamos toda a gestão dos transportes dos principais festivais de Portugal, como o Rock in Rio Lisboa, e da Espanha”, ressalta o empresário. “Fomos até 2019 nesse modelo”, frisa.

Por conta dessas operações, começaram a aparecer em Portugal empresas de outros ramos interessadas no modelo operado pela BUSUP, que não tem nenhum ônibus ou frotas de caminhões. Seu negócio se concentra na gestão de transportes. Ou seja, contrata prestadores de serviços e faz todo o controle operacional, como levar colabores de empresas até os locais de trabalho e, ao final do dia, deixá-los em casa.

“Nosso primeiro cliente em Portugal foi o centro empresarial Lagoas Park, em Oeiras, região metropolitana de Lisboa. Ali, identificamos uma grande oportunidade de mercado para gerar mais eficiência, tanto do ponto de vista sustentável e de segurança, tirando veículos das ruas e, por consequência, reduzindo a emissão de gases poluentes e o número de acidentes, quanto de redução de custos”, assinala.

Foi nesse período que nasceu a primeira plataforma de transporte corporativo compartilhado da empresa. “Como no Lagoas Park havia vários interessados nos nossos serviços, oferecemos um modelo de transporte único. Em vez de cada firma se responsabilizar pelo transporte de seus colaboradores, todos os contratantes passaram a usar o mesmo veículo, cada uma pagando proporcionalmente de acordo com o número de usuários, tudo controlado por nós”, explica Tamelini.

Alavanca do Brasil

Ao mesmo tempo em que expandia as operações em Portugal, a BUSUP abria, em 2018, seu escritório no Brasil, que, atualmente, responde por 60% do faturamento da empresa. “No Brasil, surgiu a oportunidade de participarmos de uma concorrência para transportar os colaboradores do Walmart (que, posteriormente, encerrou os negócios em território brasileiro). Eu, que trabalho há muito tempo no segmento de transportes, sei que existe uma ineficiência grande nos contratos. Então, apresentamos uma nova proposta de rotas para o transporte dos passageiros, de acordo com os horários de trabalho de cada um. E conseguimos, nesse contrato específico, uma redução de 40% no número de rotas e de 30%, nos custos mensais”, relembra.

A presença no Brasil, onde o mercado de fretamento movimenta cerca de 2 bilhões (mil milhões) de euros por ano, acabou sendo um grande negócio para a BUSUP quando estourou a pandemia do novo coronavírus. “Se, em Portugal e na Espanha, vimos nossas operações encolherem, pois as atividades das empresas diminuíram após adotarem o home office, no Brasil, houve uma alta demanda por serviços essenciais, como os de empresas farmacêuticas. Também houve forte procura por parte das companhias de varejo, que, com o e-commerce, abriram vários centros de distribuição. Surfamos nessa onda e crescemos muito nesse modelo mais complexo de gestão”, afirma o executivo.

Hoje, a BUSUP tem 110 clientes corporativos em oito países, com mais de 180 operadores de transportes homologados. “Todos os prestadores de serviços que estão conosco são fiscalizados e devem apresentar todas as documentações exigidas, da carteira de habilitação do motorista às licenças dos veículos”, diz Tamelini. Ele destaca que esse mercado de transporte corporativo também está aquecido porque as empresas têm usado o serviço para reter talentos. Ou seja, oferecem o transporte para seus colaboradores de casa até o trabalho e vice-versa”, emenda.

Mais: “Por meio da nossa plataforma, uma empresa que tenha várias unidades operacionais, se preocupa com apenas um contrato de transporte, enquanto a BUSUP trata com todos os prestadores de serviços. Além disso, para as empresas que desejem manter o controle direto do transporte de seus colabores, oferecemos a nossa tecnologia para que possam fazer a gestão. Esse, acredito, é um caminho para exploramos com mais vigor”, assinala Tamelini.

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