A inflação em Portugal chegou ao final de 2025 com uma média anual de 2,3%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), marcando um ligeiro alívio face aos 2,4% registados em 2024. O registo confirma o abrandamento registado na evolução dos preços desde o início da guerra na Ucrânia, mas ainda fica acima da taxa de inflação do ano anterior a esse período (1,3% em 2021).

Segundo a estimativa rápida do INE, este valor resulta do equilíbrio entre a queda dos preços da energia e a persistência de pressões noutros componentes, em particular na alimentação e em alguns serviços.

Os dados provisórios indicam que a taxa de variação homóloga do índice de preços no consumidor (IPC) se manteve em 2,2% em dezembro, valor idêntico ao de novembro. Em cadeia, o índice terá subido 0,1% de novembro para dezembro, após uma queda de 0,3% no mês anterior, refletindo ajustamentos típicos do final do ano.

Um dos principais fatores por detrás da ligeira descida da inflação média anual foi o comportamento dos preços da energia. Em dezembro, o índice relativo aos produtos energéticos apresentou uma variação homóloga de -2,4%, acentuando a queda face aos -0,8% observados em novembro. Ao longo de 2025, a descida do custo da energia, o maior catalisador para a subida de preços quando deflagrou a guerra, teve um papel central na contenção da inflação, beneficiando da normalização dos mercados internacionais.

No mercado internacional, por exemplo, o Brent – petróleo que serve de referência para Portugal – teve o seu pior ano desde 2020, ano da pandemia e em que o consumo afundou, com uma desvalorização de 18%.

Em sentido oposto ao da energia, os produtos alimentares não transformados continuaram a pressionar o índice geral. A variação homóloga manteve-se em 6%, refletindo o impacto de custos de produção elevados, fatores climáticos adversos e ajustamentos nas cadeias de abastecimento, com efeitos diretos sobre o custo de vida das famílias.

Já a inflação subjacente, que exclui os produtos alimentares não transformados e os energéticos, por serem mais voláteis, apresentou uma evolução ligeiramente diferente. Em dezembro, este indicador terá registado uma variação de 2,1%, mais 0,1 pontos percentuais do que no mês precedente.

Turistas puxam pelos preços em dezembro

Além do IPC, o INE distingue também o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), utilizado para comparações na União Europeia. Ao contrário do IPC, o IHPC inclui a despesa realizada em território nacional por não residentes, o que torna este indicador particularmente sensível à evolução do turismo.

Em dezembro, o IHPC português registou uma variação homóloga de 2,4%, acima dos 2,1% observados no mês anterior, refletindo em parte a maior procura turística no final do ano, que pressionou os preços em sectores como o alojamento, a restauração e outros serviços associados.

Os dados definitivos do IPC de dezembro serão publicados a 13 de janeiro.

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