O casino da Póvoa de Varzim vai ter de mudar de mãos: o actual concessionário, a Estoril-Sol, não apresentou nenhuma proposta no concurso público internacional que decorreu até ao fim do ano.

A falta de uma oferta para continuar em jogo na Póvoa já fora noticiada pelo Expresso no final de Dezembro, e confirmada oficialmente em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) esta sexta-feira, 2 de Janeiro: “A Varzim Sol – Turismo, Jogo e Animação, SA [subsidiária da Estoril Sol] não apresentou proposta relativamente ao concurso público internacional que ainda decorre para atribuição de uma nova concessão daquela zona de jogo”.

Para já, o grupo que explora actualmente o casino confirmou que a sua subsidiária Varzim Sol assinou com o Estado português um aditamento ao contrato de concessão por um prazo de 120 dias, “contados de 1 de Janeiro de 2026”. O Governo já o tinha anunciado, e não só para a Póvoa, mas também para Espinho e Algarve, enquanto não termina a análise das ofertas.

Solverde deve ganhar Espinho

No relatório e contas do primeiro semestre de 2025, a Estoril-Sol tinha afirmado que sua subsidiária Varzim-Sol estava pré-qualificada para o concurso da zona de jogo, mostrando assim o seu interesse em ficar com a concessão.

Além da Póvoa de Varzim, a Estoril Sol detém a exploração dos casinos do Estoril e de Lisboa, tendo recebido a nova atribuição para esses dois espaços em 2023. Tem também licenças online. Comparando as receitas dos três casinos do grupo, o de Espinho é o de menor dimensão, com 17,5 milhões de euros de receitas brutas no primeiro semestre de 2025. O casino do Estoril ocupou a segunda posição, com 22,3 milhões de euros, cabendo a liderança ao casino de Lisboa, com 35,6 milhões.

No relatório e contas referente a 2024, os responsáveis do grupo diziam estar “expectantes quanto ao lançamento do concurso público, sendo intenção dos mesmos manter o Grupo Estoril-Sol enquanto líder em Portugal no sector da exploração dos jogos de fortuna ou azar de base territorial”.

A fase para a apresentação de propostas pelo casino de Varzim terminou a 29 de Dezembro. No dia 30, o jornal Expresso noticiou que o grupo francês Lucien Barrière foi o único a avançar com uma proposta para ficar com o casino da Póvoa de Varzim. O grupo explora 32 casinos, em França, mas também no Egipto e na Costa do Marfim.

O Expresso avançou ainda que a Solverde foi a única concorrente a apresentar nesta fase uma proposta para ficar com o casino de Espinho.

Já tinha havido uma fase de pré-qualificação, com oito candidatos, mas agora, pelo menos em duas das concessões, só dois deles passaram da manifestação de interesse proposta formal.

Algarve cobiçado

Falta saber o que se passará na zona de jogo do Algarve, apontada como o mais cobiçada: as ofertas pela exploração da concessão de casinos no Algarve – Praia da Rocha, Vilamoura e Portimão – podem ser apresentadas até dia 4 de Janeiro. Actualmente, a concessão pertence à Solverde.

No último comunicado do Conselho de Ministros, quando decidiu prorrogar as actuais concessões por 120 dias, o Governo escreveu que “o júri, constituído por dois dirigentes do Serviço de Regulação e Inspecção de Jogos, do Turismo de Portugal e por um magistrado designado pelo Ministério Público, fará de imediato o trabalho de análise das propostas e apresentação do relatório final”.

Segue-se depois “o período necessário para a entrega de documentos, prestação de caução e confirmação de compromissos necessários à celebração dos contratos de concessão”.

A decisão de prolongar as concessões foi decidida pelo Governo e logo promulgada pelo Presidente da República que, na nota divulgada, mencionou que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, não participou nesse processo. A Solverde era uma das clientes da sua empresa, a Spinumviva. Com Luís Villalobos

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