O conceito estratégico da NATO, aprovado em 2022, define a Rússia como a principal ameaça à segurança internacional, e considera que as ações da China representam um desafio aos interesses e valores da Aliança. Esta formulação já não serve. A doutrina e a prática da Presidência de Donald Trump passaram a constituir uma ameaça tão real e perigosa quanto a russa. Aliás, uma ameaça da mesma natureza, assente na força contra o direito, e com o mesmo objetivo, a divisão do mundo em “esferas de influência” em que as grandes potências dominariam e os restantes países beneficiariam apenas da soberania que elas lhes quisessem conceder. Partilha também da mesma lógica: o mundo seria uma arena em que os fortes competiriam entre si, não podendo ser travados no acesso aos recursos estratégicos senão pela respetiva relação de forças.

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