Depois da Venezuela, as atenções de Washington viram-se agora para norte, mais precisamente para a Gronelândia. Esta terça-feira, vários membros da administração norte-americana voltaram a falar sobre o objetivo de obter a ilha do Ártico — o tema, que já surgira no primeiro mandato de Donald Trump, tornou-se agora um foco central da nova estratégia de política externa dos Estados Unidos, à qual os aliados europeus se continuam a opor.

“O Presidente deixou claro que obter a Gronelândia é uma prioridade de segurança nacional dos Estados Unidos e que é vital para deter os nossos adversários na região do Ártico”, declarou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, numa nota enviada à CNN Internacional. Neste sentido, “o Presidente e a sua equipa estão a discutir um leque de opções para perseguir este objetivo importante de política externa e, claro, utilizar o Exército norte-americano é sempre uma opção à disposição do Comandante-em-Chefe”, rematou Leavitt.

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As declarações de Leavitt vão ao encontro das que foram feitas por Stephen Miller, um dos conselheiros mais próximos de Donald Trump, na véspera. Contudo, apesar de a Casa Branca não excluir uma ação militar na Gronelândia, esta pode não ser a abordagem preferencial, segundo relatou Marco Rubio a membros das comissões das Forças Armadas e de Política Externa do Congresso norte-americano.

Numa audiência esta terça-feira, o secretário de Estado norte-americano declarou que o plano passa por comprar e não por invadir a Gronelândia, avançou o New York Times que cita responsáveis norte-americanos com conhecimento das palavras de Rubio. No entanto, o chefe da diplomacia norte-americana não apresentou detalhes sobre o plano de compra.

Face ao aumento do interesse norte-americano, o território visado reagiu e solicitou uma reunião com Marco Rubio para discutir as “declarações significativas dos EUA sobre a Gronelândia”. A reunião contaria com a presença de Rubio, a ministra dos Negócios Estrangeiros, Vivian Motzfeldt, e o seu homólogo dinamarquês Lars Løkke Rasmussen. Ao mesmo tempo, Copenhaga também reagiu de viva voz às ameaças norte-americanas.

Num comunicado assinado em conjunto com os líderes de França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha e Reino Unido, a Dinamarca reconheceu a importância geoestratégica da Gronelândia no Ártico e o papel dos Estados Unidos como “parceiro essencial” para a segurança europeia na região. Mas rematou: “Cabe à Dinamarca e à Gronelândia, e somente a elas, decidir sobre questões relativas à Dinamarca e à Gronelândia”.



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