Uma alcateia com “pelo menos sete lobos” terá atacado um rebanho, deixando 14 ovelhas mortas, a maioria cordeiros, e uma gravemente ferida, segundo o proprietário. Em declarações à Lusa, Cândido Rodrigues explicou ter encontrado os animais mortos a meio da tarde de sexta-feira, ao abrir a cerca da propriedade na freguesia de Carção, no concelho de Vimioso. Terá sido a primeira vez que o seu rebanho foi alvo de ataque.
Para os pastores do Planalto Mirandês, os ataques de lobos são vistos como “uma calamidade” e pedem a atuação do Governo para ajudar a solucionar este problema que causa “avultados prejuízos”. A situação terá sido agravada pelos incêndios que devastaram grandes áreas do território transmontano e da vizinha Espanha, em 2025, afetando osecossistemas naturais e reduzindo as espécies selvagens que são alvo destes predadores.
Até 19 de setembro de 2025, o ICNF indicou ter registado 32 ataques de lobos na região do Planalto Mirandês, território fronteiriço do distrito de Bragança. Só no concelho de Miranda do Douro, num mês, foram registados cinco ataques de lobos nas localidades de Malhadas, Fonte Ladrão, Genísio, Águas Vivas e Palancar que resultaram na morte de algumas dezenas de animais e ferimentos graves noutras dezenas. Também houve relatos de ataques de lobos nos concelhos de Mogadouro e Vimioso em 2024 e em 2025.
Os produtores de ovinos e caprinos deste território transmontano estão preocupados com o facto de os ataques estarem a acontecer mais próximos das aldeias e pedem a atuação do Governo para ajudar a solucionar este problema.
Segundo o ICNF, o lobo ibérico possui em Portugal o estatuto de espécie em perigo, e integra a lista de espécies protegidas. Em julho, foi apresentado o Programa Alcateia 2025-2035, de proteção do lobo ibérico, que tem para este ano um orçamento de 3,3 milhões de euros e contempla a revisão das indemnizações por ataques de lobos a gado, aproximando-as dos valores de mercado.
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