As autoridades de saúde da Gaza anunciaram a morte de um quarto bebé devido a hipotermia severa. Zaher al-Wahidi, director de informação do Ministério de Saúde disse este domingo à Al Jazeera que um bebé de dois meses, Mohammed Abu Harbid, morreu no Hospital de Crianças al-Rantisi.
São já quatro as crianças que gelaram até à morte no enclave desde Novembro, e 12 desde o início da guerra em Gaza, em Outubro de 2023, depois dos ataques do Hamas a Israel. A hipotermia grave está associada a temperaturas corporais abaixo de 28oC.
Depois da fome imposta à população palestiniana por Israel antes da assinatura do cessar-fogo, as baixas temperaturas e as chuvas torrenciais continuam a agravar a crise humanitária em Gaza, onde a maioria das pessoas permanece deslocada e condenada a viver em tendas sem um mínimo de condições.
No dia 31 de Dezembro, a Unicef denunciou a morte de um menino de sete anos em Gaza (a sexta nesse mês), que se afogou a 27 de Dezembro durante “graves inundações” num acampamento improvisado para pessoas deslocadas internamente em Sudaniyeh, a noroeste da Cidade de Gaza.
As condições climáticas extremas e a falta de abrigos seguros continuam a ser uma condenação à morte de muitas crianças, que também não têm nos hospitais os cuidados necessários.
A Al Jazeera visitou a recém-criada ala neo-natal do Hospital al-Awda, no campo de refugiados de Nuseirat, onde a batalha para manter bebés prematuros vivos é inglória.
Ahmed Abu Shaira, membro da equipa médica, disse que os médicos estão de mãos amarradas: “Tentamos atingir uma determinada temperatura para a criança, mas sempre que o fazemos, há um corte de energia”.
A rede eléctrica está permanentemente a falhar e os israelitas não permitem a entrada de incubadoras com baterias, pelo que assim que a luz vai abaixo, as incubadoras arrefecem, o que é praticamente uma sentença de morte para os bebés.
“Enfrentamos muitos dilemas, incluindo a escassez de equipamentos médicos”, disse Abu Shaira ao correspondente da Al Jazeera.
No final do ano, a Unicef recordava que as agências humanitárias continuavam a insistir junto das autoridades israelitas para reconsiderarem a revogação das licenças de dezenas de parceiros humanitários que prestam assistência em todo o enclave.
O mesmo fizeram os ministros dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Islândia, Japão, Noruega, Suécia, Suíça e Reino Unido, num comunicado conjunto em que qualificaram a situação humanitária em Gaza como “catastrófica” e contabilizavam em cerca de 1,3 milhões de pessoas os palestinianos que continuavam a “necessitar urgentemente de apoio em termos de abrigo”.
Nesse comunicado de 31 de Dezembro passado, os governantes lembraram que o colapso total das infra-estruturas de saneamento deixou 740 mil pessoas vulneráveis a inundações tóxicas causadas pelas chuvas e que mesmo com algumas melhorias desde relatos de fome em Agosto, “a situação continua desesperada”.
“A maioria da população (1,6 milhões de pessoas) na Faixa de Gaza enfrenta níveis elevados de insegurança alimentar aguda” e há “obstáculos persistentes ao acesso humanitário”.
Os ministros apelavam a Israel que deixasse entrar no enclave organizações não governamentais internacionais e que levantasse “restrições irrazoáveis às importações consideradas de dupla utilização”, incluindo “equipamento médico e de abrigo urgentemente necessário”.
“As restrições estão a atrasar fornecimentos essenciais em todos os sectores e a impedir a reabilitação e reparação de infra-estruturas críticas”.
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