Para mal dos que andam na estrada a trabalhar para chegar ao lugar mais alto do serviço público em Portugal, o comentariado já decidiu: os candidatos são todos fracos e é por isso que não dá para adivinhar quem, dos cinco das sondagens, vai à segunda volta. É certo que nenhum liderou uma ação militar para impedir um golpe, como calhou de acontecer a Ramalho Eanes. Nem tinham idade para estar na oposição ao Estado Novo e na transição para a Democracia, como fez questão de estar Mário Soares. De igual forma, nem todos podem ser como Jorge Sampaio na defesa dos direitos humanos, com um trabalho notável em defesa da autodeterminação de Timor-Leste. Nem sequer, tendo aparecido com a democracia em andamento, tiveram a sorte de estar no sítio certo à hora certa, como Cavaco Silva no congresso da Figueira da Foz. E também é certo que ninguém passou de afilhado do anterior regime a político dos afetos, tendo estado na Constituinte e tendo-se afirmado como o comentador-mor do atual regime.

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