Eleições presidenciais em Portugal: provável segundo turno e o que está em jogo


As eleições presidenciais de 2026 em Portugal marcam o fim de um ciclo político e a escolha de quem vai ocupar o cargo mais alto do Estado pelos próximos cinco anos, num ano em que a Europa vive um calendário eleitoral intenso.

Votação das eleições presidenciais em Portugal

Um novo presidente em 18 de janeiro

As eleições portuguesas para Presidente da República estão marcadas para domingo, 18 de janeiro de 2026, segundo o calendário oficial da Comissão Nacional de Eleições (CNE).

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O atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, está concluindo o seu segundo mandato, limite previsto na Constituição e não pode voltar a candidatar-se. Cada ciclo presidencial tem duração de cinco anos.

Quase 11 milhões de portugueses estão recenseados e poderão participar da votação no domingo.

Com o lugar vago, diferentes figuras da política portuguesa entraram na corrida presidencial, representando partidos de vários espectros ideológicos. As legendas têm articulado estratégias e alianças, antecipando a possibilidade de um segundo turno (ou segunda volta, como se diz em Portugal) caso nenhum candidato consiga a maioria absoluta dos votos válidos na primeira volta.

Conheça os 11 candidatos oficialmente validados

11 candidatos válidos à Presidência:

  • André Pestana (sem partido);
  • André Ventura (Chega);
  • Antônio Filipe (Partido Comunista Português- PCP);
  • Antônio José Seguro (Partido Socialista – PS);
  • Catarina Martins (Bloco de Esquerda – BE);
  • João Cotrim Figueiredo (Iniciativa Liberal – IL);
  • Jorge Pinto (Livre);
  • Henrique Gouveia e Melo (sem partido);
  • Humberto Correia (sem partido);
  • Luís Marques Mendes (Partido Social Democrata – PSD e Centro Democrático Social – Partido Popular – CDS-PP);
  • Manuel João Vieira (sem partido).

No entanto, o boletim de voto terá 14 nomes. Isso acontece porque Joana Amaral Dias, José Cardoso e Ricardo Sousa apresentaram candidaturas, mas a documentação entregue ao Tribunal Constitucional não cumpria todas as exigências legais. Por esse motivo, eles foram excluídos da eleição.

candidatos a presidente de Portugal em 2026
Os 11 candidatos participaram de debates na televisão portuguesa. Foto: Euronews

Apesar disso, segundo a Comissão Nacional de Eleições, já não havia tempo para reimprimir os boletins de voto sem esses três nomes. Por isso, eles continuam aparecendo no boletim, mesmo não sendo candidatos elegíveis.

O que dizem as pesquisas mais recentes?

Uma sondagem da Universidade Católica para a RTP, Antena 1 e Público mostra que a eleição presidencial de 2026 tende a ir para um segundo turno, porque nenhum candidato alcança a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno.

Segundo a pesquisa, André Ventura aparece em primeiro lugar com cerca de 24% das intenções de voto, seguido de António José Seguro com 23%. João Cotrim de Figueiredo surge em terceiro com 19%, dentro da margem de erro, o que ainda o mantém na disputa por um lugar no segundo turno.

Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes ficam mais atrás, com cerca de 14% cada, enquanto outros candidatos têm percentuais muito menores. A sondagem também revela que há cerca de 15% de indecisos, indicando que o cenário ainda pode evoluir até o dia da votação.

Os leitores ainda indecisos podem utilizar ferramentas criadas para conhecer mais sobre os candidatos, como o Votômetro do Jornal Observador e o Quiz Eleitoral do Jornal Expresso.

Cenários previstos para um possível segundo turno

O estudo aponta ainda que, num possível segundo turno, Antônio José Seguro e Henrique Gouveia e Melo têm níveis mais altos de aceitação entre os eleitores, enquanto Ventura tem maior rejeição, o que poderia influenciar os resultados num eventual confronto direto.

Outro fator importante é que ainda existe um número significativo de eleitores indecisos ou que podem se abster. Nas eleições presidenciais anteriores, a abstenção chegou a 60,76%, a mais alta da história em Portugal para este tipo de votação.

O cenário segue indefinido devido à alta taxa de eleitores indecisos, segundo as sondagens.

Mesmo assim, com base nos dados mais recentes, o quadro aponta para uma disputa equilibrada, sem um candidato claramente favorito para vencer já na primeira volta.

A eleição presidencial em Portugal será bastante acirrada e provavelmente decidida no segundo turno, um desfecho que não ocorre há décadas no país, desde 1986. Se houver um novo turno, será realizado no dia 8 de fevereiro, porque a lei determina que ocorra três semanas após a primeira votação.

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Como funciona a eleição em Portugal: curiosidades importantes

A eleição presidencial em Portugal tem algumas características próprias que costumam gerar dúvidas, especialmente para quem vem de sistemas políticos diferentes, como é o caso do Brasil.

Uma das principais curiosidades é que não é obrigatório ter partido para concorrer. Qualquer cidadão português pode se candidatar à Presidência da República como independente, desde que reúna o número mínimo de assinaturas exigido por lei. Ainda assim, é comum que partidos apoiem candidatos independentes, mesmo sem filiação formal.

Outro ponto que chama atenção é o modelo de votação. Em Portugal, a eleição não é eletrônica. O voto é feito em cédula de papel, onde o eleitor marca o candidato escolhido e deposita o boletim na urna. Esse sistema é utilizado em todas as eleições no país.

Resultados saem em poucas horas

Mesmo sendo uma votação em papel, os resultados costumam sair rapidamente. Portugal tem um território relativamente pequeno, menos eleitores em comparação com países como o Brasil e um sistema de apuração descentralizado e eficiente.

Normalmente, poucas horas após o encerramento da votação, já é possível conhecer o resultado final ou, pelo menos, uma tendência praticamente irreversível.

Nas eleições presidenciais, a população escolhe apenas o presidente da República. O primeiro-ministro surge a partir das eleições legislativas, nas quais os cidadãos votam para o Parlamento. O presidente, então, convida para formar governo o líder do partido ou da coligação que conseguiu maioria ou condições políticas para governar.

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Trata-se de um sistema semipresidencialista, no qual o presidente tem funções institucionais importantes, enquanto o poder executivo do dia a dia é exercido pelo primeiro-ministro com apoio do Parlamento.

Voto é opcional

Também vale destacar que o voto em Portugal não é obrigatório. A participação nas eleições é facultativa, ou seja, cada cidadão decide livremente se quer ou não votar.

Mesmo assim, a taxa de comparecimento costuma ser significativa, especialmente em eleições presidenciais, que tendem a mobilizar mais o eleitorado. Não há multa nem penalidade para quem opta por não votar.

O que faz o presidente de Portugal

O presidente da República em Portugal é, antes de tudo, o chefe de Estado e tem funções essencialmente representativas e institucionais: representa o país no exterior, garante a independência nacional e o funcionamento regular das instituições democráticas.

Apesar dessa natureza mais simbólica, o cargo concentra poderes relevantes, como promulgar ou vetar leis, dissolver a Assembleia da República em situações específicas e nomear o primeiro-ministro tendo em conta os resultados eleitorais e a correlação de forças no Parlamento.

Presidente é responsável por promulgar decretos‑leis

Ele também pode promulgar decretos-lei, que não precisam passar pelo Parlamento, como aconteceu, por exemplo, com a medida encerrou as manifestações de interesse.

O presidente atua ainda como representante oficial de Portugal, o que é fundamental em acordos com outros países. No caso do Brasil, por exemplo, essa função influencia a diplomacia e as políticas voltadas às comunidades portuguesas residentes.

Essas competências permitem ao presidente influenciar o rumo de políticas públicas, porque pode devolver diplomas ao Parlamento, forçar eleições antecipadas ao dissolver o Parlamento ou recusar nomear determinadas soluções governativas, o que, na prática, também impacta áreas sensíveis como economia, direitos sociais e imigração.

Presidente ou Primeiro-Ministro: entenda quem exerce o poder no dia a dia

No sistema semipresidencialista, o presidente não é menos importante, mas exerce um papel diferente do chefe de governo.

Em Portugal, o presidente da República não governa no dia a dia, como ocorre em sistemas presidencialistas, por exemplo. Essa função cabe ao primeiro-ministro e ao governo, que conduzem as políticas públicas e a administração do Estado. Isso pode dar a impressão de que o presidente tem um papel secundário, mas não é o caso.

O presidente tem poderes institucionais relevantes. Ou seja, não decide tudo no cotidiano, atua em momentos previstos pela Constituição, como dissoluções parlamentares ou nomeações de governo.

Por isso, no semipresidencialismo, o presidente é uma figura de equilíbrio e garantia do funcionamento das instituições, enquanto o governo é responsável pela gestão diária do país. Não se trata de menos importância e sim de uma divisão clara de responsabilidades entre os poderes.

Por que isso importa para imigrantes brasileiros

Embora o presidente não crie sozinho leis de imigração, as suas decisões podem afetar o ambiente político em que essas regras são discutidas e aprovadas, incluindo temas como regularizações extraordinárias, integração, acesso a serviços públicos e resposta a eventuais propostas de endurecimento.

Ao vetar ou promulgar leis, ao escolher dissolver (ou não) o Parlamento e ao nomear o primeiro-ministro, o presidente pode favorecer maior estabilidade, abrir espaço para maior diálogo ou, ao contrário, contribuir para fases de conflito político que atrasem ou travem mudanças em políticas migratórias.

Para brasileiros que vivem em Portugal, isso significa que o resultado das presidenciais pode, ainda que de forma indireta, influenciar:

  • O clima geral sobre imigração;
  • O grau de abertura do país à integração de estrangeiros;
  • E o tom do debate público sobre direitos, reconhecimento de documentos, facilitação da nacionalidade e programas específicos para imigrantes de língua portuguesa.

Quem pode votar nas eleições presidenciais

Nas eleições presidenciais, o direito de voto pertence aos cidadãos portugueses recenseados (ou seja, inscritos na lista oficial de eleitores mantida pelas autoridades), incluindo os que residem no estrangeiro. A exceção são as eleições autárquicas, em que as regras são diferentes.

Brasileiros com nacionalidade portuguesa, isto é, que já obtiveram a cidadania e o respectivo Cartão de Cidadão, votam como qualquer outro cidadão português, desde que estejam inscritos no recenseamento eleitoral no local de residência (em Portugal ou no exterior).

Brasileiros que apenas possuem autorização de residência, sem nacionalidade, não votam para Presidente da República, a menos que também tenham o Estatuto de Igualdade de Direitos Políticos.

Estrangeiros que moram em Portugal só podem votar em alguns tipos de eleição, como as autárquicas (prefeito e vereadores locais). Para isso, é preciso se inscrever antes no recenseamento eleitoral.

Estar recenseado é condição indispensável para votar: o eleitor é associado a uma assembleia de voto e só assim o seu nome consta do caderno eleitoral no dia da eleição.

Marcelo Rebelo de Sousa: balanço de uma década no Palácio de Belém

Ao longo de quase 10 anos no cargo, Marcelo Rebelo de Sousa foi bem avaliado pela maioria dos portugueses, mesmo que tenha enfrentado desgaste nos últimos anos e críticas em diversos dossiês.

Ele foi eleito presidente da República em 2016 com 52% dos votos na primeira votação. Cinco anos depois, em 2021, foi reeleito com 60,7% dos votos.

Uma pesquisa da Pitagórica para TVI/CNN Portugal, no final de 2025, indicou que 56% dos entrevistados consideram “positiva” a atuação de Marcelo, contra 40% que a classificam como ruim ou muito ruim.

Outro estudo divulgado em janeiro de 2026 confirma o mesmo padrão: a maioria dos portugueses avalia positivamente os 10 anos de mandato, consolidando um saldo favorável na opinião pública.

O presidente próximo do povo

Marcelo iniciou o primeiro mandato, em 2016, com notas muito altas nas sondagens, frequentemente acima da média de presidentes anteriores, beneficiando-se da imagem de proximidade e de “presidente dos afetos”.

Perto do fim do segundo mandato, sua avaliação permanece positiva, mas com notas mais baixas e maior polarização, refletindo o desgaste natural de quase uma década no cargo e controvérsias em alguns momentos da política nacional.

Presidente de Portugal
Presidente Marcelo tem forte presença popular, mas não pode concorrer em 2026, pois já completou o limite de mandatos permitidos. Foto: DN Brasil

Os estudos de opinião indicam que a maioria reconhece pontos positivos em sua forma de exercer o cargo, embora Marcelo seja classificado atrás de pelo menos quatro presidentes na hierarquia histórica de avaliação pelos portugueses.

Entre os principais pontos de crítica estão a suposta tolerância excessiva com certos governos e a gestão de crises políticas, mas isso não impediu que sua imagem geral se mantivesse tendencialmente favorável.

Segundo os dados publicados, Marcelo deixa o Palácio de Belém com um saldo positivo, consolidando-se como uma figura respeitada e popular, mesmo diante de desafios e controvérsias ao longo de sua presidência.

Um momento decisivo, dentro e fora de Portugal

A eleição de 18 de janeiro acontece num ano em que vários países europeus também vão às urnas, o que pode redesenhar equilíbrios políticos no continente e influenciar debates sobre democracia, integração europeia e mobilidade.

A Europa começa 2026 com um calendário eleitoral movimentado, que inclui eleições presidenciais, legislativas e locais em países estratégicos, como Reino Unido, Hungria e Rússia.

De acordo com o Instituto de Política Europeia, as eleições nos países membros da UE são especialmente importantes, pois definem a composição do Conselho Europeu e do Conselho de Ministros.

Fim do mandato de Marcelo abre espaço para nova liderança

Em Portugal, o fim do ciclo de Marcelo Rebelo de Sousa abre espaço para uma nova liderança no Palácio de Belém, com estilos e prioridades diferentes, mas sempre dentro dos limites constitucionais do cargo.​

Para portugueses e imigrantes, incluindo quem deseja morar em Portugal, acompanhar o processo, entender o papel da Presidência e conhecer as regras de participação é essencial para avaliar o impacto político dos resultados e, para quem tem direito de voto, tomar uma decisão informada e alinhada com a própria visão de futuro para o país.



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