
O antigo ministro francês da Cultura, Jack Lang, demitiu‑se da presidência do Instituto do Mundo Árabe (IMA) depois de o Ministério Público francês ter aberto uma investigação preliminar por suspeitas de “branqueamento de produto de fraude fiscal”. A informação foi avançada pelo Politico e confirmada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros francês.
A investigação foi desencadeada após uma reportagem do jornal de investigação francês Mediapart, que revelou a existência de um fundo offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, detido conjuntamente por Jeffrey Epstein e Caroline Lang, filha do ex‑ministro. Segundo o Mediapart, Caroline Lang constava ainda como beneficiária de cinco milhões de dólares no testamento de Epstein. A filha de Lang afirmou ao jornal que o fundo se destinava a apoiar artistas emergentes e que desconhecia a referência no testamento.
Jack Lang, que em 2020 admitira ao Politicoter mantido relações financeiras com Epstein, enfrentava crescente pressão pública e institucional. Na carta de demissão enviada ao ministro Jean‑Noël Barrot, Lang rejeita as suspeitas: “As acusações contra mim são imprecisas, e provarei isso, para lá do ruído e da fúria dos tribunais mediáticos e digitais.”
A mais recente vaga de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos inclui correspondência de Epstein onde surge uma fotografia de Lang com o financista junto à pirâmide do Louvre. A imagem foi enviada por Epstein a Steve Bannon, antigo estratega de Donald Trump. Lang e a filha reconheceram, na semana passada, que mantiveram uma relação próxima com Epstein ao longo dos anos. O ex‑ministro afirmou ao Politico que “nunca teve conhecimento dos crimes” do financista.
Aos 86 anos, Jack Lang é um nome central da vida cultural e política francesa. Foi ministro da Cultura nos anos 1980 e 1990, durante a presidência de François Mitterrand, período em que impulsionou a renovação do Louvre e a construção da pirâmide. É também o criador da Fête de la Musique, celebrada anualmente a 21 de junho.
Lang dirigia o Instituto do Mundo Árabe desde 2013. A sua saída abre agora um período de incerteza para uma instituição que funciona como ponte cultural e diplomática entre França e os países árabes.

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