José Avillez: “Ao princípio assustava-me um bocado, hoje percebo que a IA amplifica-nos. Comecei a aprender piano e trading com ela”

“Nós temos supercomputadores no bolso, não há razão para termos dúvidas de quase nada se tivermos curiosidade.” Quem o diz é José Avillez, e curiosidade talvez seja uma das palavras que melhor o define. O chef português usa ferramentas como ChatGPT, Claude, Perplexity e Grok para organizar a agenda, fazer brainstorming e até análise de trading.

“Tenho assinaturas em vários modelos e uso quase sempre logo de manhã”, explica Avillez numa conversa sobre inteligência artificial com o jornalista João Miguel Salvador e Paulo Dimas, CEO do Centro para a IA Responsável.

“Viajo muito sozinho para Macau ou Dubai e dou por mim a conversar com estes modelos sobre ingredientes na estação ou eventos que aconteceram na restauração noutros países.” Pelo meio do processo, o chef cruza respostas de vários modelos para evitar aquilo a que chama “alucinações”.

Nuno Fox

Apesar do entusiasmo, Avillez é claro quanto aos limites: “Não há criatividade nestes modelos.” Ainda assim, defende que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta poderosa, desde que usada com curiosidade e “um grande sentido crítico”.

O chef conta que começou a aprender piano durante a pandemia, num período em que explorou novos interesses pessoais. Mais tarde, viria a usar a inteligência artificial de forma intensiva noutras áreas, como o trading, admitindo que não saberia hoje o que sabe sem a ajuda destes modelos.

Pai de dois adolescentes, de 14 e 16 anos, Avillez diz que já deixou um aviso em casa: “Não dá para deixarem de estudar. Se não souberem dos assuntos, vão acabar num rolo de estupidez.”

Avillez admite que ainda não encontrou um modelo de IA capaz de apresentar boas receitas, mas mantém uma expectativa positiva sobre o impacto da tecnologia no quotidiano. “Tenho esperança de que o que estes modelos de inteligência artificial vão trazer à humanidade seja mais tempo e mais espaço para vivermos a nossa vida com as pessoas da nossa vida.”

Nuno Fox

Nesta conversa com três humanos e um chatbot, Paulo Dimas destaca a democratização: 38% dos portugueses usam IA generativa, segundo o Eurostat, graças a barreiras baixas. Mas há riscos: modelos pagos superam os gratuitos, e o sotaque brasileiro domina o português europeu.

A Lupa, a IA residente do podcast, lança a provocação: “Será que a IA replica o perfume de um prato ou apenas otimiza a receita?”

Avillez, leitor assumido de António Damásio, aponta aquela que considera ser a grande falha da tecnologia: “Estes modelos de inteligência artificial nunca vão ter vida.” Ainda assim, regressa à ideia central da conversa: “Temos supercomputadores no bolso, não há razão para termos dúvidas de quase nada se tivermos curiosidade.”

Oiça o episódio completo no topo deste artigo.

Matilde Fieschi

A Lupa foi treinada para seguir o código de conduta jornalística do Expresso, mas também para intervir com humor, espírito crítico e uma personalidade própria.

Desenvolvida por Paulo Dimas com base em ferramentas da Google, a Lupa tem ainda um corpo digital criado pela IDMind.

O objetivo é que este quarto elemento da conversa introduza perguntas, dúvidas e correções sempre que necessário, contribuindo para uma reflexão mais rica sobre o papel da inteligência artificial nas nossas decisões, relações e rotinas profissionais.

Com o apoio do Centro para a IA Responsável, do Gabinete de Robótica Social do Instituto Superior Técnico e da IDMind, o podcast Quatro à Conversa propõe-se explorar semanalmente o uso real da inteligência artificial, através de conversas com convidados que já a integram no seu dia a dia.

Matilde Fieschi

A Lupa estará sempre presente, a ouvir, a aprender e a desafiar os que estão à mesa e os próprios ouvintes do podcast.

Tiago Pereira Santos

Ao lado do jornalista João Miguel Salvador estão Paulo Dimas, CEO do Centro para a IA Responsável, e a Lupa — o chatbot do Expresso, ligado a um robô da IDMind — que participa ativamente no debate à mesa. Sandra Andrade e Joana Campos, do Instituto Superior Técnico, surgem também em estúdio em contexto de investigação científica. A sonoplastia é de Salomé Rita.

Quatro à Conversa é um podcast sobre a experiência de quem usa inteligência artificial no dia a dia, com dicas úteis, dilemas éticos, mitos e até alucinações tecnológicas. Há um novo episódio todos os domingos.

Todos os episódios estão disponíveis em Expresso.pt e nas principais plataformas de podcasts.

A Próxima Vaga

* A sinopse deste episódio foi criada com o apoio de IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa.

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