Dez anos de Marcelo
Chegou ao fim. Dez anos de Marcelo. Serão escritas inúmeras resenhas do que foram estes anos, mas eu avanço já. Um Presidente único, irrepetível. Todos os presidentes o são, mas este foi mais. “The one and only” Marcelo. O Presidente dos afectos, das selfies, dos beijinhos (e, às vezes, dos piropos). Claramente um populista, mas um populista esclarecido (valha-nos isso).
Um católico. Mas que, como chefe de um Estado laico, nunca conseguiu separar as suas convicções religiosas da função de Estado que desempenhava, como é bom exemplo o caso da lei da eutanásia, que conseguiu arrastar durante anos, tantos anos, que terá que ser o próximo Presidente a resolver o assunto.
O Presidente das viagens… quantas terão sido? Ao Brasil, aos PALOP, a Roma, ninguém ainda fez a conta, acho eu. O Presidente do “jeitinho”, do “vejam lá o que se pode fazer”, o Presidente do “caso das gémeas”. O melhor amigo de António Costa (mais amigo que muita gente do PS). O das dissoluções da Assembleia da República. E eu cá fico à espera do acto final: do livro de fotografias que laboriosamente andou a fazer ao longo de dez anos (com Trump incluído). Adeus, Marcelo.
Fernando Vieira, Lisboa
Afinal, a tropa existe
No início de Fevereiro, escrevi uma carta que foi publicada e que perguntava “Onde anda a tropa de engenharia?”. Passados dois ou três dias verifiquei com satisfação que, finalmente, as forças armadas estavam ao serviço dos cidadãos, o que prova que, na realidade e por muito que queiram dizer que não, o que faltou foi uma resposta urgente e adequada às circunstâncias, embora se soubesse bem e com antecedência que o que viria poderia ser grave.
Para além das figuras tristes de Leitão Amaro e o seu vídeo, Nuno Melo e a sua encenação e de Maria Lúcia Amaral e a sua falta de empatia com os microfones, ficamos a saber que não existe, na realidade, um verdadeiro plano pormenorizado e concreto sobre o que fazer em caso de “catástrofe”. Não podemos continuar a ter no Governo amadores. Precisamos, sim, de um primeiro-ministro que seja competente e que forme um Governo com pessoas competentes para as respectivas áreas, em vez de queimar pessoas muito prestigiadas, como é evidentemente o caso de Maria Lúcia Amaral. Mais vale tarde do que nunca, mas, nos primeiros dias do início desta série de ocorrências, o Governo esteve mesmo a dormir. Será desta que vamos aprender?
Manuel Morato Gomes, Senhora da Hora
Mudar para pior
Lendo a crónica “O que (se) passa na Antena 2”, de Sérgio Pelágio, no PÚBLICO de 5 de Fevereiro, com a qual concordo em absoluto, lamento o “trabalho” que vem sendo feito pela administração de Nicolau Santos na rádio pública, sobretudo na área da música. De facto, além de ter acabado com alguns programas de qualidade indiscutível, como o de David Ferreira (Antena 1) e o de João A. Guerra (Antena 2), a qualidade da música que passa na Antena 1 (com algumas excepções) deixa muito a desejar. Não se contribui, pois, para a educação musical dos ouvintes, papel que a rádio pública deveria assumir.
M. Guilhermina Nogueira, Arcozelo
Dúvidas sobre o vinho do Porto
Costumo iniciar a leitura do PÚBLICO de sábado pelo artigo de Pedro Garcias, que, além de ter piada e ideias, escreve muito bem. Desta vez, porém, fiquei perplexo, porque não entendi a prosa: afinal, o vinho do Porto deve ser enriquecido com aguardente do Douro ou não? Se sim, o facto de uma lei determinar que o deve ser exclusivamente protege ou não a qualidade do vinho e os interesses dos produtores – e dos consumidores? Se é irrelevante que a aguardente seja proveniente da região, então onde falha o parecer do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP)?
De uma coisa o articulista pode estar certo: nós, os consumidores, não temos em geral conhecimento para fazer uma boa escolha quando compramos uma garrafa de Porto (o que, por isso, evito fazer, agravando ainda mais a ignorância). Se ajudasse a esclarecer este e outros aspectos ligados ao assunto, ser-nos-ia muito favorável. Por exemplo: o que significam as menções LBV, Tawny, etc.?; é um sinal de diferença da qualidade o engarrafamento ser concluído com uma rolha de tampagem e reabertura fácil, ao invés de uma rolha de cortiça comum?; que menções relevantes constam do rótulo para uma escolha criteriosa, etc.?
Sérgio Carvalho, Lourinhã

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