Líder escocês do Labour pede a Starmer para que se demita – Observador



O líder do Partido Trabalhista Escocês, Anas Sarwar, defendeu esta segunda-feira a demissão do primeiro-ministro britânico e afirmou que a prioridade é “a Escócia e o seu futuro”, a três meses das eleições regionais. Ainda assim, os aliados mais próximos de Keir Starmer e membros do governo britânico pretendem que o chefe do executivo continue no cargo.

Numa conferência de imprensa em Glasgow, transmitida em direto pelas televisões britânicas, Sarwar reconheceu a “amizade genuína” com Keir Starmer, tendo já comunicado aquela decisão ao primeiro-ministro britânico e líder trabalhista, que discordou.

“Não estou disposto a sacrificar o NHS [serviço de saúde] escocês, as nossas escolas e comunidades para permitir uma terceira década de um governo do SNP [Partido Nacional Escocês]”, justificou Sarwar. O líder trabalhista escocês disse que “a distração em Londres tem de terminar e a liderança em Downing Street precisa de mudar”.

Sarwar defendeu que o escrutínio de 7 de maio, quando se vão realizar as eleições para a assembleia e governo autónomos da Escócia representa uma “oportunidade demasiado importante para ser desperdiçada”.

Além da Escócia, realizam-se no mesmo dia eleições regionais no País de Gales e eleições autárquicas em muitas partes de Inglaterra.

Anas Sarwar é o dirigente trabalhista mais importante a defender a demissão de Keir Starmer, também pedida por alguns deputados do partido no Governo.  No entanto, Keir Starmer, no poder desde julho de 2024, descartou esta manhã a possibilidade de se demitir, indicou o porta-voz do chefe do Governo britânico, salientando que o líder trabalhista continua “concentrado no trabalho”.

A líder da oposição conservadora britânica, Kemi Badenoch, afirmou que a posição do primeiro-ministro britânico é insustentável.

Keir Starmer, eleito há 19 meses, está sob pressão depois de ter admitido que aprovou a nomeação de Peter Mandelson como embaixador britânico nos Estados Unidos, apesar de saber que o Mandelson manteve contacto com o pedófilo norte-americano Jefrey Epstein, depois de este ter sido condenado em 2008 por aliciar uma rapariga de 14 anos para ter relações sexuais.

O fim de Keir Starmer? Nomeação do “melhor amigo” de Epstein para embaixador nos EUA deixa primeiro-ministro sob fogo

Peter Mandelson foi demitido do cargo de embaixador em setembro de 2025, após a publicação de documentos que detalhavam a extensão dos laços que manteve com Epstein, que morreu na prisão em 2019, em Nova Iorque, nos EUA.

Documentos recentemente divulgados reacenderam a controvérsia, além de terem acrescentado a suspeita de que Mandelson terá passado informações confidenciais a Epstein quando era ministro do antigo primeiro-ministro britânico Gordon Brown.

Entretanto, o diretor de comunicação do primeiro-ministro Tim Allan anunciou a demissão, acentuando a crise em Downing Street, um dia depois da demissão do chefe de gabinete de Starmer Morgan McSweeney.

“A nomeação de Peter Mandelson foi um erro. (…) Quando consultado, aconselhei o primeiro-ministro a avançar com a nomeação e assumo total responsabilidade por este conselho”, escreveu o chefe de gabinete Morgan McSweeney em comunicado, no domingo.





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