O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou esta terça-feira, 10 de Fevereiro, para mais chuva e vento nas próximas 24 horas, devido à depressão Nils, apesar de esta não “influenciar directamente” Portugal continental. A Protecção Civil voltou a pedir cuidados redobrados perante o risco significativo de inundações em vários rios portugueses, em especial no Mondego, que continua com cotas “bastante elevadas”.
“Há um risco claro de os diques poderem colapsar. Em nome da precaução, o que é fundamental é retirar pessoas que estão nas áreas de risco”, afirmou esta noite o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em conferência de imprensa, após uma reunião de emergência com autarcas e equipas de protecção civil da região.
Segundo Pimenta Machado, está prevista “uma brutalidade” de precipitação na quarta-feira, 11, registando-se dois dias em que chove 20% do que chove num ano”, pelo que será necessário monitorizar a situação durante toda a madrugada. “No fundo, perceber se temos condições de que aqui no açude de Coimbra nunca seja ultrapassado o valor dos 2000 metros cúbicos por segundo, que é o valor para o qual os diques foram dimensionados.”
Às 20h de terça-feira, o Açude-Ponte registava 1803 metros cúbicos por segundo.
Tendo em conta as previsões para as próximas horas, a Câmara Municipal de Coimbra decidiu retirar entre 2800 a 3000 pessoas de casas junto ao Mondego. Apesar de estes serem números globais, “muitas pessoas” já terão saído para casa de familiares, disse a presidente do município, Ana Abrunhosa, nas instalações da APA, em Coimbra.
Em causa está a evacuação preventiva das povoações de Conraria, Cabouco e as zonas ribeirinhas de Ceira, Torres do Mondego, São Martinho do Bispo, Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal e Arzila. Por motivos de segurança, a autarquia decidiu também encerrar na quarta-feira todas as escolas localizadas na margem esquerda do Mondego.
“Estamos a agir com tempo e por precaução. Não queremos correr o risco de um dos diques colapsar e depois termos de actuar em emergência”, justificou Ana Abrunhosa, apelando à tranquilidade da população. Foram também evacuados três lares de São Martinho do Bispo, tendo em conta a “especial vulnerabilidade dos utentes”.
No município de Soure deverão ser retiradas das suas casas 300 a 500 pessoas, residentes nas freguesias de Granja do Ulmeiro, Alfarelos, Figueiró do Campo, Samuel e Vinha da Rainha. Já em Montemor-o-Velho, concelho vizinho de Coimbra, serão retiradas 80 a 100 pessoas das localidades de Pereira, Formoselha, Santo Varão e Caixeira.
“Para dia 11 está prevista chuva persistente e por vezes forte nas regiões Norte e Centro, sendo menos intensa na região Sul”, explica o IPMA, sobre a depressão que “tem associado um sistema frontal que transporta uma massa de ar quente e húmido para a Península Ibérica”.
De acordo com o instituto, o vento irá soprar por vezes forte, com rajadas que podem atingir 100 quilómetros por hora nas terras altas, em particular nas regiões a norte do Mondego. A agitação marítima também continuará forte, prevendo-se ondas de noroeste com quatro a seis metros de altura, podendo atingir 11 metros de altura máxima a norte da Figueira da Foz.
Estão sob aviso laranja devido à previsão de chuva os distritos de Aveiro, Braga, Coimbra, Leiria, Porto, Santarém, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu.
Protecção Civil pede cuidado perante risco de derrocadas
A Protecção Civil voltou a alertar para o risco significativo de inundações em vários rios portugueses, em especial no Mondego, que continua com cotas “bastante elevadas”, mas também no Tejo (ainda que a situação seja “mais estável), Sorraia, Vouga e Sado. Em conferência de imprensa, o comandante nacional de Emergência e Protecção Civil destacou também “várias deslocações de massas” que colocam em causa a segurança da população e têm obrigado a sucessivos cortes de estradas.
Já em Ponte da Barca, distrito de Viana do Castelo, duas derrocadas provocaram danos em várias habitações e pelo menos um veículo, causando uma dezena de desalojados, adiantou Mário Silvestre.
O comandante nacional renovou os apelos à população para, se conduzir, não tentar atravessar vias inundadas, e, ao caminhar, manter a distância de cursos de água que possam transbordar, lembrando que esta terça-feira foi resgatado um homem que caiu à água numa zona inundada pelo rio Antuã, em Estarreja (Aveiro).
No total, a Protecção Civil registou esta terça-feira 1514 ocorrências, a maioria por inundações, e realizou 15 salvamentos aquáticos.
Após a passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, permaneciam esta terça-feira sem abastecimento de energia eléctrica um total de 41 mil clientes da E-Redes, 26 mil no distrito de Leiria, confirmou Mário Silvestre no ponto de situação feito pouco depois das 19h.
Uma hora antes, foram as Forças Armadas a prestar declarações, numa conferência de imprensa agendada quatro dias após as críticas feitas pelo Presidente da República a um “problema de comunicação” das Forças Armadas, que “levou à interpretação de que não estavam no terreno”.
“Continuaremos empenhados pelo tempo que for necessário nas regiões afectadas pelas intempéries”, assegurou a tenente-coronel Susana Pinto, a partir da Academia Militar, na Amadora, esclarecendo que os militares estão no terreno desde o primeiro dia da tempestade Kristin, a 28 de Janeiro, data em que receberem o primeiro pedido da Protecção Civil. Com Lusa

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