Depois de meio ano a enviar propostas ao primeiro-ministro para resolver problemas em diversas áreas, incluindo as problemáticas da saúde e da habitação, o secretário-geral do PS está a contar que António José Seguro ajude, de alguma forma, a fazer com que “o Governo possa responder” aos socialistas. Quem o admitiu foi o próprio José Luís Carneiro nesta terça-feira à noite à entrada para a reunião da Comissão Política Nacional do PS, que tem como agenda a análise da situação política e o resultado das eleições presidenciais que deram a vitória a Seguro por um resultado recorde.
“Espero, agora, que com o contributo do futuro Presidente da República (…) o Governo possa responder às propostas que o PS tem vindo a fazer ao longo destes meses”, apontou Carneiro, sobre as cartas em que propunha “convergência política” ao executivo na defesa, na segurança, na justiça, na saúde e na habitação. “É importante que os cidadãos saibam quais são os partidos que estão cá para destruir e aqueles que estão cá para construir. E o PS está cá para construir”, argumentou, fazendo uma contraposição face ao Chega, sem o nomear. Apesar, ressalvou, das áreas “de divergência política que são conhecidas no domínio económico e social”, nas quais o PS continuará a afirmar “uma alternativa clara e credível para servir o país”.
“Se hoje não há maior convergência política com o Governo, não se deve à falta de vontade do PS” nem é “responsabilidade do líder do PS”, vincou perante os jornalistas. “Porque, desde a primeira hora, sempre procurou encontrar soluções de convergência para servir o país”, afirmou sobre si próprio mas falando na terceira pessoa.
Sobre a eleição de António José Seguro, Carneiro disse ser “a vitória da democracia, dos democratas, dos humanistas que encontraram no candidato apoiado pelo Partido Socialista o espaço para a defesa desses valores constitucionais fundamentais”.
Questionado sobre o cenário de Seguro ser um apoio para o PS na Presidência da República depois de, enquanto candidato, ter usado o argumento de ser o fiel da balança para que os vários patamares políticos não estivessem todos à direita, Carneiro começou por salientar que as funções de chefe de Estado implicam “isenção, imparcialidade, independência e representação de todo o povo português”. Mas acabaria por reconhecer que o PS está a contar com a ajuda de Seguro.
O líder do PS salientou que Seguro, apesar de ser “naturalmente um candidato que parte do espaço político do PS [já que] foi seu secretário-geral”, “para ter os resultados que teve, os mais expressivos de sempre, recebeu votos de todos os quadrantes políticos ou partidários”. E comparou-o até com os casos de Mário Soares e de Jorge Sampaio.
“É bom saber que temos um Presidente eleito que, por exemplo, disse que não concordava com as propostas de legislação laboral”, apontou Carneiro, porque “dá força” à posição do PS, que se congratulou ainda com a intenção de Seguro de fomentar um pacto para a saúde.

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