Devido às condições atmosféricas adversas e ao efeito da ondulação junto à via-férrea, a linha de Cascais está a operar em via única entre Algés e Caxias desde o dia 5 de Fevereiro. Durante estes dias a CP reduziu a oferta nesta linha, que habitualmente era de seis comboios por hora em cada sentido, para apenas dois por hora, ou seja, um em cada meia hora. No entanto, a linha tem condições técnicas para, mesmo com uma única via a funcionar, poder assegurar-se uma oferta de três comboios por hora com partidas em cada 20 minutos em cada sentido.
Esta possibilidade foi pensada nos anos 60 do século passado aquando da modernização da linha de Cascais, a cargo da então Sociedade do Estoril. Nessa altura definiram-se pontos de cruzamento em locais estratégicos e equidistantes por forma a que, em caso de a exploração ter de ser feita em via única em determinado troço, os comboios poderem cruzar com uma fluidez que permitisse uma oferta de três circulações por hora em qualquer troço afectado.
O PÚBLICO cronometrou vários comboios no passado dia 6 de Janeiro e constatou que nenhum demorou mais de 9 minutos e 40 segundos entre Algés e a retoma da via dupla em Caxias (e vice-versa), o que confirma essa possibilidade – estudada há mais de 50 anos – de fazer comboios de 20 em 20 minutos nestas circunstâncias.
Questionada a CP sobre quais os motivos que a levaram a decidir reduzir a sua oferta na linha de Cascais para 33% do habitual quando, mesmo em situação degradada, poderia assegurar 50% do serviço, a empresa não respondeu.
Nos últimos dias, os comboios da linha de Cascais, que já andavam muito cheios em circunstâncias normais, sobretudo à hora de ponta, têm estado absolutamente congestionados.

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