“Se um dique rebenta é como uma bomba”: Coimbra retira 3 mil pessoas de casas e lares

Cerca de três mil habitantes do concelho de Coimbra vão ser retirados das suas casas e de lares de idosos por causa do elevado risco de colapso dos diques do rio Mondego. Segundo explicou a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, todas as pessoas estão avisadas e a GNR e a PSP irão, “porta a porta”, dar ordem de evacuação.

“Hoje choveu muito acima do esperado, a barragem da Aguieira está muito acima da sua capacidade, o caudal do rio Mondego subiu muito e durante esta noite e madrugada vai chover muito“, explicou à CNN Ana Abrunhosa. Depois de uma reunião de emergência com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a ministraf do Ambiente, onde se fez uma “avaliação face ao risco bastante elevado de os diques não aguentarem – o Mondego é um rio emparedado – a decisão foi evacuar a população de alguns sitios”.

Assim, serão retirados das suas habitações as populações de São Martinho do Bispo, com ponto de encontro na Escola EB 2/3 Inês de Castro; Conraria e Cabouco, que devem ir para a Casa do Povo de Ceira; as povoações de Ribeira de Frades, Taveiro, Amial e Arzila irão para a Escola EB 2/3 de Taveiro.

Foi também decidido fechar as escolas públicas e privadas das freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas. Já esta tarde começaram a ser evacuados três lares de idosos em São Martinho do Bispo. “É uma população muito frágil e acamada, que vai ficar com o apoio da Cruz Vermelha num equipamento desportivo”, explicou a autarca. Aqui também ficarão as pessoas que, mesmo vivendo nas suas habitações, estejam acamadas.

“Já temos os equipamentos preparados para receber as pessoas, mas achamos que a maior parte irá para casa de familiares”, afirmou Ana Abrunhosa, que esteve em todos os canais de informação a dar estas explicações e coordenadas.

Em todo o caso, a autarca garantiu que esta semana os serviços camarários e as juntas de freguesia andaram por todas as casas a distribuir panfletos com informação sobre locais de segurança e contactos. “As pessoas sabem onde podem dirigir-se, podem levar o seu carro, há autrocarros, há ambulancias”, disse. E acrescentou: “Os nossos presidentes de Junta conhecem casa a casa, conhecem todas as famílias. Vamos bater porta a porta com a GNR e a PSP, que é quem tem a competência para dar ordem de evacuação”.

Ana Abrunhosa tentou passar uma mensagem de calma a todas as pessoas, dizendo que a decisãofoi tomada com tempo para que todos fiquem em segurança. Mas não poupou na metáfora ao dizer que “se um dique rebentar é como uma bomba”. Se tal acontecer, “haverá apenas danos materiais”, assegurou.

Disse que não tem falta de meios e elencou as entidades envolvidas nesta operação e nas que nas últimas duas semanas têm estado no terreno: exército, fuzileiros, três corpos de bombeiros, PSP, GNR, Polícia Municipal, Transportes Urbanos de Coimbra.

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