Shiffrin, a poderosa do esqui que teima em falhar nos Jogos – Observador



Oito anos depois, Mikaela Shiffrin continua à procura de estender o seu domínio aos Jogos Olímpicos. Na verdade, a prestação olímpica da esquiadora norte-americana até começou bastante bem, com Shiffrin a conquistar o ouro no slalom do esqui alpino em Sóchi-2014, com apenas 18 anos. Nessa edição somou ainda um quinto lugar no slalom gigante, ao passo que, quatro anos depois, em Pyeongchang-2018, conquistou mais duas medalhas: ouro no slalom gigante e prata no combinado, para além de ter sido quarta no slalom. Contudo, depois de três medalhas e cinco presenças no top 5 nas cinco primeiras provas olímpicas que realizou, Mikaela Shiffrin não se voltou a encontrar. E continua à procura de o fazer.

Mikaela Shiffrin torna-se recordista de vitórias em taças do mundo de esqui alpino

Em Pequim-2022, a norte-americana teve como melhor resultado o quarto lugar no evento de equipas mistas, depois de não ter terminado as provas de slalom, slalom gigante e de combinado, e de ter sido nona no super-G e 18.ª no downhill. Agora, aos 30 anos, Mikaela Shiffrin chegou a Milão-Cortina-2026 com o estatuto de esquiadora mais vitoriosa da história da Taça do Mundo (108 vitórias) e depois de ter vencido todos os sete slaloms realizados esta época, estreando-se nos seus quartos Jogos Olímpicos esta terça-feira. Ao lado de Breezy Johnson, que venceu no downhill, Shiffrin provocou uma das maiores surpresas desta edição das Olímpiadas, ao terminar o combinado por equipas feminino no quarto lugar, a apenas 31 centésimos do ouro das austríacas Ariane Rädler e Katharina Huber e a seis do bronze das compatriotas Jacqueline Wiles e Paula Moltzan. A prata ficou com a dupla alemã, composta por Kira Weidle-Winkelmann e Emma Aicher, a cinco centésimos do primeiro lugar.

No início da competição, que aconteceu durante a manhã de terça-feira, a primeira equipa dos Estados Unidos até começou bastante bem, com Breezy a terminar a prova de downhill em 1.39,59 minutos, resultado que lhe valeu o primeiro lugar. Contudo, poucas horas depois, Mikaela “espalhou-se” no slalom, terminou com 45,38 segundos — o seu pior registo da temporada depois de ter vencido as sete provas anteriores — e foi apenas 15.ª classificada entre as 18 esquiadoras que acabaram a prova. No final, os Estados Unidos 1 anotaram um tempo de 2.21,97 no combinado feminino, falhando as medalhas, atrás, inclusivamente da equipa “secundária”. O resultado é ainda mais surpreendente se tivermos em conta que Johnson é a atual campeã olímpica do downhill individual e Shiffrin é a esquiadora com mais vitórias no slalom em toda a história da modalidade (71). Para além disso, com 30 anos, as duas norte-americanas estão no pico da carreira em termos de forma, à qual se acrescenta a sua maturidade competitiva.

“Realmente não consegui. Não encontrei aquele nível de conforto que me permite arriscar tudo. Quero ter cuidado para não procurar desculpas, porque não há propriamente uma. Simplesmente, tendo em conta todo o trabalho feito, estava tão preparada para tudo, para todos os slaloms deste ano. Por isso, há algo a retirar deste dia e vou aprender com isso. Este desporto é uma questão de detalhes e de inúmeras variáveis. Por vezes fico muito nervosa, outras vezes estou descontraída, e há dias em que nem sei se é dia de competição. É tudo completamente diferente e nem sei como explicar. Acho que evoluímos sempre com mais informação e hoje [terça-feira] tive muita. Também nos tornamos campeãs graças às experiências negativas, de certa forma”, explicou a esquiadora.

O grande objetivo de Mikaela Shiffrin vira-se agora para o dia 18, quando competir na vertente individual do slalom. Antes, no domingo, a norte-americana tem pela frente a competição de slalom gigante.

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