Colapso do viaduto da A1 em Coimbra: imagens de drone revelam impacto do rebentamento do dique do Mondego

Imagens aéreas captadas por drone revelam a extensão dos danos provocados pelo rebentamento do dique do rio Mondego, na zona dos Casais, em Coimbra, que originou o colapso de um troço da Autoestrada 1 (A1), construído sobre aquela estrutura. Os trabalhos de reparação no segmento da Autoestrada 1 já estão em curso, depois de a via ter cedido na quinta-feira na sequência da rutura do dique. No local encontram-se vários camiões para proceder ao reforço da zona afetada.

O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, adiantou na madrugada de quinta-feira que estavam mobilizados 15 camiões com enrocamento para consolidar a área onde surgiu a quebra, prevendo a chegada de mais viaturas na manhã seguinte para reforçar os trabalhos. O governante admitiu que a reparação do troço da A1 poderá demorar várias semanas. Segundo explicou, a fissura registada no sentido norte-sul poderá ainda alastrar à faixa no sentido contrário.

Em comunicado, a Brisa Concessão Rodoviária (BCR) esclareceu que a rutura foi provocada pelo rebentamento do dique e pela subsequente escavação do aterro junto ao encontro norte do viaduto C do Mondego, na sequência de um débito excecional superior a 2.100 metros cúbicos de água por segundo.

De acordo com a Proteção Civil e a Guarda Nacional Republicana, citadas pela RTP e pela agência Lusa, o desabamento ocorreu no ponto de ligação entre o aterro e o viaduto, na zona dos Casais. O troço entre Coimbra Norte e Coimbra Sul encontrava-se já encerrado em ambos os sentidos há várias horas quando o dique cedeu, cerca das 18h30. A concessionária indicou que o corte da via se situa entre os quilómetros 189 e 198.

Em conferência de imprensa realizada ao início da noite, na qual estiveram presentes o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o primeiro-ministro, Luís Montenegro, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, afirmou que o corte da autoestrada que liga Lisboa ao Porto foi decidido por “precaução” e não devido a “perigo iminente”. A governante indicou que a rutura do dique tem cerca de 10 metros de largura e está a provocar uma “cheia lenta”, acrescentando que “tudo aconteceu como previsto pelos técnicos” da Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Maria da Graça Carvalho alertou ainda que as barragens da Aguieira e das Fronhas não são suficientes para controlar os caudais do Mondego num cenário de alterações climáticas e eventos extremos. Recordou que o país atravessa um período excecional de precipitação há três semanas e que, apenas nos dois dias anteriores, a chuva representou cerca de 20% da média anual.

O primeiro-ministro não excluiu a possibilidade de novas ruturas e advertiu que, perante a previsão de agravamento da precipitação durante a noite de quinta para sexta-feira, existe preocupação quanto à resistência do dique entre Coimbra e a Figueira da Foz.

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