Apesar de, ao longo das suas campanhas, Donald Trump se ter focado na política nacional, ao invés da interferência externa que marcou a estratégia de Washington nas últimas décadas, as suas ameaças contra o Irão foram recebidas atentamente por adversários e aliados. Afinal, o Presidente já tinha dado provas de uma disponibilidade para ataques pontuais no estrangeiro: no Irão durante a “Guerra dos 12 dias”, na Venezuela, na Nigéria e na Síria.
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A decisão de não atacar Teerão no início de janeiro foi justificada com o facto de o Irão ter suspendido a execução de mais de 800 iranianos, que tinham sido presos nos protestos. “Disseram-nos que a matança no Irão parou”, declarou Trump no dia 14 de janeiro. Porém, a imprensa norte-americana escreve que uma das principais razões para o ataque ter sido suspenso — tudo aponta agora para que tenha sido adiado — foi a dimensão da presença militar norte-americana no Médio Oriente. Com uma grande parte das forças de Washington no Mar das Caraíbas, na sequência do ataque à Venezuela, os EUA não teriam capacidade para fazer frente a um resposta iraniana, deixando expostas as tropas norte-americanas na região, assim como os aliados, entre os quais se destaca Israel.
Aquele que terá sido o principal obstáculo à concretização de um ataque no início do ano foi rapidamente endereçado e, ao longo das últimas semanas, os EUA consolidaram uma “enorme armada” no Médio Oriente, como classificou Trump, que a comparou à que ocupou as águas ao largo da Venezuela nos meses antes do ataque do dia 3 de janeiro. As movimentações mais significativas são a presença de dois porta-aviões: o U.S.S. Abraham Lincoln, que está estacionado no norte do Mar Arábico, e o U.S.S. Gerald Ford, que se aproxima de Gibraltar, vindo do Mar das Caraíbas — este navio deverá ficar atracado no Mediterrâneo, tendo como função proteger Israel de ataques iranianos, segundo avançou o New York Times, que cita responsáveis norte-americanos.
Aos porta-aviões somam-se “dezenas” de aviões reabastecedores e mais de 50 caças — doze reabastecedores e doze caças terão parado na base das Lajes nos Açores —, contratorpedeiros, cruzadores e submarinos e ainda a movimentação de sistema de defesa anti-aérea, Patriots e THAAD, dois sistemas capazes de intercetar mísseis balísticos iranianos. “Tipicamente, não se colocam dois porta-aviões e centenas de aviões em posição a não ser que se planeie utilizá-los”, sintetiza o Axios.

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