Festival Internacional de Chocolate de Óbidos: depois da ciência, a “Arte” | Lazer


Uma tablete de chocolate solitária agarrada a uma tela com fita-cola… É arte? Se a banana no quadro de Maurizio Cattelan (o Comediante) entrou em museus e leilões e foi arrematada por milhões, nada impede o Festival Internacional de Chocolate de Óbidos de a invocar no seu cartaz deste ano, tendo em conta o tema que o conduz. No ano passado, deixou-se levar pela ciência e encheu-se de invenções que mudaram o mundo. Este ano, lambuza-se com Arte. Mais: inaugura um museu.

Com 450.000€ investidos e 100.000 visitantes esperados, a 22.ª edição abre portas de 6 a 22 de Março. Uma das novidades é o nascimento desse Museu de Arte em Chocolate onde “será possível admirar obras de referência internacional desenvolvidas em residência artística por uma equipa de especialistas”, faz saber a organização, a cargo da autarquia. É a uma equipa de cinco chefs, liderada por Abner Ivan e Natália Marinho, que devemos, por exemplo, a Mona Lisa de Leonardo da Vinci em versão achocolatada — umas das 12 obras de arte reinterpretadas nesta “galeria singular”.

Há chocolate às toneladas pelo burgo medieval — 85, mais exactamente —, forjadas em cerca de 3000 horas de trabalho. As esculturas tornam a ocupar, como é habitual, um papel de relevo. Desta vez, propõem “interpretações de grandes mestres e movimentos artísticos que marcaram a história, desde o clássico ao contemporâneo”. E os visitantes já sabem que podem vê-las ganhar forma ao vivo.

À sua espera estão também oportunidades de saciar a gulodice em ateliês “em que cada um é convidado a mostrar a sua criatividade na arte, inspirados em grandes artistas como Gaudí ou Miró”. À pintura e escultura juntam-se invocações das outras artes clássicas — como a literatura e a música, harmonizadas com vinho na Enoteca — ou de “modernices” como a fotografia, numa experiência de cianotipia que faz uso dos taninos do chocolate na revelação.

Com curadoria do chef pasteleiro Francisco Siopa, do Penha Longa Resort, que reincide no cargo, o festival garante a presença de mais de uma centena de chefs, entre showcookings, demonstrações e concursos. Entre eles estão Bruno Santos (Gooey Lab), Carlos Matarredona (Callebaut Chocolate Academy), Joe Moretones (Foix de Sarriá), Jordi Ortiz (L’Obrador de Sant Tomàs), Joel Simões (Six Senses Douro Valley), Jorge Cardoso (JC Chocolatier) e Micheline Barbalho (Kabuki Lisboa), vencedora da melhor ementa de chocolate na edição de 2025.

Hugo Canosa

No Mercado de Chocolate, os expositores das marcas e dos mestres chocolateiros completam a oferta de sabores com montras irresistíveis para chocoólicos, “desde bombons requintados a tabletes artesanais, bolos, crepes, licores e muitas outras delícias”. Com uma novidade: representações de produtores de cacau da Costa do Marfim e do Equador.

A “capacidade de surpreender através da fusão entre gastronomia, imaginação e espectáculo”, que sempre esteve na matriz do festival, concretiza-se, assim, num programa atirado para o território da “imaginação que nunca se esgota”, descreve a Câmara Municipal em comunicado. Aqui, “o público encontrará novas formas de olhar para o chocolate, não apenas como um produto gastronómico, mas como matéria-prima criativa capaz de dar vida a narrativas visuais e estéticas”, assegura.

O festival funciona de sexta-feira a domingo, entre as 10h e as 21h. O bilhete custa 10€, ficando a 8€ para crianças dos três aos 11 anos. Entre outros descontos, estudantes e seniores pagam 9€, enquanto os passaportes para famílias vão dos 32€ aos 45€.



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